Ser Pastor… Alguém se habilita?


eu_queroI Timoteo 3.1 – Este ensinamento é verdadeiro: se alguém quer muito ser bispo (líder) na Igreja, está desejando um trabalho excelente.

Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. RA

Que bela declaração! Ser bispo ou líder da igreja era realmente algo digno e merecido. Não podia ser qualquer pessoa, o líder era visto como autoridade espiritual da igreja e deveria cumprir uma extensa lista de obrigações para que fosse merecidamente reconhecido.

As prerrogativas exigidas para ser pastor eram muitas, vejamos algumas:

  1. Ser irrepreensível, uma conduta intangível, inquestionável e inatacável, I Tm 3.2; Tt 1.7;
  2. Ser respeitado pelas de fora da igreja, I Tm 3.7;
  3. Ser decoroso, não briguento, pacífico e calmo, I Tm 3.3;
  4. Ser sóbrio, não dado ao vinho, I Tm 3.3; Tt 1.8;
  5. Ser prudente, que não ame demasiadamente o dinheiro, I Tm 3.3;
  6. Viver em santidade, ser Justo, dedicado a Deus e disciplinado, Tt 1.8;
  7. Ser hospitaleiro, I Tm 3.2; Tt 1.8;
  8. Ser um bom governo em sua casa, I Tm 3.4;
  9. Ser um bom esposo, marido de uma só mulher, I Tm 3.2;
  10. Ser um bom educador, que saiba disciplinar corretamente seus filhos, I Tm 3.4;
  11. Ser um bom mestre, que saiba ensinar e que viva de acordo com os seus ensinamentos, I Tm 3.2; Tt 1.9;
  12. Ser experiente na fé, que tenha sido provado e aprovado como cristão, que não seja neófito, I Tm 3.6;

OS PASTORES APROVADOS DEVERIAM SER RECONHECIDOS E HONRADOS PELA IGREJA. Na mesma carta a Timóteo, Paulo fala sobre o reconhecimento que a igreja dar ao bispo que cumprir integralmente a sua função (I Tm 5.17): Os presbíteros que fazem um bom trabalho na igreja merecem pagamento em dobro, especialmente os que se esforçam na pregação do evangelho e no ensino cristão.

Ser líder naquela época não era algo tão vantajoso do ponto de vista natural e humano, mesmo assim muitos cristãos almejavam essa função por amor a causa de Cristo. ALÉM DAS PRERROGATIVAS PARA O PASTORADO, A PRINCIPAL ERA ESTAR DISPOSTO A MORRER PELA CAUSA DE CRISTO.

O exemplo de Paulo, Pedro e outros mártires. O apostolo Paulo pagou alto preço por se tornar líder da igreja, nós não sabemos com exatidão como ele morreu. Alguns historiadores afirmam que ele foi decapitado, uma morte considerada digno por ser cidadão romano, enquanto Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Outros líderes da igreja tiveram o mesmo fim, eles morreram por causa de Cristo, não negaram a sua fé e cumpriram o seu ministério.

A PERSEGUIÇÃO E A MORTE NÃO ERAM OS ÚNICOS INIMIGOS DA IGREJA. Os falsos mestres se introduziram nela causando preocupações à Paulo. Ele temia pelo futuro da igreja depois da sua morte, Atos 20.29 – Pois eu sei que, depois que eu for, aparecerão lobos ferozes no meio de vocês e eles não terão pena do rebanho.

Mesmo diante das adversidades Paulo afirma para Timóteo que ser bispo/líder da igreja é um trabalho excelente“O escolhido viveria sob perseguição, caçado como um cão, sujeito a morte cruel, ignorado e rejeitado por seus concidadãos e familiares, sem direito a qualquer tipo de indenização nessa vida, vivendo sob um regime rígido de ética, moral e espiritualidade”. ALGUEM SE HABILITA?

Eu penso que nas reuniões cristãs era comum perguntarem: Alguém se habilita? Em tempos de perseguição somente aqueles que tinham convicção e poder do Espírito Santo eram capazes de assumir essa posição.

O ESPÍRITO SANTO CONTINUA CLAMANDO ÀS IGREJAS EM TODOS OS TEMPOS. ALGUEM SE HABILITA?

Os anos passaram e ainda hoje o convite continua ecoando aos ouvidos de milhares de cristãos ao redor do mundo. Alguém deseja ser bispo ou líder da igreja?

