A crise da mesmice


alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.” Eclesiastes 1.8-10 (RA)

Conceituando a palavra mesmice = falta de novidade; falta de iniciativa; conformismo; acomodação; vício; marasmo; situação inalterável;

MESMICE DA IGREJA CONTEMPORÂNEA

Secularização da Fé – O povo integra melhor seu cotidiano com sua fé quando está na base, mas quando se sobe na sociedade, os desacordos entre fé e vida social tornam-se mais marcantes. Exemplo: capitalismo desenfreado que afasta os cristãos da fé genuína.

Violência institucional e poderAinda que apenas simbólico, a centralização muito hierárquica provoca uma disfunção de comunicação entre o centro, o topo, e as bases, a periferia.

Silenciamento e censura (Pastores também são humanos) – “Às vezes se sofre pela Igreja, e às vezes se sofre também pelas mãos da Igreja”. As pessoas precisam de liberdade evangélica para interpretar e para criar.

Criatividade baixa – O que se vê com frequência é a imitação de modelos existentes, exemplos: campanhas, rituais, mensagens, etc. Poucas igrejas inovam e oferecem opções criativas que atraiam pessoas a Cristo. Alguns exemplos: rodeio evangélico; vale tudo na igreja; esporte; música; arte; etc.

Perspectiva da Igreja na sociedade contemporânea– As minorias criativas são aquelas que buscam ativamente o diálogo por transformações. Tradicionalistas nunca foram e nunca serão criativos, sejam minoria ou maioria. Ao invés de criatividade, alguns lideres estão mais para reprodutivos por clonagem e repetição sem novidade.

Tradição ou tradicionalismo – Definição de Charles Swindoll. “Tradição é a fé viva dos que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem”.

Espiritualidade exarcebada (irritante)– Para os Pentecostais, não falar em línguas estranhas é indício que a pessoa não tem o batismo com o Espírito Santo; para os tradicionais entende-se que o Espírito Santo já está na vida da pessoa no momento da conversão, não precisando das manifestações do carisma; Para os pseudo-pentecostais quem não “prospera”, tem pecado na vida ou precisa fazer correntes ou votos para ser liberto. Enfim, cada um tem uma definição.

Falsidade cristã – Julgamos e condenamos não pelo critério da Palavra, mas por critérios morais. Enquanto isso continuar, o cristianismo prosseguirá sendo perverso em seus caminhos, longe daquilo que o Evangelho nos indica ser o caminho certo a seguir.

Santidade ou ignorância? – Porque um músico cristão só pode tocar em igrejas, ao passo que um encanador cristão pode realizar consertos em lugares não cristãos? Se todos os artistas que se tornarem cristãos se envolverem somente com o evangelismo, de modo geral, eles estarão negando sua cultura e os benefícios de sua habilidade e sua capacidade criativa. STEVE TURNER

Cultura anti lazer/ Sedentarismo – Os cristãos adotaram essa postura e agem como se a coisa mais importante da vida fosse orar, ler a Bíblia e louvar. Agem como se comer, amar, brincar e trabalhar fossem nada mais que intrusos em nossa vida. A visão da Bíblia é que Deus nos criou para amar e orar, para comer e louvar, para brincar e evangelizar. Ele nos vê como pessoas completas e gosta de nos ver integrados nessas atividades. O resultado desse pensamento culposo é que os cristãos têm uma ideologia de oração e gerenciamento de igrejas, mas não de trabalho e lazer.

Comunicação ineficaz – A fidelização às escrituras é um fator importantíssimo, não pode ser negociado. Não podemos modernizar o conteúdo (homofobia é pecado, mas o pecador precisa ser amado). As verdades bíblicas são inegociáveis.

Evangelizar a geração atual requer clareza. Isto não vai acontecer naturalmente. As palavras mudam de sentido dependendo da região. O evangeliquês é um impedimento ao anúncio do evangelho. Os métodos precisam ser modificados para atender as diversas faixas etárias, locais, culturas, etc. Métodos diferentes, mas a mensagem é a mesma. Se o conteúdo (evangelho) é bom, a sua forma, o seu método precisa ser igual. Um conteúdo bom sem uma forma boa leva a um resultado insatisfatório.

