Predestinação – Aula 13 – Revista Betel – complemento


Agostinho (Agostinianismo) desenvolveu a teologia da predestinação.

Descendente de cartagineses (Tagaste – Norte da África, atualmente Souk-Ahras na Argélia); Nasceu em 13 de novembro de 354 d.C.;  filho de Patrício (oficial romano e pagão até pouco antes da morte) e Mônica (cristã devota); formação em gramática e aritmética.

Converteu-se ao cristianismo, por influência de seu amigo Simpliciano e da própria mãe, após ouvir as palavras “Tolle, lege” (toma, lê), quando estava diante de um manuscrito do N.T. em Rom. 13.13,14.

Após a conversão vendeu todos seus bens, restando-lhe apenas uma casa que foi transformada em monastério. Agostinho tornou-se conhecido como autoridade teológica da igreja e um dos grandes pensadores da humanidade dentro e fora da igreja.

 

João Calvino (Calvinismo) defensor e propagador da predestinação.

Teólogo protestante francês, líder eclesiástico e denominacional. Nasceu na Picárdia e estudou filosofia em Paris, entre 1523 a 1527.  Recebeu o grau de mestre em Teologia em 1528, em seguida foi estudar Direito em Orleães e também se dedicou ao estudo das línguas grego, latim e hebraico e à literatura. Mudou para Basel na Suiça em 1536 e em 1541 foi morar em Genebra. Calvino era defensor da pena de morte para os hereges e participava de execuções capitais e banimentos com muito furor. Ele morreu em 17 de maio de 1564 repetindo as palavras do apostolo Paulo “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ….”, aqui parou porque nesse momento ele morreu.

Algumas idéias defendidas por Calvino

a)       A revelação bíblica é progressiva. O NT ultrapassa o AT;

b)       Deus é a causa absoluta e não-condicionada de todas as coisas. Deus revela sua mente através do homem a e natureza. O homem precisa de outras fontes inspirativas, além das escrituras, para compreender os desígnios de Deus;

c)       Deus ordena todas as coisas, porém respeita a liberdade de suas criaturas inteligentes;

d)       O homem foi criado puro e segundo a imagem divina, mas se corrompeu por causa do pecado. Porém, permanece nele uma parte da imagem de Deus, insuficiente para salvá-lo, se não houver arrependimento;

e)       Cristo é a ajuda necessária para o homem que queira se salvar, pois nele há graça suficiente;

f)        O homem depende de Deus quanto a uma dupla predestinação: para a salvação ou para a perdição;

g)       A graça de Deus renova a vontade do homem e a reação humana é inspirada pelo Espírito Santo. Isso recupera o homem para verdadeira liberdade;

h)       Todos os crentes são iguais diante de Deus. As hierarquias criadas pelos homens são prejudiciais à espiritualidade;

i)         As Escrituras, com exclusividade, são a nossa autoridade de fé e prática. Portanto, a teologia de Calvino é, acima de tudo, bíblica;

j)         Cristo pregou a condenação do homem no hades, contrariando o exposto em  I Pedro 4.6.

O lado negro de Calvino

Entre 1542 e 1546, em apenas quatro anos, embora Genebra tivesse apenas 20 mil habitantes, houve nada menos que 57 execuções capitais, 66 banimentos e um número incalculável de encarceramentos, tudo por motivos religiosos. Bastava a pessoa discordar de algum ponto ensinado por Calvino e já estaria sujeita as sanções. Calvino usava como base para suas correções o Antigo Testamento, contrariando o que está escrito em Lucas 9.54-56. Segundo o prof. Kurtz – historiador luterano, que reuniu três volumes sobre histórias eclesiástica, o período calvinista em Genebra foi “um reinado inquisitorial de terror”. Alguns exemplos de punição:

a)       Jacques Gruet foi decapitado;

b)       Jerônimo Bolsec foi encarcerado;

c)       Sebastião Castellio (diretor do sistema escolar) foi banido por ser contrário às execuções e por discordar de Calvino sobre a descida de Cristo ao hades;

d)       Serveto foi queimado na fogueira por discípulos de Calvino que deseja apenas decapitá-lo.

A partir do calvinismo em Genebra – Suiça, surgiu a ordem teocrática que deu origem aos presbiterianos da Escócia, os puritanos da nova Inglaterra, os huguenotes da França, a Igreja Reformada e os Batistas Particulares da Inglaterra.

