Vontade de Deus ou vontade do Homem?


 Salmos 143.10

“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano” (RA)

“Tu és o meu Deus; ensina-me a fazer a tua vontade. Que o teu Espírito seja bom para mim e me guie por um caminho seguro!” (NTLH)

Quando entendemos a vontade de Deus, encontramos a paz, perdemos o medo e evitamos confusões. Conhecer a vontade de Deus é um princípio de sabedoria, realização espiritual e equilíbrio social. A vontade de Deus pode ser vista sob 3 aspectos:

I – Vontade intencional de Deus

Imagine uma pessoa muito doente que, após semanas de tratamento médico veio a falecer. Seu parente diz aceitar a morte como vontade de Deus, porém, gastou todos seus recursos e meios para tentar salvá-la da morte. E, se essa pessoa tivesse se recuperado, seria a vontade de Deus? Nesse caso a pessoa morreu e seu parente lutou e gastou recursos para mantê-la viva, mesmo sabendo que era vontade de Deus a sua morte? Como identificar a vontade de Deus numa situação como essa? Se a pessoa morreu, segundo a vontade de Deus, então não deveríamos simplesmente deixa-la morrer ao invés de lutar contra a vontade de Deus?

O que dizer do policial que morre em conflito armado com bandidos. É a vontade de Deus que ele morra?

O que dizer da pessoa que se tornou rica roubando e defraudando outras pessoas. É a vontade de Deus que essa pessoa fosse favorecida ilicitamente?

“Acho que foi a vontade de Deus, mas, se o médico tivesse chegado a tempo, teria salvado o meu parente”. Vê-se, pois, a confusão de pensamento. Se o médico houvesse chegado a tempo, teria sido capaz de mudar ou neutralizar a vontade de Deus?

O que você faria se alguém violentasse ou matasse um parente querido? Qual seria a sua reação? Aceitaria como vontade de Deus ou puniria o agressor?

Quando dissemos que tudo o que acontece no mundo é vontade de Deus, simplesmente estamos acusando Deus de matar criancinhas, roubas os pobres, cometer inúmeras atrocidades, etc…

Na verdade muitas coisas que acontecem no mundo não são e nunca será a vontade de Deus, mas resultado do pecado que contaminou a humanidade, da insensatez humana, etc… NEM TUDO QUE OCORRE NO MUNDO É VONTADE DE DEUS, MAS RESULTADOS DA AÇÃO HUMANA, POR TER SE AFASTADO DE DEUS. Mateus 18.14 “Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.”

Sobre a vontade intencional de Deus, pergunto: Teria sido a intenção de Deus, desde o início, que Cristo fosse para a cruz? NÃO. A maldade humana criou uma circunstancia em que a cruz tornou-se a vontade de Deus – Mt 26:39 “… Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.”

Do mesmo modo que o pai diz estar satisfeito com seu filho que foi para o exercito, quando na verdade ele gostaria que ele fosse um engenheiro. As circunstâncias impostas pela situação atual fazem com que o pai aceite a circunstância atual como sua vontade.

Nem tudo o que acontece é da vontade de Deus, mas nada do que acontece pode definitivamente derrotar a sua vontade. Assim, no que concerne à cruz, Deus atingiu seu objetivo irreversível não simplesmente a despeito da cruz, mas por meio dela. Deus operou grande redenção e concretizou sua vontade última em sentido pleno, como o teria feito se sua vontade intencional não houvesse sido temporariamente paralisada.

A vontade intencional de Deus representa o modo de Deus derramar-se em bondade, como ocorre com o pai amoroso em relação aos filhos.

A fome, miséria, doenças físicas, corrupção da alma, opressão econômica, guerras, etc… não são vontade intencional de Deus, mas resultado na degradação humana, desde o Édem.

Nós oramos a Deus dizendo “seja feito a tua vontade, na terra como nos céus”, mas na verdade caminhamos em outra direção quando nos afastamos da sua presença. “Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não o quiseste! Eis que a tua casa te ficará deserta” (Mt 23:37,38).

