Jesus e o discipulado


Marcos 16.14-20

A missão de Jesus foi vir ao mundo para dar liberdade àqueles que estão escravos do pecado e vivem sob o domínio da dor, opressão e morte. Ele declarou em João 10.10b Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” (vida completa).

No Seu ministério terreno, Jesus congregou homens e mulheres que acreditaram em Suas promessas e aceitaram viver os desafios do Reino de Deus.

Em todos os dias do Seu ministério terreno, Jesus deu exemplo do que os seus seguidores deviam ser e fazer, mesmo depois de Sua partida. Jesus formou pessoalmente a primeira geração de discípulos que haveriam de levar o Reino de Deus aos corações de outras pessoas no mundo.

Sua ordem para os discípulos era fazer o mesmo que Ele e ir ao mundo inteiro e formar novas gerações de discípulos (Mc 16.15; Mt 28.19,20), criando uma comunidade dos que seguem a Jesus, a saber, a igreja.

Há quem diga que o capítulo 6 (NTLH) de Marcos registra o divisor de águas no ministério de Jesus. Quando Ele chega a Nazaré, as pessoas o trataram com indiferença porque conhecia sua família, verso 4,5: Mas Jesus disse: – Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa. 5 Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles.

 A solução foi enviar os discípulos “Ele chamou os doze discípulos e os enviou dois a dois, dando-lhes autoridade para expulsar espíritos maus.” (Mc 6.7)

Os versos 31 e 32 afirmam: “Havia ali tanta gente, chegando e saindo, que Jesus e os apóstolos não tinham tempo nem para comer. Então ele lhes disse: – Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco. 32 Então foram sozinhos de barco para um lugar deserto.” O objetivo de Jesus, provavelmente, seria ter um momento a sós com os discípulos para instrui-los acerca de Sua vontade.

Duas coisas que aprendemos nessa passagem:

  • Os trabalhos com pequenos grupos são mais eficazes;
  • O método da imitação facilita o aprendizado.

Embora Jesus tenha se dedicado à preparação de um pequeno grupo de seguidores, Ele nunca negligenciou as multidões, porém, entendemos que para formação de discípulos Jesus reconheceu como mais eficaz trabalhar com um número menor de pessoas, que pudessem ser acompanhas e ministradas mais de perto.

Quais os métodos de Jesus na formação de discípulos e suas características:

  • Seleção (Escolha)Jesus selecionou um grupo para transformá-lo em discípulos – Lucas 6.13 “E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos” – João 15.16 “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda”;
  • Treinamento (capacitação) Jesus ensina e capacita o grupo para ser um grupo que pensa, discerne, sirva, ame e atue à frente do ministério de anunciar o Reino – João 11.54 “De sorte que Jesus já não andava publicamente entre os judeus, mas retirou-se para uma região vizinha ao deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os discípulos.” – Lucas 8.10ª “Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus;
  • Presença Jesus assume e fica com o grupo. Jesus é parte do grupo – Mateus 28.20b “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” – João 15.12 “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”
  • Consagração (Entrega total) – Jesus exige uma opção dos discípulos pelo Reino e, por conseguinte, obediência à sua orientação Mateus 11.29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim” – Mateus 16.24 “E Jesus disse aos discípulos: – Se alguém quer ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe”;
  • Compartilhamento Jesus reparte sua palavra, seu ministério, sua autoridade e até mesmo sua própria vida e o seu poder – João 15: 15 “Eu não chamo mais vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que o seu patrão faz; mas chamo vocês de amigos, pois tenho dito a vocês tudo o que ouvi do meu Pai.” – João 20.22 “Depois soprou sobre eles e disse: – Recebam o Espírito Santo”;
  • Demonstrando através de exemplos: Jesus ensina aos discípulos não apenas com palavras, mas com sua própria vida. Jesus lhes ensina o que fazer e como viver – João 13.15, 34 “Pois eu dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz; Eu lhes dou este novo mandamento: amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros.” – João 14.21 “A pessoa que aceita e obedece aos meus mandamentos prova que me ama. E a pessoa que me ama será amada pelo meu Pai, e eu também a amarei e lhe mostrarei quem sou;
  • Delegação de Tarefas Jesus queria que os discípulos aprendessem com Ele e pudessem executar tarefas por ele delegadas – Mateus 4.19 “Jesus lhes disse:– Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente”;
  • Acompanhamento, supervisão e avaliação
    • Jesus acompanha os discípulos em seu aprendizado e experiências – Marcos 6.30 “Os apóstolos voltaram e contaram a Jesus tudo o que tinham feito e ensinado.” (Lc 9:10).
    • Jesus supervisiona e tem o controle das tarefas. Os discípulos demonstram preocupação porque tinham apenas 1 pão no barco e esqueceram dos milagres anteriores de Jesus – Marcos 8.17 “Jesus ouviu o que eles estavam dizendo e perguntou: – Por que vocês estão discutindo por não terem pão? Vocês não sabem e não entendem o que eu disse? Por que são tão duros para entender as coisas?”;
    • Jesus continuamente revisa o que ensinou e dá demonstrações contínuas do que ensina – Mateus 17.19-20 “Depois os discípulos chegaram perto de Jesus, em particular, e perguntaram: – Por que foi que nós não pudemos expulsar aquele demônio? Jesus respondeu: – Foi porque vocês não têm bastante fé.” (Mc 9:17-29; Lc 9:37-43);
  • Multiplicação Jesus ensina os discípulos a crescerem sempre e a serem discípulos que formam outros discípulos – João 15.8 “E a natureza gloriosa do meu Pai se revela quando vocês produzem muitos frutos e assim mostram que são meus discípulos” (Jo 15:16; Mt 28:18-20).

