Moda evangélica segue avanço da religião e gera novo nicho


Os brasileiros adeptos da religião evangélica – ou cristãos protestantes pentecostais – formam um grupo que movimenta um mercado próprio de artigos religiosos e de produtos feitos sob medida para eles. Entre esses nichos está o da chamada “moda evangélica”, também conhecida pelos lojistas como “moda comportada”. O público-alvo são as mulheres, que buscam roupas decote fechado e saias e vestidos mais longos do que a média.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em 2000 o País tinha 26,2 milhões de evangélicos – para efeito de comparação, em 1991 esse número era de 12,6 milhões. A Expocristã, feira que acontece há dez anos e é o maior evento do setor, afirma que existem hoje no Brasil 55 milhões de protestantes e que a projeção é que eles cheguem a 109 milhões, em 2020.

O crescimento da população evangélica tem atraído os empreendedores. “A loja virtual Jeans Moda começou em 2010. seis meses, decidi apostar somente em moda evangélica. O faturamento aumentou 150%”, conta Mauricio Souza, proprietário da loja Multimarcas. Com o incremento vindo dos protestantes, ele abriu também um espaço físico em São Paulo.

Silva decidiu mudar de segmento por dois motivos: detectou o aumento da população evangélica e percebeu que o segmento de jeans já estava saturado.

Apesar de ter faturado R$ 60 bilhões em 2011 – de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) -, o setor têxtil como um todo não está no seu melhor momento. Um dos vilões é a importação de produtos, principalmente os oriundos da China. De janeiro a novembro do ano passado, as importações de vestuário aumentaram 40,6% na comparação com igual período de 2010. Por isso, lucra mais o empresário que aposta em nichos específicos.

O proprietário da Jeans Moda aponta a qualidade no acabamento como o diferencial das roupas feitas para as evangélicas. “Como elas não apelam para o corpo, querem uma roupa muito bonita, com boa modelagem e qualidade no acabamento”, afirma. A venda online da loja atende a pessoas de todo o País, mas o Norte e o Nordeste são os maiores compradores. “É simples. Os lojistas dessas regiões têm de vir até São Paulo para comprar suas mercadorias, o que acaba encarecendo o produto. Ao vender pela internet, não preciso repassar isso para o consumidor”, explica Silva.

Kauly muda linha a partir de análise da clientela
Há dez anos, a loja Kauly, que possui duas unidades no Brás, bairro paulistano caracterizado pelo comércio popular, resolveu apostar em moda evangélica. No início, em 1990, a loja vendia o que chama de “modinha” – roupas que seguem a tendência do momento. De acordo com o proprietário, Wilson Sanches, a mudança se deu devido a uma melhor análise do perfil dos clientes. “Percebemos que atendíamos a muitos evangélicos e decidimos fazer uma moda focada neles”, explica.

Sanches afirma que o trabalho da Kauly busca traduzir as tendências da moda para o público protestante. “Temos um estilista próprio. Adaptamos o que se vê nas ruas. Nossa preocupação é com o comprimento das saias e vestidos e com decotes”, diz. Com relação à classe social atendida, Sanches aponta que a clientela é formada, na maioria, por pessoas das classes B e C. “Apesar de o Brás ser visto como extremamente popular, existem as ruas mais elitizadas. O público com mais poder aquisitivo vem, sim, até aqui.”

O proprietário encara o setor de moda evangélica sem otimismo exagerado. “Não dá para descolar o nosso segmento do têxtil. Como qualquer empresa de ‘modinha’, também no evangélico há aqueles que vão bem e os que vão mal, que sentem mais a crise.”

Ele também comenta que o maior desafio desse nicho ainda é o seu tamanho. “Apesar de o número de evangélicos aumentar, não são todos que usam a moda evangélica. O segmento é reduzido e limitado”, opina.

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Especial para o Terra

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