Estudos Bíblicos Liderança Pastoral Sermões

IGREJA, A SEGUNDA CASA


Ouça o audio da mensagem: Igreja, a nossa segunda casa

A Igreja é o corpo de Cristo; ela completa Cristo, o qual completa todas as coisas em todos os lugares” – Efésio 1.23 (NTLH)

“Porque nós somos companheiros de trabalho no serviço de Deus, e vocês são o terreno no qual Deus faz o seu trabalho. Vocês são também o edifício de Deus – I Co 3.9 (NTLH)

Estava recordando da importância da igreja na formação do caráter do indivíduo. Eu cresci dentro da igreja e nela conheci muitos pais, mães e irmãos que me auxiliarem durante toda a infância, juventude e idade adulta. É difícil imagina alguém que se diz cristão viver sem fazer parte de uma igreja.

O apóstolo Paulo faz duas comparações interessantes sobre a igreja. A igreja é como um edifício, portanto habitável, e seu alicerce é Deus. A igreja é um corpo e Cristo sua cabeça. Na primeira comparação vejo a igreja como organização constituída por homens e mulheres que almejam ser restaurados por Deus; na segunda comparação a igreja é um organismo vivo constituído por homens e mulheres redimidos de todo o mundo que professam a fé cristã.

Nos últimos anos surgiram vários movimentos que pregam a descorporalização do cristianismo. Os adeptos desse conceito teológico ensinam que é possível obter espiritualidade sem religião, relacionamento sem regras e ter Deus sem a igreja. Observo na igreja atual 04 tipos de cristãos evangélicos, provavelmente iremos nos identificar com um desses tipos:

1.   O comprometido – freqüenta a igreja regularmente e está totalmente envolvido com ela;

2.   O insatisfeito – possui certo grau de comprometimento com a igreja, mas critica a igreja por considerar seu impacto limitado e seus fracassos corporativos;

3.   O indeciso – participa de uma igreja, mas se envolve pouco, é um insatisfeito passivo. Pessoas indecisas geralmente pensam na possibilidade de viver o cristianismo sem a igreja;

4.   O desconectado – cristãos ou ex-cristãos que saíram da igreja em busca de Deus, alguns afirmam que se sentem mais espirituais depois que deixou a igreja, mas no fundo sabem que estão distante de Deus.

Alguns argumentos dos desconectados para justificar sua ausência da igreja:

1.   Razão missiológica – afirmam que a igreja não funciona mais, sentem-se cansados dos fracassos e da impotência da igreja. Alegam que a igreja perdeu sua missão por ignorar problemas da sociedade, a igreja fechou os olhos para seu redor e não causa impacto no mundo;

2.   Razão pessoal – a igreja está repleta de pessoas de mente fechada, ultraconservadores hipócritas, misóginos, homófobos e julgadores. Afirmam que “o cristianismo tem problema de imagem” e que mais pessoas sairão das igrejas por vergonha e frustração.  Alguns líderes falam como se tivesse incorporado algum líder tibetano, outros são especializados em pregar para coral e falam com o ritmo de outro século. Os líderes são controladores, as pessoas são falsas e o ministério está ferido de morte. Para alguns, a coisa toda é um show enorme, repetitivo e ressecador de almas. Quem precisa disso?

3.   A razão histórica – a igreja como a conhecemos é, na melhor das hipóteses, um acidente histórico não bíblico e, na pior, uma capitulação do paganismo. A igreja atual é um resultado do desvio de seu estado puro, no século I, para a religião sincretista e superinstitucionalizada que hoje se passa por cristianismo. A história recente da igreja tem sido um fracasso vergonhoso, conclui a crítica.

4.   A razão teológica – para muitos igreja é simplesmente o coletivo de cristão, basta ter 2 ou mais pessoas juntas no mesmo lugar. Ser parte da igreja basta dizer que ama a Jesus e as pessoas

Não podemos negar que muitos desses argumentos possuem fundamentos, mas a igreja tem suas falhas justamente por ser constituída por pessoas que também são falhas. A então a igreja como organização não é perfeita, mas independente de tais argumentos ela é importante e necessária para todos os cristãos.

Diante do exposto, surgem alguns questionamentos para os cristãos de dentro da igreja acerca daqueles que estão se distanciando: O que estamos fazendo de errado? Será que estamos atrapalhando o evangelho? Qual o tamanho ideal para uma igreja?