Na formação dos discípulos, Jesus utiliza do método da imitação: Mateus 11.29 “Sejam meus seguidores e aprendam comigo”. Ele estava ensinando-lhes como viver, agir, ser um discípulo verdadeiro, ter a mesma fé e confiança que Ele teve no Pai, a mesma consagração, a mesma solidariedade, a mesma vida de oração e de autoridade no mundo espiritual, a mesma fidelidade, a mesma lucidez, a mesma resistência ao pecado e ao diabo, a mesma paixão por Deus e pelas pessoas, etc.

Jesus deve ser o padrão, modelo e alvo para todos nós.

A pergunta que todos nós devemos fazer sempre: “O que faria Jesus em meus passos?” – Não significa ser Jesus, mas como Jesus. Ter a mente de Cristo significa ter sua vida como modelo e orientação para nossa vida.

O centro da pregação e da vida de Jesus é o Reino de Deus. O fundamento desse Reino não é uma instituição ou organização humana e social, mas sim a livre adesão dos homens e mulheres para o seguimento e imitação de Jesus.

A Igreja de Jesus é mais que ser membro ou frequentador de uma organização religiosa, contribuir com os dízimos e ofertas e ser uma pessoa honesta.

A Igreja de Jesus é uma comunidade constituída por homens e mulheres que renderam suas vidas a Cristo e o aceitaram como Senhor e Salvador, que trabalham pela formação de novos discípulos que levem adiante a mensagem das boas novas. Desse modo o Reino de Deus vai sendo sinalizado, implantado, construído.

A DIFERENÇA ENTRE MEMBRO DA IGREJA E DISCÍPULOS DE JESUS. Parece o mesmo, mas infelizmente não é! Há diferença entre um membro da Igreja e um discípulo de Jesus!

  1. O membro espera pães e peixes, o discípulo é pescador.
  2. O membro luta por crescer, o discípulo se reproduz.
  3. O membro vale porque soma, o discípulo vale porque multiplica.
  4. O membro acha que o sermão deveria ser mais evangelístico, o discípulo prega o Evangelho do Senhor Jesus Cristo.
  5. O membro gosta de afago, o discípulo do serviço e do sacrifício pela causa de Cristo.
  6. O membro se ganha, o discípulo se faz.
  7. O membro entrega parte de seus desejos, o discípulo entrega toda sua vida.
  8. O membro é contribuinte, o discípulo é dizimista e ofertante.
  9. O membro espera que lhe apontem a tarefa, o discípulo toma a responsabilidade para si.
  10. O membro quase sempre murmura e reclama, o discípulo é obediente e nega-se a si mesmo.
  11. O membro reclama para que o visite, o discípulo visita.
  12. O membro vê o problema, o discípulo ora pelo problema e busca ser parte da solução.
  13. O membro sonha com a Igreja ideal, o discípulo se entrega para fazer a Igreja real.
  14. O membro diz: “Que bonito!”, o discípulo diz: “Eis-me aqui, Senhor!”
  15. O membro deseja ter luz para enxergar o caminho, o discípulo é a luz do mundo.
  16. O membro deseja uma igreja vibrante, o discípulo é parte e promotor dela.
  17. O membro da Igreja sabe que Deus está nele, o discípulo sabe que Deus está nele para o outro.
  18. O membro é um soldado de defesa, o discípulo é um invasor da defesa inimiga.
  19. O membro é condicionado pelas circunstâncias, o discípulo as aproveita para exercer a fé.
  20. O membro solicita orações por suas necessidades, o discípulo tem uma vida de oração.
  21. O membro deseja um culto mais envolvente, o discípulo adora a Jesus Cristo como Senhor.
  22. O membro entende que a Igreja é a casa do Pai, o discípulo faz de sua casa um santuário de Deus e de sua vida um altar de adoração.
  23. O membro está envolvido na “política eclesiástica”, o membro está envolvido com a Palavra de Deus.
  24. O membro da Igreja é valioso, o discípulo de Jesus é indispensável.
  25. O membro nem sempre é discípulo, mas o discípulo sempre é membro da Igreja.

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