 

II – A Vontade Circunstancial de Deus

Quando perdemos uma pessoa amada, alegamos ser a “ vontade de Deus”, embora as medi­das tomadas para impedir essa morte dificilmente seriam consideradas contrárias à vontade de Deus. Se as mesmas providências, no entanto, tivessem alcançado sucesso, teríamos dado graças a Deus, certos de que, na recuperação do doente, a vontade de Deus se havia concretizado. De modo semelhante, quando a tristeza, a doença e a calamidade recaem sobre as pessoas, elas dizem resignadas: “Seja feita a vontade de Deus”. Dizem isto mesmo quando o ocorrido contraria essa vontade. A vontade de Deus manifesta-se de três maneiras:

  1. 1.   Vontade intencional — seu plano ideal.
  2. 2.   Vontade circunstancial — seu plano conforme as circunstâncias.
  3. 3.   Vontade soberana (última) — a realização final de seus propósitos.

No exemplo da cruz. Não era vontade intencional de Deus que Jesus fosse crucificado, se as pessoas o tivessem aceitado certamente o mundo seria diferente. A crucificação foi vontade dos homens, tomados pela perversidade, permitida pela vontade circunstancial de Deus. Todavia, quando Jesus encarou as circunstâncias provocadas pelo mal e se viu lançado no dilema de ter de fugir ou ser crucificado, então, dadas aquelas circunstâncias, a cruz tornou-se a von­tade do Pai. Foi por isso que Jesus disse: “Não seja como eu quero, e, sim, como tu queres”.

A vontade soberana de Deus se cumpre, mesmo que através da cruz, e os homens obtém o direito de voltar a comunhão com Deus, o criador.

Existem situações em nossas vidas, onde somos levados a vontade circunstancial de Deus. O emprego em que você está não é o que Deus preparou para você, mas através dele, Deus poderá manifestar-se soberanamente e conduzi-lo de volta a sua vontade. O meio é apenas circunstancial, o fim é o que interessa.

Na vontade circunstancial de Deus temos dois aspectos a ser considerados: a vontade no reino natural e no reino espiritual.

1º.                       A cruz fazia parte do processo natural, onde os pregos e a madeira eram reais e dolorosos, do mesmo modo que se um avião soltar uma bomba sobre uma cidade, ela irá destruir tanto os ímpios quanto os justos. As forças da natureza desempenham suas funções, não sendo revogadas quando empregadas pelas forças do mal.

2º.                       O segundo aspectos, o espiritual, mostra que Cristo não se submeteu simplesmente ao sofrimento na cruz, mas dominou a situação vencendo a morte e o inferno. Ele reagiu ao mal de modo positivo e criativo, de modo que a cruz representa não o mal, mas a triunfo de Cristo sobre a morte.  Ao executarmos a vontade circunstancial de Deus, abrimos o caminho para o triunfo através de Deus, sem que tenhamos prejuízos em nossos valores.

Você não pode permitir que um universo de problemas esmague a vontade intencional de Deus para tua vida, pois não existem circunstâncias permitidas por Deus capazes de derrotar de modo definitivo sua vontade soberana. “Assim como Jesus reagiu às circunstâncias transformando a coroa de espinhos em coroa de glória, e a cruz em trono, assim também posso controlar minhas circunstâncias e extrair delas algo capaz de trazer harmonia à minha própria natureza, que traga felicidade e bem-estar ao mundo e que ajude a expandir o reino de Deus”.

Não nos podemos deixar de impressionar profundamente com as respostas que Jesus dava às pessoas. Quando João Batista lhe fez uma pergunta, respondeu: “Deixa por enquanto”. Quando Pedro lhe fez uma pergunta, o Senhor respondeu: “O que eu faço não o sabes agora, compreendê-lo-ás depois”. E quando, na noite mais tenebrosa da história do mundo, anterior ao dia de sua morte, todos os discípulos lhe faziam perguntas, disse o Senhor: “Tenho muitas coisas a dizer-vos ainda, mas não as podeis suportar agora”.

Agora vemos obscuramente, como que num espelho, mas depois veremos face a face. Francamente, por difícil que seja dizê-lo, é falta de fé não ser capaz de suportar a ideia de algo que Deus tenha permitido.

“Sei que o que é certo é certo; que quem dá receberá mais; Que a coragem é melhor que o medo, e que a fé é mais verdadeira que a dúvida. Por mais que os inimigos lutem de modo acirrado, e por maior que seja o tempo em que os anjos ficarem ocultos, Sei que a Verdade e o Direito têm o Universo ao seu lado; Sei que, em algum lugar, além das estrelas, há um Amor mais forte do que o ódio; Quando cair a noite, eu o verei — e esperarei.”

 

A Vontade Soberana (Última) de Deus

Há uma frase no fim do livro de Jó que sintetiza a mensagem deste capítulo: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Moffatt traduziu esse texto assim: “Nada é demasiado difícil para ti”.

1º.   Falamos a respeito da vontade intencional de Deus — isto é, o plano original de Deus em prol do bem-estar de seus filhos, intenção que a insensatez e o pecado do homem prejudicaram.

2º.   Tratamos da vontade circunstancial de Deus, sua vontade de acordo com as circunstâncias originadas pela maldade humana.

3º.   Em terceiro lugar está a vontade última de Deus, do objetivo que, parece-me, ele alcança, não só apesar do que o homem possa fazer, mas até mesmo utilizando-se dessa maldade a fim de fazer cumprir seu plano.

Voltemo-nos para a cruz mais uma vez, o nosso supremo exemplo. Veremos que:

1º.   A vontade intencional de Deus não era que Jesus fosse crucificado, mas que fosse seguido;

2º.   A vontade circunstancial de Deus, dadas as circunstâncias geradas pela maldade humana, foi que Jesus aceitasse a morte; todavia, que a aceitasse de modo positivo e criativo, para que cheguemos à …;

3º.   Vontade soberana (última) de Deus — a saber, a redenção do homem. Este foi reconquistado para Deus, não apesar da cruz, mas através dela, tendo sido criada pelo pecado humano como instrumento para fazer cumprir a vontade última de Deus.

Imagine crianças brincando às margens de um pequeno riacho que desce montanha abaixo ao encontro do rio. As crianças podem represar um pouco da água do riacho, com o auxílio de pedras e terra, por um período, mas nenhuma delas pode impedir que as águas chegue ao rio. Diante de Deus somos como crianças que as vezes desviamos do seu plano, mas não somos capazes de detê-lo, mesmo quando erramos e cometemos pecados, somos levados ao rio de Deus e sua vontade se torna soberana em nossas vidas.

Alguém pode dizer que Deus é Onipotente e que não precisa de circunstâncias para que sua vontade se estabeleça. Porém, o propósito de Deus é ganhar a vontade humana, se Deus suprimisse a vontade humana para alcançar seus propósitos, ele estaria confessando sua fraqueza ao invés de seu poder (Deus não joga game conosco, não somos bonequinhos manipuláveis). Quando afirmamos que Deus é onipotente, não estamos dizendo que nada irá acontecer sem a sua vontade, mas que nada que aconteça, pode derrotar sua vontade modo definitivo.

Nada caminha com pés errantes; Nenhuma vida pode ser destruída, Nem jogada fora como lixo ao nada, Pois Deus importa-se com todos nós: guarda-nos para si. Aí está, pois! Tenho certeza de que você não vai ser defraudado. Quando chegar ao fim da estrada não terá nenhum sentimento de injustiça, nenhum sentimento de perda. Um jovem teólogo disse a sua mãe: — Deus está dando corda ao diabo nestes dias; sua mãe lhe respondeu: — Sim, mas continua segurando a outra ponta com firmeza.

 

IV – Como Discernir a Vontade de Deus?