Algumas perguntas para refletir:

1.   Acreditamos no evangelho? As pessoas não acreditarão no cristianismo se não sentirem que nós acreditamos nele. O pior é quando essa sensação de dúvida e descrença vem do púlpito. Os pregadores estão confusos em relação ao evangelho ou simplesmente são frios em relação a ele, “falam de um Cristo desconhecido e não sentido. A razão de as congregações estarem tão mortas é o fato de que homens mortos pregam para elas” (George Whitifield – 1740);

2.   Confiamos no poder do evangelho? Cremos que Deus vai edificar sua igreja por meio de sua Palavra ou confiamos em truques e artimanhas? O evangelho é “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” – Rm 1.16;

3.   Estamos proclamando o evangelho correto? Paulo condenou ao inferno qualquer um, incluindo ele mesmo, que adulterasse o conteúdo do evangelho (Gl 1.8). Conforme as igrejas modernizaram suas doutrinas e abraçaram valores temporais, entraram em declínio. Não podemos esperar que a igreja cresça ao mesmo tempo em que proclamam um evangelho falso.

4.   Estamos embelezando o evangelho com boas obras? As pessoas não ouvirão nossa mensagem, nem serão atraídas às igrejas, se virem cristãos hipócritas e igrejas que não se preocupam com os problemas do mundo. As nossas boas obras não são o evangelho, mas podem embelezá-lo e torna-lo mais atraente (Tt 2.10);

5.   Estamos orando pela obra do evangelho? Se de fato cremos na soberania de Deus, tendências e estatísticas desanimadoras nos levarão primeiramente a orar. Todo indício de desesperança é um lembrete para esperarmos em Deus e um incentivo à oração;

6.   Estamos educando nossos filhos no evangelho? De que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder seus filhos? Muitos pais não conseguem manter seus filhos na igreja, dizem que as crianças atrapalham e preferem deixa-los em casa aos cuidados de pessoas, às vezes, descrentes;

7.   Estamos confiando na soberania de Deus no evangelho? Deus faz que o surdo ouça e o cego veja. Ele derrete corações de pedra e endurece outros. Deus pode enviar-nos tempestades de bênçãos ou reavivamento, também pode usar-nos como os profetas para anunciar seus juízos e julgamento. O importante é fazer a nossa parte.

As pessoas estão apaixonadas pelos pobres, meio ambiente, dívida externa, globalização, etc. Contudo cansaram de ouvir sobre expiação, salvação, cruz e vida eterna, provavelmente também estão se cansando de ouvir falar da igreja. Sair da igreja significa deixar a única instituição cuja missão se volta para a eternidade e cujo evangelho é realmente boas novas.

A missão da igreja. Levar o reino de Cristo, sua paz, justiça e sua benção. O fracasso de muitas igrejas é a falta de propósito e missão. A igreja deve estar sensível aos não cristãos e trabalhar arduamente para trazer essas pessoas para nosso culto de adoração.

Como Transformar a comunidade e o mundo? Ao invés de criar grupos de oposição, não seria o caso de envolver-se com a comunidade e conhecer o campo em que está inserido e manifestar a graça de Deus às pessoas. Somos embaixadores do reino que dão testemunho da vida e obra de Jesus (II Co 5.20).

Será que temos muitas igrejas? O mundo continua em crise e as igrejas não oferecem a resposta. As drogas continuam formando dependentes; a desigualdade social é cada vez mais relevante; os crimes contra a criança e adolescente não diminuíram; a taxa de divórcio entre cristãos e não cristãos tem proporções semelhantes.

Quanto mais igrejas melhor para todos. O aumento na taxa de criminalidade não torna desnecessária a presença da polícia. Do mesmo modo, a falta de respostas para os problemas da humanidade não tornam a presença da igreja desnecessária. A existência de uma necessidade não satisfeita ou de uma tragédia crônica no mundo não serve como prova contra a existência da igreja.

Imagine um mundo sem igrejas. Qual seria o impacto em nossa cultura se milhares de fiéis continuassem vivendo como antes de conhecer a igreja.

O que torna a igreja singular é seu compromisso, acima de tudo, de conhecer e fazer conhecido Jesus Cristo. Devemos viver como Cristo, mostrar Cristo às pessoas e fazer diferença em nome de Jesus, mostrar as pessoas que o pecado as afastou de Deus e que precisam arrepender-se.

Somos chamados a servir, dar testemunho, proclamar, amar, fazer o bem a todos e embelezar o evangelho com boas obras. Recebemos o reino e somos levados ao reino. Testificamos sobre ele, oramos para que ele venha e, pela fé, ele nos pertence. Mas no Novo Testamento nunca somos aqueles que trazem o reino. Nós o recebemos, entramos nele e o recebemos como um presente. É a nossa herança.

A igreja é o canal que Deus usa para comunicar a cada indivíduo, à família, às cidades e nações a fé, a esperança, o amor e a vida que está em Jesus Cristo.

Faça parte de uma igreja.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: