Fundamentalismo religioso islâmico


O século XX será lembrado na história pelas duas grandes guerras mundiais, pelo fracasso do comunismo, pela globalização, pelas conquistas e avanços tecnológicos e pelo renascimento do fundamentalismo religioso que apresenta as seguintes características:

  1. A interpretação literal das escrituras sagradas, sem lugar para a interpretação intelectual puramente material;
  2. Aversão ao pluralismo religioso, à tolerância e o relativismo;
  3. Resistência a secularização e a modernidade;
  4. Incentivo às crenças conservadoras;
  5. Resposta a crise social que atinge o sistema global.

Dentro do movimento islâmico podemos identificar três diferentes grupos, a saber:

O grupo do Renascimento. Movimentos que emergiram nos séculos XVIII e XIX, opunham-se ao inexorável crescimento econômico e comercial do grande império constituído pelos principais estados da dinastia mulçumana – o Egito mameluco, a Turquia otomana, a Pérsia dos safawíes e a Índia dos mongóis, atacados militarmente
pela Europa e Rússia. As bases desse movimento eram nas regiões periféricas,
longe dos centros e das autoridades locais.

O grupo do Reformismo. Nasceu no século XIX e durou até o século XX, formado por funcionários estatais, intelectuais ou islamólogos que eram tenazmente
contrários às interpretações tradicionais da religião.

O grupo do Fundamentalismo. Formado por fiéis enérgicos que se mostram contrários a qualquer parceria com o mundo ocidental, a secularização e a modernidade, sua doutrina se resume em três pontos principais:

  1. A modernidade laica é tida como uma expressão do mal, qualquer religioso ou político que aceitem o laicismo e a modernidade são considerados infiéis e devem ser combatidos;
  2. O remédio para vencer o mau é a rebelião conduzida pelos verdadeiros fiéis;
  3. A rebelião se transforma em jihad – Guerra Santa, isso significa sacrifício e martírio por amor a ummah – comunidade, se for o caso transpor fronteiras pela causa de Alá.

A modernização é tida pelos radicais como a suplantação da cultura e tradição islâmica por uma cultura estranha, daí a necessidade de um retorno aos
fundamentos, o que chamamos que reislamização. Para os radicais o único meio
para impor sua doutrina e evitar a ocidentalização do mundo árabe é através da
jihad, da catequização cultural, social, intelectual e política dos estados
contemporâneos com foco principal na juventude.

A grande guerra mundial está acontecendo em diversos pontos do mundo nesse momento, o fundamentalismo religioso é uma das principais causas da maioria dos conflitos existentes. No caso específico das nações árabes a religião tem servido como estimulante da juventude mulçumana que acredita estar lutando por uma causa que irá devolver ao mundo árabe a magnificência das eras antigas e garantir a
defesa territorial, cultural e política das futuras gerações árabes.

A hegemonia militar americana é inquestionável, atualmente não há país no mundo capaz de vencer o poderio militar americano, mas os árabes fundamentalistas descobriram uma arma tão poderosa quanto, que a tecnologia não é capaz de derrotar, trata-se dos mujahidins – militantes suicidas, conhecidos também como homens bombas, que podem estar em qualquer parte do mundo. Os militantes mulçumanos podem estar na periferia de grandes centros, nas zonas rurais, nos centros comerciais, nas faculdades, etc…, não há como detê-los por meios convencionais.

Entendo que o fim dos conflitos entre Ocidente Cristão e Oriente Mulçumano tem que passar em primeiro lugar, pelo reconhecimento da religião mulçumana como instrumento de unificação dos povos árabes e comunidades internacionais. Quando o Presidente Bush afirma que está promovendo uma cruzada contra o terror, parte da comunidade internacional entende que o terror se chama Islã. Não podemos confundir o povo mulçumano e a religião islâmica com os militantes suicidas e organizações terroristas que atuam em nome da religião mulçumana. Aliás, como fora exposto nesse trabalho, o fundamentalismo se iniciou nos EUA por grupos de cristãos protestantes e a história mostra que o cristianismo, judaísmo e outras
religiões seculares, por inúmeras vezes, estiveram envolvidos diretamente em ações criminosas de natureza fundamentalista.

Em segundo lugar considero importante a manutenção dos valores culturais do mundo árabe. A ocidentalização afronta as tradições do povo árabe que tem na religião islâmica e no Alcorão o seu código de conduta pessoal, religioso e político. São valores mantidos por séculos e que estão enraizados na cultura daqueles povos. Os mulçumanos na grande maioria são contrários a ocidentalização, porém favoráveis a modernização do mundo árabe. Acredito ser perfeitamente possível para o Islã conviver com a modernização, mantendo suas tradições seculares, como acontece em paises como a Índia, China e Japão.

Desde os atentados de 11 de setembro/01 e 11 de março/04, um sentimento de apreensão e terror tem conduzido governos a pensarem sobre o que aconteceria se grupos fundamentalistas islâmicos resolvessem detonar uma bomba nuclear em alguma grande cidade do Ocidente, aumentando o terror entre os povos. Karem Armstrong afirmou que os acontecimentos que hoje ocorrem em nações islâmicas poderão provocar repercussões no Ocidente amanhã e que pequenos grupos terroristas que se baseiam em doutrinas fundamentalistas poderão cometer atos de destruição em massa se não forem detidos.

O Islã não deve ser visto como inimigo da democracia e dos valores decentes, na visão de uma boa parte de mulçumanos a convivência com a modernidade é perfeitamente possível, mas a ocidentalização do mundo árabe representaria o fim da cultura, religião, dos laços tradicionais e das relações sociais no molde islâmico, razão pela qual lutam veementemente contra a presença ocidental em seu território. Os inúmeros acordos assinados entre Israel e a Autoridade Palestina são exemplos fracassados de paz no Oriente Médio, a solução será possível quando houver a devolução dos territórios ocupados ao povo palestino. Em nome da religião, o povo palestino, ainda que tenham suas vidas ceifadas e posses tomadas não deixarão de lutar pela defesa dos territórios que lhes pertencem.

Fonte: texto da conclusão do trabalho referente o
Fundamentalismo Religioso Islâmico e Suas Implicâncias nas Relações
Internacionais de minha autoria

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