Agora que conhecemos a vontade intencional, circunstancial e soberana de Deus, como discerni-la? Pense numa pessoa perdida numa floresta (não importa como se perdeu), ela pergunta: Para onde vou? Como saber se o caminho tomado é a vontade de Deus?

  1. Primeiro, caminhar mais pela fé do que pela vista;
  2. Ler as placas indicativas que encontrar pelo caminho, certamente a pessoa chegará ao lugar onde Deus deseja que esteja;

b.1 – Placa da consciência, sabedoria interna. Ela sempre nos diz se aquilo que fazemos está certo ou errado (o problema é que não gostamos de ouvir nossa consciência);

b.2 – Placa do Bom senso, ter um entendimento baseado no raciocínio é mais sensato do que o impulso, mas não merece mais confiança do que os desígnios de Deus. Às vezes a vontade de Deus é o oposto daquilo que o bom senso está determinando;

b.3 – Conselhos de um amigo com visão cristã, alguém capaz de enxergar os prós e os contras e agir com imparcialidade, por estar emocionalmente fora dos problemas, pode nos ajudar com dicas;

  1. Comunhão intrínseca com Deus, oração, leitura e meditação da Palavra.

 

V – Duas perguntas desafiadoras acerca da vontade de Deus

a)     Quero mesmo discernir a vontade de Deus, ou simplesmente quero que ele aprove a minha? Conta-se a história engraçada do pastor que fora convidado para pastorear uma igreja que pagava um salário quatro vezes maior que o que ele vinha recebendo. Sendo homem consagrado, passou muitas horas em oração a fim de discernir a vontade de Deus. Certo dia um amigo encontrou o filho desse pastor na rua e perguntou-lhe: Então, o que o seu pai está fazendo? Bem — disse o garoto — meu pai está orando, e minha mãe encaixotando as coisas.

Discernir a vontade de Deus significa colocar-nos fora do quadro — não vamos escolher um caminho, argumentando que é o caminho de Deus, só porque é desagradável (já tratei dessa falácia), nem ir ao outro extremo, dizendo: “Vou fazer tal e tal coisa. Por favor, aprove meu plano, Senhor, porque quero muito realizá-lo”, mas ser capaz de compreender a sua boa e perfeita vontade para nossas vidas: Rm 12.2b “para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

b)      A segunda pergunta desafiadora é a seguinte: Terei coragem de aceitar e fazer a vontade de Deus depois que a discernir? A Palavra de Deus no livro de Pro­vérbios: “Lembre de Deus em tudo o que fizer, e ele lhe mostrará o caminho certo”(Pv 3:6 NTLH).

 

Participar da vontade de Deus redunda em paz por três razões:

a)      Livramo-nos do medo de nos perder. Se o piloto de um avião manter-se no curso correto e desviar-se das turbulências sempre de olho do percurso, haverá segurança;

b)      Elimina-se o terror de ter de carregar a responsabilidade dos fatos. Esse peso da responsabilidade com frequência nos esmaga. Mas creio que a mensagem de Deus a nós inclui isto. É como se ele nos dissesse: “Enquanto você estiver tentando fazer minha vontade, aceitarei a responsabilidade por tudo que acontecer. Carregarei o fardo em seu lugar. Dirigirei sua vida, e as consequências serão minha responsabilidade, não sua” (Pv 3.6 NTLH)

c)      Por sua vontade nossos conflitos se resolvem. Como é fraco o homem que está constantemente pesando as suas decisões: “Devo fazer isto? ou Devo fazer aquilo?”.

Tais conflitos nos deixam exaustos e enfraquecidos. A jovem sente o conflito entre o dever para com sua mãe e o desejo de independência. Quando enfrentamos nossos conflitos e de modo deliberado tomamos nossas decisões, ao dirigir todos os nossos esforços a um propósito grandioso, cheios de confiança e sem medo algum, nossa alma se restaura, cheia de harmonia e força. —”Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11:29)

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