A grande preocupação de Paulo e dos pais da igreja era exatamente com o perigo que a igreja sofreria quando cessasse a perseguição. Em algumas Nações ser líder da igreja representa enfrentar os mesmos perigos da época de Paulo. Mas, em outros lugares a motivação para ser líder na igreja é outra e está condicionada ao poder, riquezas e fama. Vejamos as recomendações bíblicas:

  • Romanos 16.17-18: Meus irmãos, peço que tomem cuidado com as pessoas que provocam divisões, que atrapalham os outros na fé e que vão contra o ensinamento que vocês receberam. Afastem-se dessas pessoas. 18 porque os que fazem essas coisas não estão servindo a Cristo, o nosso Senhor, mas a si mesmos. Por meio de conversa macia e com bajulação, eles enganam o coração das pessoas simples.
  • II Pedro 2.1-3: No passado apareceram falsos profetas no meio do povo, e assim também vão aparecer falsos mestres entre vocês. Eles ensinarão doutrinas destruidoras e falsas e rejeitarão o Mestre que os salvou. E isso fará com que caia sobre eles uma rápida destruição. 2 Mesmo assim, muita gente vai imitar a vida imoral deles, e por causa desses falsos mestres muitas pessoas vão falar mal do Caminho da verdade. 3        Em sua ambição pelo dinheiro, esses falsos mestres vão explorar vocês, contando histórias inventadas. Mas faz muito tempo que o Juiz está alerta, e o Destruidor deles está bem acordado.
  • Filipenses 3.18,19 – Já disse isto muitas vezes e agora repito, chorando: existem muitos que, pela sua maneira de viver, se tornam inimigos da mensagem da morte de Cristo na cruz. 19 Eles vão para a destruição no inferno porque o deus deles são os desejos do corpo. Eles têm orgulho daquilo que devia ser uma vergonha para eles e pensam somente nas coisas que são deste mundo.

Jesus também alertou sobre esses tempos, Mateus 24.11,12: Então muitos falsos profetas aparecerão e enganarão muita gente. 12 A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará.

Uma coisa é certa, embora alguns atribuam do Evangelho para a sua auto promoção e deturpam as verdades bíblicas, a Palavra de Deus continua a mesma, I Pedro 1.25 – “mas a palavra do Senhor dura para sempre. Esta é a palavra que o evangelho trouxe para vocês.”

A mensagem continua sendo a mesma, válida para o nosso tempo – se alguém quer muito ser bispo (líder) na Igreja, está desejando um trabalho excelente.

OS DESAFIOS PARA AQUELES QUE ALMEJAM O MINISTÉRIO PASTORAL SÃO INÚMEROS, cito apenas alguns que julgo ser mais comuns:

  1. Encontrar um ponto de equilíbrio entre o dever nos cuidados com a família e a igreja;
  2. Lutar contra o desânimo quando os resultados não são satisfatórios;
  3. Luta contra a depressão causada pelo stress ministerial, geralmente o pastor ouve a todos e quase ninguém ouve o pastor;
  4. Vencer a negatividade referente a sobrecarga de trabalho sem remuneração;
  5. Motivar os filhos para que exerçam o ministério. Geralmente os filhos de pastores querem exercer outro ofício, muitos se desviam quando chegam na juventude;
  6. Ser um pai, irmão, amigo e conselheiro para todos indistintamente;
  7. Estar disposto a servir aos outros, ao invés de ser servido;
  8. Sorrir com os que se alegram (aparentemente isso não é difícil) e chorar com os que choram;
  9. Ser além de um pregador de púlpito e apascentar as pessoas individualmente cada uma com suas peculiaridades;
  10. Ter sabedoria para aconselhar as pessoas concernente as questões pessoais. As pessoas costumam ouvir a opinião do pastor sobre questões particulares;
  11. Ter forças para levar a sua carga e ajudar aos outros levarem as suas;
  12. Mostrar-se forte quando está abatido, não desanimar jamais no exercício ministerial.

NÃO SE ESQUEÇA. LEMBRE-SE: O líder sempre será o mais perseguido. Só os vencedores poderão declarar como Paulo em I Timóteo 4.7,8: Fiz o melhor que pude na corrida, cheguei até o fim, conservei a fé. 8 E agora está me esperando o prêmio da vitória, que é dado para quem vive uma vida correta, o prêmio que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que esperam, com amor, a sua vinda.

Eu li um texto, não sei dizer quem é o autor, mas que retrata a vida de um pastor, bispo ou líder de igreja. Talvez você se veja nele:

Ser Pastor!!! Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista. Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.

Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua.

Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo. Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que se gradua na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital.

Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando. Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.

Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a nos perseguirem, a nos esfaquear pelas costas, a nos criticar, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós.

É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.

Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa.

Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.

Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo.

Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.

Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade. Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs.

Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando n’Aquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.

Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis. Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço.

Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é “repartível”.

Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão.

Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um “assim diz o Senhor”, uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.

Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal.

Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.

Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobreza e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põe fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre.

Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente. Ser pastor é crer quando todos descreem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus. Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel.

Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus. Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se.

As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.

Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos.

Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história.

Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos.

Ser pastor é saber viver. Ser pastor é saber morrer. E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: “combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé”.

Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações.

Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor.

Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.

ALGUÉM SE HABILITA?

 

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