TV digital: muita indefinição


   

Além
da limitação da programação que será disponibilizada, nenhum dos fabricantes
de televisores de alta definição e de conversores do sinal digital ouvidos
pelo Idec até final de novembro informava se os aparelhos estavam dotados da
tecnologia de interatividade, o middleware brasileiro Ginga; consumidor
poderá ter de pagar duas vezes.

A
TV digital estreará dia 2 de dezembro na região metropolitana de São Paulo. A
partir de meados de 2008, será a vez de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e
Brasília receberem os novos sinais. Nas demais capitais, a transmissão
digital deve acontecer até o início de 2009, e até 2013 todo o país deve
estar coberto pela nova tecnologia.

De
início, pouco deve mudar (e para poucos). As maiores novidades da TV digital
– a interatividade e a alta definição das imagens -, ainda são oferecidas de
maneira limitada ou nula. Portanto, a ordem é não se afobar e não comprar
aparelhos que prometem muito e, no fundo, pouco fazem. Confira as informações
mais importantes para esta fase de transição.

O que muda na
transmissão da TV digital?

A TV
aberta brasileira até agora foi transmitida por ondas eletromagnéticas, mas
com tecnologia analógica. O sinal digital será transmitido também por ondas,
mas que são menores, pois carregam dígitos em código binário. Essa
característica da tecnologia digital permite a multiprogramação, isto é, a
exibição de até quatro programas diferentes em um só canal. Estas são as
principais diferenças técnicas do processo. O sinal analógico utiliza a
freqüência VHF (canais 2 ao 13) e o sinal digital utilizará a UHF (canais 14
ao 69). A maioria das antenas comuns é capaz de receber nas duas freqüências,
mas pode ocorrer, inclusive, que em determinada região da cidade a recepção
da freqüência UHF seja ruim.

Qual a diferença
na imagem e no som?

A imagem da TV digital terá melhor qualidade, já que
não está sujeita a interferências (ou ela pega ou não). O som também é
melhor, pois pode ser transmitido em até 6 canais (
surround), enquanto na transmissão analógica só é possível em 2
canais (mono ou estéreo).

Outra
diferença diz respeito ao formato da tela. Os sinais analógicos são gerados
para uma tela no formato 4:3 (quase quadrado), enquanto o sinal digital é
gerado e transmitido para o formato 16:9 (retangular ou widescreen),
semelhante às telas de cinema.

Mas
atenção: para desfrutar da alta qualidade da imagem da TV digital é
necessário ter equipamentos (TV e conversor) que sejam capazes de reproduzir
tais qualidades. Um aparelho de TV normal (de tubo ou mesmo de plasma e LCD)
poderá exibir uma imagem mais limpa, mas não em alta definição. Como o som é
transmitido em sinal independente da imagem, pode até ser desfrutado em sua
versão surround se
você conectar um equipamento de home
theater
, por exemplo, ao seu aparelho. Mas seu conversor (ou set
top Box) de sinal digital tem de suportar essas funcionalidades.

O que é a interatividade e a mobilidade da TV
digital?

A interatividade é a possibilidade de trocar dados e
realizar operações em funções do conteúdo exibido (comprar produtos,
consultar serviços, responder a enquetes etc). De início, a interatividade
será limitada. Isso porque não há notícia que os conversores (ou
set top boxes)
à disposição no mercado tenham incorporado o
software
desenvolvido no Brasil para permitir a interatividade, o Ginga. Esse é um
ponto obscuro da TV digital no Brasil para o consumidor. O Idec contatou
cinco fabricantes de conversores oferecidos no mercado em final de novembro e
nenhum deles informou nada sobre a presença do Ginga, imprescindível para que
a interatividade seja completa. Todos afirmaram que o
software
“ainda não está pronto”, o que não é verdade. O Idec confirmou a
disponibilidade do programa para os fabricantes, sem custos, com um dos
desenvolvedores do Ginga, o laboratório de Telemídia da PUC-SP. Tudo indica
que quem comprar um conversor agora terá que comprar outro (ou atualizar o
que já possui) mais tarde.

Em
relação à mobilidade, já é possível receber o sinal em aparelho móvel (uma TV
portátil para a recepção digital ou um aparelho celular). Mas a imagem para
os celulares não é de alta definição (chamada de
High Definition ou HDTV).

A partir de 2 de
dezembro, em São Paulo, toda a programação será digital e em alta definição?

Não. As emissoras estão em fase de implantação do
sinal digital. E somente parte pequena da programação (jogos de futebol,
filmes e novelas, principalmente) será em alta definição. É preciso
distinguir entre sinal digital (já presente na TVs pagas, por exemplo) e
transmissão em alta definição (HDTV). O sinal digital será implantado mais
rapidamente; a programação em alta definição será implantada aos poucos.

O que é a
multiprogramação? Ela já estará disponível na TV digital?

A multiprogramação é um recurso possível porque o
sinal digital é mais compacto, o que permite transmitir até quatro programas
em um só canal, quando não são transmitidos em alta definição (HD), mas em
definição
standard
(SD). Mas ainda não está claro como as
redes de TV aberta procederão em relação a isso. Essa potencialidade da TV
digital é interessante para a multiplicação de conteúdo e para sua
democratização. Mas nada indica que as redes de TV abrirão esse espaço para
novos atores do audiovisual.

É preciso
adquirir novos equipamentos ou comprar novos televisores neste momento?

Não! O sinal analógico continuará a ser transmitido
normalmente até 2016. Se você quiser adquirir um conversor de sinal, fique
atento às limitações do aparelho e do seu televisor. Os dois equipamentos
podem ter capacidades limitadas de som e imagem, isto é, podem ou não exibir
imagens em alta definição e ter ou não som com 6 canais. Além disso, como
confirmamos, nenhum deles ainda possui a base da interatividade, que é o
middleware Ginga (uma espécie de programa que será instalado nos
conversores).

O que preciso ter
para assistir a TV digital já no dia 2 de dezembro?

As transmissões terão início somente para a área
metropolitana de São Paulo. Se você mora nessa região e não estiver em uma
área de sombra (áreas onde o sinal não chega), precisará do seguinte:

– Ter condições de receber, no seu endereço, uma
transmissão nos canais de UHF e ter uma antena para isso. Muitas das antenas
que recebem VHF também recebem UHF;

– Adquirir um conversor do sinal digital, que vai
ser ligado à sua antena UHF e ao televisor. As vantagens imediatas são a
melhora da imagem (eliminação de fantasmas e chuviscos) e do som (fim de
chiados), caso seja possível captar o sinal digital em sua localidade. Se seu
televisor for convencional (de tubo), de plasma ou de tela de cristal líquido
(LCD) com 480 linhas horizontais de resolução, a imagem e o som serão mais
nítidos, mas é só;

– Para ver as imagens em alta definição (HD), você
precisará de um conversor e também de um televisor com essa capacidade. O
televisor pode ser de tela de  plasma ou LCD, mas tem de poder exibir
1080 linhas horizontais (Full HD) ou pelo menos 720 linhas horizontais (HDTV
Ready) (veja no manual e informe-se com o vendedor antes de comprar o
aparelho);

– Já há no mercado televisores digitais com o
sintonizador embutido, também chamados de televisores digitais integrados,
que dispensam o uso de conversores digitais externos. Mas tal como os
conversores (set top boxes), os televisores disponíveis até agora no mercado,
além de caríssimos, não dispõem do Ginga, necessário para a futura
interatividade.

Minha televisão
de tubo pode receber o sinal digital?

Sim, as TVs de tubo (CRT) podem receber o sinal
digital, mas terão a qualidade da imagem limitada à resolução definida na
fabricação.

Se o sinal
digital é transmitido em canais UHF, terei que sintonizá-los?

Não. Os conversores já farão isso. Apesar de, na
realidade, estar captando o sinal em uma freqüência UHF – a TV Cultura
será no canal 24, por exemplo –, você vai digitar no seu controle o
número do canal VHF (no caso, o 2) e o conversor vai automaticamente sintonizar
seu televisor.

Um só conversor
serve para vários televisores?

Sim, mas é como na TV paga: todos os televisores
ligados àquele conversor sintonizarão o mesmo canal.

Se eu comprar um
conversor ou uma TV importados, servirão aqui no Brasil?

Não. A tecnologia da TV digital brasileira é de
origem japonesa, mas sofreu várias adaptações aqui no Brasil.

As TVs à venda
nas lojas já estão prontas para receber o sinal digital?

Cuidado! É preciso avaliar duas coisas antes de
comprar um novo televisor:

– Se a TV possui alta definição (Full HD –
1080 linhas horizontais; ou pelo menos 720 linhas horizontais – HDTV Ready).
Exija essa informação do vendedor e verifique no manual

– Se a TV já pode receber o sinal digital, sem
a necessidade de comprar um conversor (a quase totalidade dos televisores à
venda ainda não é capaz de receber diretamente o sinal digital). Como já foi
dito acima, nenhum dos aparelhos até agora verificados no mercado dispõem da
tecnologia para interatividade. O melhor é esperar. Se você quiser comprar
aparelhos (TV e conversor) de imediato, verifique se há a possibilidade de
receber futuramente uma atualização gratuita com o middleware Ginga. O ideal
é exigir isso por escrito. Se você não fizer isso, quando vier a tal
interatividade, vai, provavelmente ter de desembolsar algo.

Possuo serviço de
TV por assinatura. O que muda para mim?

As TVs por assinatura hoje transmitem digitalmente a
programação das emissoras, mas não em alta definição. O assinante de TVs por
assinatura terá duas opções para receber os sinais de TV Digital:

1
– Comprar o conversor digital e interligá-lo a sua TV e a uma antena, interna
ou externa. Você continua recebendo a programação da TV por assinatura pela
atual caixa conversora da operadora de TV por assinatura, e os sinais das TVs
abertas, gratuitamente, pelo novo conversor de TV digital.

 2 – Aguardar até que as operadoras de TV por
assinatura também distribuam por suas redes os sinais da TV digital. Mas,
nesse caso, as operadoras de TV por assinatura provavelmente deverão
disponibilizar novas caixas conversoras para seus assinantes.

A TV digital terá
alguma proteção contra a gravação?

O debate não terminou. As emissoras de TV desejam
bloquear para o usuário a gravação de todo conteúdo transmitido em alta
definição (HD), o que incluiria filmes, novelas, jogos de futebol e
telejornais. O Idec é francamente contrário a esse cerceamento dos direitos
do consumidor (veja campanha de Restrições Tecnológicas e combate essa idéia juntamente
com outras instituições não-governamentais (Intervozes)
e da academia (Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV/RJ).

Como
a maior parte da programação que será transmitida agora é em definição
standard (SD), o problema não se colocou de forma mais aguda. Mas ainda
ressurgirá.

Fonte: http://www.idec.org.br/tv_digital.asp

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