Combatendo o preconceito


Combatendo o preconceito

A Bíblia é um livro de muita complexidade, se lido e analisado apenas historicamente, veremos muitas historias de preconceitos contra pessoas, animais, natureza, etc. Há quem diga que se a Bíblia fosse escrita hoje, no Brasil, o seu autor seria processado com base na Lei 7716/89 – Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. Dentre os crimes estão: passagens discriminatórias, relatos de ofensas à dignidade humana, a mulher é tratada como objeto menos valioso que um camelo, em algumas as patroas cediam suas escravas para relacionamento sexual com seus maridos.

O livro de Levítico 21.18-23 trata de questões que hoje são tidas como atos preconceituosos, ao proibir pessoas com deformidades de oferecer sacrifícios ao Senhor: cego, coxo, nariz pequeno – grande ou torcido, pé ou mão quebrado, corcunda, sarna pertinaz, herpes pelo corpo, hérnia, etc. Porém, a Bíblia deve ser lida e compreendida historicamente, culturalmente e espiritualmente.

Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um “juízo” preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente.

Observa-se então que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja, ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio.

As formas mais comuns de preconceito são: social, “racial” e “sexual”.

Preconceito Racial: Pessoas se julgam superiores a outras (características físicas hereditárias, determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais). Racismo não é uma teoria cientifica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde uma classe subjuga a outra.

Preconceito Sexual: conjunto de ações e idéias que privilegiam determinado gênero em detrimento de outro. Exemplos: os homens são namoradores; as mulheres são delicadas; androfobia (homens); machismo ou chauvinismo (mulheres); lugar de mulher é na cozinha; marido desempregado é vagabundo; é obrigação de o homem suster a família; mulheres devem ser responsáveis pela casa; a mães são responsáveis pela educação dos filhos; homens não choram; homem que apanha de mulher é frouxo; traição faz parte da natureza masculina e não feminina; as mulheres são mais inocentes; etc.

Preconceito Social: divisão da sociedade em classe dominante (detém o capital e os bens de capital) e a classe dominada (aquela que possui a força do trabalho). Os pobres são inferiores aos que possuem mais bens. Exemplo: Áreas urbanas transformada em condomínios fechadas na mesma região tornam as pessoas socialmente distantes.

Preconceito religioso: atitude mental caracterizada pela falta de habilidades ou vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas de terceiros. Tal atitude gera intolerância, que pode resultar em perseguições religiosas. Exemplo: fundamentalistas islâmicos atuais; cruzadas cristãs no passado; perseguição aos ‘hereges’; holocausto; etc. No Brasil existe uma Lei Federal que estabeleceu o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (Lei 11635, de 27/12/07), assinada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva.

O que diz a Bíblia sobre racismo, preconceito e discriminação?

1º. Só existe uma raça – a humana. Os brancos, africanos, asiáticos, indianos, árabes, judeus, etc, são todos provenientes do mesmo tronco (Adão e Eva). Todos foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27). O amor de Deus é o mesmo por qualquer pessoa (João 3.16). Jesus morreu por todos os humanos (I João 2.2), isso significa que todas as etnias estão incluídas no plano divino de salvação.

2º – Não existe favoritismo ou parcialidade para Deus, portanto, se nós nos julgamos ‘filhos de Deus’ também não podemos agir preconceituosamente (Dt 10.17; At 10.34; Rm 2.11; Ef 2.14).

Jesus nos ensina amar uns aos outros do mesmo modo que Ele nos ama (João 13.34). Amar as pessoas com imparcialidade com o mais alto padrão de amor que provem de Deus. Quando maltratamos alguém, estamos ferindo alguém que Deus ama e por quem Jesus morreu, estamos maltratando ou despreza a imagem de Deus na pessoa (Mt 25).