Administração física e espiritualQuantas igrejas em que o Pastor faz tudo? Recolhe ofertas, dízimos, faz anúncios, louva, prega, evangeliza, visita, administra, etc?

A igreja vista em dois níveis: Nível de administração física; Nível de administração espiritual. O nível de Administração física cuida das coisas como uma empresa, o Pastor faz a função dele, que é cuidar das ovelhas e outras pessoas cuidam dessa área (zeladoria, som e imagem, publicidade, música, etc.). Infelizmente, nesse nível, se a maioria das igrejas fossem avaliadas por qualquer Órgão do Governo ou qualquer Gestor seria reprovada em todos os requisitos.

O Gestor substitui o Pastor – Líderes preocupados com indicadores de aceitabilidade, pesquisa de opinião, marketing pessoal, etc. Objetivo: Agradar ao povo e lotar os templos de pessoas, quando o correto seria agradar a Deus e encher as pessoas do Espirito Santo. A Chamada e vocação são dadas por Deus aos homens: Joao 3.27 “Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada.” (RA) “João respondeu: Ninguém pode ter alguma coisa se ela não for dada por Deus.” (NTLH)

Medo do novo (neofobia) – A perda de identidade pastoral faz com que muitos líderes tenham receio do novo. Isso nos impede de ir além dos limites mentais que estabelecemos. Impede que as pessoas olhem e entendam padrões diferentes daqueles com os quais estamos acostumados e, portanto, impede a descoberta de fatos novos. A neofobia é o medo do novo, do progresso, da novidade, sendo, a rigor, comportamento anti-evolutivo. A pessoa esforça-se, ao máximo, para garantir qualidade acima do normal a seus amigos/membros. Mas ainda assim, fracassa. A questão é: por quê? – Ec. 8:5 e 6 = “O coração do sábio conhece o tempo e o modo. Porque para todo propósito há tempo e modo”.

Religiosidade cansada – O culto deve ser divertido? Divertido significa “Alegre, engraçado, que gosta de rir”. Adorar a Deus pode ser agradável? Os israelitas experimentaram em 2 Crônicas 30.21-23. Eles estavam gostando tanto de celebrar a Festa dos Pães Asmos por sete dias que Ezequias e o povo espontaneamente decidiram manter a festa por mais sete dias. (por Bob Kauflin – Líder de adoração do Sovereign Grace Ministries) Esdras e os sacerdotes disseram ao povo para que não se entristecessem ou chorassem porque aquele dia era “consagrado ao Senhor”, e que a alegria do Senhor era a força deles (Ne 8.9,10).

Cantar ao Senhor deveria ser prazeroso, segundo Salmos 135.3; Sl 147.1. Davi dançou na presença do Senhor com toda sua força enquanto trazia a arca de volta a Jerusalém (2 Sm 6.12-15). O Salmista alegrou-se quando lhe disseram: “Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122.1). Então, sim, quando definido como prazer, e não visto como o único aspecto do culto, adorar a Deus pode ser muito “divertido”. As pessoas não deveriam achar nossas reuniões sombrias ou sem vida. Sorrisos e mesmo risadas deveriam fluir enquanto consideramos quão bom, misericordioso e gracioso Deus tem sido a nós (Sl 126.2).

Nossa diversão deveria ser um culto? Em 1 Co 10.31 afirma que quer comamos ou bebamos ou façamos qualquer coisa, façamos tudo para a glória de Deus. Ao invés de focar ou fazer a nossa adoração corporativa divertida, deveríamos dedicar mais tempo tendo certeza de que nossa “diversão” é adoração. Aqui estão algumas questões que podem nos levar nessa direção:

a. Eu escolho uma atividade divertida porque não há nada mais para fazer ou porque eu creio que de alguma forma ela levará ao crescimento do meu amor pelo Senhor?

b. Quando eu jogo algo, participo de esportes ou me dedico a um hobby, minha atitude demonstra o fruto do Espírito?

c. Quando eu saio com um grupo de amigos, estou apenas procurando divertir-me, ou glorificar a Deus através de encorajamento, luta contra o pecado e serviço a eles?

d. As atividades que eu considero “divertidas” aumentam minhas afeições pelo Senhor ou a diluem?

e. Eu enxergo meu tempo livre como pertencente a mim ou ao Senhor?

Como cristãos, podemos desfrutar de atividades divertidas sem acreditar que elas são as raízes de nossa alegria. A diversão, alegria, prazer e celebração que experimentamos quando adoramos a Deus é maior que o mundo poderá conhecer, porque a raiz dela é saber que somos completamente perdoados através do sacrifício substitutivo de Jesus Cristo. Nossa alegria está no próprio Deus. Seríamos tolos de procurá-la em outro lugar.

Existência ameaçada – Qual o futuro da igreja no Brasil? –

Os evangélicos entre 1940 e 2000 tiveram um crescimento médio superior aos 50% por década (gráfico 1). Seus números foram, respectivamente:

Década de 40 – 62%; Década de 50 – 76,7%; Década de 60 – 57%; Década de 70 – 63,2%; Década de 80 – 66,8%; Década de 90 – 101%;

Esses números se tornam mais significativos ainda se forem considerados os dados apresentados pela pesquisa FGV (dados de 2003) e o Datafolha (2007). Em dezembro de 2009 os evangélicos somaram 49,8 milhões no Brasil, 25,4% de um total de 196,5 milhões de brasileiros e brasileiras. A persistir essa curva de crescimento, em 2020 os evangélicos serão 100 milhões no país.

Baseado em dados estatísticos do SEPAL, estima-se que 50% da população brasileira poderá ser evangélica. Para a revista, a influência evangélica em 2020 contribuirá para a diminuição no consumo de álcool, o aumento da escolaridade e a diminuição no número lares desfeitos, já que a família é a prioridade para os evangélicos. *Fonte: Números do IBGE 1940-2000; FGV – 2003 e DataFolha – 2007

Uma das hipóteses para o crescimento dos evangélicos, segundo a matéria, e a flexibilização e a adaptação à sociedade.

Um perigo chamado islã – O Islamismo cresce mais que o cristianismo, principalmente pela reprodução, à medida que os países de maioria islâmica possuem grandes índices de natalidade (Samuel Huntington). Lideres islâmicos recentemente declararam pela imprensa mundial que, se não conseguir o domínio pela força, como tem sido tentado de diversas formas, o domínio ocorrerá pela maioria populacional, em poucas décadas. http://www.alertatotal.net/2010/06/o-crescimento-mundial-do-islamismo.html

Quando a criatividade contrapõem às Escrituras – As Igrejas pentecostais e neopentecostais expressam uma espiritualidade carregada de afetividade, sensações e emoção. Oferecem aos fiéis a satisfação de suas necessidades e solução de seus problemas: doenças, falta de dinheiro, crises conjugais e familiares, trabalho, etc.

Alguns analistas afirmam que a fórmula dessas Igrejas é baseada na teologia da retribuição, tipo “toma lá, dá cá.” Se você der a Deus ($$$, via Igreja), Deus retribuirá a confiança e fé do fiel com muitas graças e bem-aventuranças.

Também está incluso o conceito da teologia da prosperidade – a progressão financeira é sinal da bênção de Deus.

Para atender a demanda do atual mercado, também existem cursos para a formação de pastores em seis meses e por correspondência. Não que isso seja absolutamente necessário, a vocação independe da idade e do nível de escolaridade ou conhecimento teológico.

O QUE FAZER? COMO ALCANÇAR A GERAÇÃO ATUAL SEM COMPROMETER AS VERDADES BÍBLICAS?

Comunicar eficazmente as verdades bíblicas – O nosso maior desafio é tornar comum o que estamos transmitindo. “Tornar comum, ou seja, criar na mente do receptor uma idéia ou imagem similar àquela que está na mente do emissor”.

Comunicar é provocar mudanças nas pessoas. A arte da comunicação (corpo – 45%; tom da voz 20%; palavras 35%). Aquilo que comunicamos com o corpo, que demonstramos é, muitas vezes, superior àquilo que falamos;

Criatividade sem comprometer as verdades bíblicas – Se você fosse Jesus, onde estaria durante os jogos da Copa do Mundo? Como atrair crianças e jovens para Cristo? Porque os homens são minorias nas Igrejas?

“Que a graça e a paz estejam com vocês e aumentem cada vez mais, por meio do conhecimento que vocês têm de Deus e de Jesus, o nosso Senhor!”

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