Todas as variações do calvinismo enfatizam o aspecto da soberania de Deus. Porém, os antigos ou coerentes calvinistas chegaram às doutrinas calvinistas sob sua forma mais extremada, reduzindo o homem a um robô; e, para todos os efeitos práticos, fazem Deus ser a causa do mal, visto ser Ele a única causa, na teologia. Com isso também reduzem a missão de Cristo a apenas um grupo, os eleitos, muito aquém da visão neotestamentária explicitada em I Pd 3.18-4.6; Ef 1.10.

Eleição incondicional. Alguns calvinistas pensam que a eleição seria supralapsária, ou seja, o Decreto divino pela eleger antecedeu à queda no pecado. Outros crêem que o decreto divino resultou da queda, com o intuito de curá-la. Atualmente há vários pontos divergentes entre os calvinistas sobre o tema;

Expiação limitada aos eleitos. Nesse ponto os calvinistas também se divergem entre si, alguns ensinam que na teoria Cristo morreu por todos, mas na prática apenas os eleitos são beneficiados pela expiação. Outros acreditam que a reprovação é passiva e que Deus nada faz em favor dos não eleitos, deixando-os viverem em conformidade com seus pecados, ficando a cargo de cada pecador buscar o caminho da expiação;

A salvação segundo o livre arbítrio.

1.       A salvação é para o mundo inteiro. 1 João 2:2 “e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.

2.       A salvação é para os que crêem. 1 Timoteo 4.10 “Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.”

3.       Alguns podem abandonar a salvação no meio do caminho. 2 Pedro 2.1 “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”

4.       A presciência (saber sobre algo de antemão) de Deus não afeta as decisões do homem, nem o seu livre arbítrio. As ações de um homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são previstas ou conhecidas de antemão, por Deus. I Pedro 1.2 “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas.”

5.       A eleição divina se dá mediante Cristo, não significa que Deus escolheu alguns para serem salvos e outros para perdição. O mérito de sermos escolhidos não se baseia em nós mesmos, mas está fundamentado na escolha que fizemos em servir a Cristo. Efésios 1.4, 5 “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade,e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”

6.       A predestinação vista sob dois ângulos:

                                                                  1º.            O fatalismo é uma crença herética que atribui as ações e escolhas do homem ao “determinismo” de Deus, ou seja, Deus decide o que o homem será e fará;

                                                                  2º.            Mediante o planejamento predeterminado de Deus a salvação é oferecida a todas as pessoas e é possível a todos quantos buscam a Deus. João 1:12  “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.”

                                                                  3º.            É importante compreender que Deus chama o homem à salvação universalmente, pois deseja que: todos os homens sejam salvos; o convite é coletivo e não seletivo, conforme João 3.16, Isaias 55.1 e Mateus 11.28; a igreja deve proclamar o evangelho no mundo inteiro e persuadir os homens para que se convertam.

 

A salvação do homem se dá através de sua conversão a Cristo e permanência na fé. Veremos agora três aspectos importantes relacionados a salvação.

  1.                                          Justificação. O ato de Deus declarar justo o pecador que pela fé aceita a Jesus  como salvador – Romanos 5.1. Mediante a justificação recebemos a remissão dos pecados (Atos 13.38,39), alcançamos graça diante de Deus (Romanos 3.24) e a justiça de Cristo é creditada à nossa conta espiritual (Romanos 3.24-28, I Corintios 1.30).
  2.                                          Regeneração refere-se à renovação espiritual do indivíduo. Significa ser gerado novamente, receber nova vida, reconstruir, restaurar e reviver. O resultado da regeneração é o novo nascimento (João 3.3).
  3.                                          Santificação significa tornar-se santo, consagrado, separado do mundo para pertencer a Deus. O crente é santificado pela palavra de Deus (João 17.17), a palavra purifica (Efésios 5.26), corrige (I Pedro 1.22, Salmos 119.9) e penetra profundamente (Hebreus 4.12). O crente é santificado pelo sangue de Cristo (Hebreus 13.12), o sangue expiou todas as nossas culpas diante de Deus (Romanos 3.24,25) e também é a provisão da nossa santificação diária (Romanos 7.18; 8.7,13; I João 1.7). O crente é santificado pelo Espírito Santo (Romanos 1.4; 15.16), é através da unção do Espírito Santo que garantimos nossa vitória sobre a carne (Romanos 8.13; Gálatas 5.17-21).

2 Respostas para “Predestinação – Aula 13 – Revista Betel – complemento

  1. A predestinção é bíblica. Como um Deus(o meu Deus) tão inteligente que é não iria saber ,antes da fundação do mundo, quais seriam os seus eleitos?
    Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
    E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
    Efésios 1:4,5.
    A salvação é para poucos e os falsos profetas são muitos.

    Curtir

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s