A Bíblia declara em Efésios 4.32 “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Se alguém não merece o seu perdão, significa que você não merece o perdão de Deus, pois não perdoar alguém que é a imagem de Deus é ofender o próprio Deus. Gálatas 3.28 afirma: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”

A mensagem de Jesus é simples, clara e objetiva: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso!” (Mt 5.43-46)

Como Jesus lidava com as pessoas? Ele tinha grande apreço pelas pessoas rejeitadas pela sociedade. A maioria dos milagres foi realizado na vida de pessoas que se sentiam marginalizadas, vivendo em condições desfavoráveis.

O leproso; a viúva que perdeu o único filho; o endemoniado que morava em sepulcros; a mãe que tinha uma filha possessa; zaqueu o publicano; a mulher adultera; o ladrão na cruz; uma multidão faminta que se alimenta de peixes e pães;

Jesus também foi vítima do preconceito: “Filipe achou Nathanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. Disse-lhe Nathanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê. Jesus viu Nathanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Disse-lhe Nathanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira. Nathanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel. Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás. E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.” (João 1:45-51).

Nazaré (hebraico natsrát, árabe: al-nassira) é uma cidade de Israel situada na região norte, nas montanhas da Galiléia. A população de Nazaré é principalmente árabe. De acordo com a tradição, esta é a cidade onde moravam Maria, José e Jesus. Hoje é um dos principais lugares de peregrinação em Israel.

Uma aldeia pequena e insignificante durante o período de Jesus. Enquanto o local foi colonizado durante o período 600-900 a.C., era muito pequeno para ser incluído na lista de assentamentos da tribo de Zebulon (Josué 19.10-16) que menciona doze cidades e seis aldeias.

Nazaré não é incluída entre as 45 cidades da Galiléia que foram mencionadas por Flávio Josefo, e o nome dela não consta entre as 63 cidades da Galiléia mencionadas no Talmud. Parece que as palavras de Nathanael de Cana, “Pode qualquer coisa boa sair de Nazaré”? (João 1:47) caracterizou o local como parecendo insignificante.

A maioria das pessoas da Judéia nunca tinha ouvido falar de Nazaré. Para explicar onde Nazaré ficava situada, os Galileus tinham que explicar que a aldeia era perto de Gat-Hyefer. Escavações arqueológicas conduzidas em Nazaré por Bagati desde 1955 mostram que ela era uma aldeia agrícola pequena, habitada por algumas dúzias de famílias. De fato, ninguém em sã consciência imaginaria quão grandes eventos aconteceriam a partir daquela minúscula aldeia.

A verdadeira grandeza de uma pessoa não deriva do lugar de onde ela vem.

Pessoas importantes nasceram em lugares insignificantes, porém, foram esforçadas, persistentes e tiveram fé, por isso alcançaram seus sonhos.

O preconceito rouba sonhos, desestimula as pessoas que se tornam inoperantes e aceitam o fracasso e a derrota. Tais pessoas fecham a mente e corações e vivem sem perspectivas de conquistar alguma coisa.

Nazaré era uma cidade sem importância alguma aos olhos dos homens. Sequer era contada como uma verdadeira cidade. Era considerada como uma aldeia, um ajuntamento de famílias pobres, sem importância alguma. Pessoas passavam pela estrada e sequer notavam Nazaré pelo caminho. No entanto, aquele lugar insignificante aos olhos dos homens foi escolhido por DEUS para abrigar o homem mais importante que este planeta inteiro já conheceu.

O preconceito pode nos afastar de pessoas historicamente importantes. Alguém próximo de você pode se tornar um grande líder no amanhã, não o despreze. Pode algo bom sair do seu bairro? Pode vir alguma coisa boa de sua igreja? Do seu trabalho? Da sua casa?

Pode vir alguma coisa boa de você? Você é uma benção. Responda aos que te questionar sobre esse tema: Vem e Vê!

As lições que Jesus recomendou acerca do preconceito:

  1. Quem é seguidor de Jesus, deve levar uma vida sem preconceitos, Lucas 10.25-37;
  2. Quem é seguidor de Jesus, não se julga melhor que os outros, Lucas 15:1-3;
  3. Quem é seguidor de Jesus ama, indistintamente a todas as pessoas (Eu lhes dou este novo mandamento: amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros) João 13.34.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s