Soldados a serviço do Reino de Deus


Nos tempos do Novo Testamento, no início da era cristã, os apóstolos e pais da igreja utilizavam exemplos práticos de pessoas, lugares, objetos e fatos cotidianos da vida real para ajudar os seus ouvintes e leitores a entender e visualizar verdades e conceitos espirituais. Alguns exemplos do NT são:

  1. Agricultura, Mateus 13.18-32 – a parábola do semeador;
  2. Pesca, Mateus 4.18-20 – o chamado de Pedro e André para se tornarem pescadores de homens; 13.47-50 – a rede lançada ao mar que apanha peixes de todas as espécies;
  3. Corrida, Hebreus 12.1-2 – a vida cristã é como uma corrida; etc.

 soldado romano2No texto que iremos meditar temos a figura do soldado (Ef 6.13-17) revelando que o cristão é como um soldado revestido da armadura divina. Com base nesse texto podemos observar quatro tipos de soldados no corpo de Cristo:

  • – Aquele que não sabe nada sobre a armadura divina. Vive sempre em batalhas, às vezes sobrevive e em outras é derrotado; tal pessoa tem o desejo de servir a Cristo, mas possui uma mente derrotada e insegura sobre como vencer uma batalha;
  • – O segundo grupo conhece a armadura divina, mas se recusa a usá-la. Tais pessoas acreditam que o conselho apostólico foi válido somente para aqueles dias e não se aplica a nossa época; elas consideram perca de tempo se preocupar com guerras espirituais;
  • – Esse grupo é representado por aqueles que escolhem usar partes da armadura, consequentemente desfrutam de algumas vitórias espirituais quando decidem orar e lutar. Eles permanecem por um longo período na igreja e depois desaparecem, pois foram feridos pelos inimigos por não estarem totalmente protegidos;
  • – O quarto grupo são aqueles que vestem a armadura de Deus e realmente sabem o que ela representa e como usá-la. Essas pessoas enfrentam batalhas como as demais, apesar das batalhas, elas continuam avançando, sobrevivendo e prosperando, mesmo diante dos grandes conflitos.

Quando Paulo escreveu a sua carta a igreja em Éfeso, ele estava encarcerado na prisão. A sua carta foi para alertar os crentes em Éfeso sobre a verdadeira batalha que deveriam travar. A batalha não seria política, no combate a idolatria e aos prostíbulos, na conquista econômica, mas contra os principados que governam o mundo espiritual.

I – “Portanto, estejam preparados. Usem a verdade como cinturão” (Ef 6.14) – o cinto era útil para segurar a espada, um pequeno escudo, faca de combate, para exibir prêmios e medalhas conquistados em batalha. A verdade representada pelo cinto é o fundamento da fé e esperança, sem ela o crente poderá sucumbir diante das adversidades.

II – “Vistam-se com a couraça da justiça” (Ef 6.14) – dsórax (gr), significa ‘protetor do coração’. Essa parte da armadura foi projetada para proteger os órgãos vitais do corpo, principalmente na região do peito. A justiça de Deus representada pela couraça protege o nosso coração de toda mentira e engano que o diabo lance contra o nosso coração.

 

III – “E calcem, como sapatos, a prontidão para anunciar a boa notícia de paz.” (Ef 6.15) – Os sapatos eram tiras de couro enrolado dos pés aos joelhos que davam seguridade aos soldados romanos para marcharem em média 40km por dia, sem deixá-los desenvolver bolhas ou fungos. Os sapatos também davam mobilidade aos soldados em guerra tanto nas colinas como em pisos escorregadios ou cavados, sem escorregarem. Quando estamos calçados com os sapatos do Evangelho da Paz somos capazes de enfrentar os adversários em qualquer terreno sem sofrer queda espiritual.

 

IV – “E levem sempre a fé como escudo, para poderem se proteger de todos os dardos de fogo do Maligno.” (Ef 6.16) – Haviam dois tipos de escudos usados pelos romanos:

  • O primeiro era redondo e pequeno, chamado aspis, usado em exibições, em desfiles de vitória e preso ao cinto, usado em combates curtos no corpo a corpo;
  • O segundo, chamado scutum, de tamanho maior, era usado tanto em batalhas como no corpo a corpo. Os escudos maiores poderiam ser usados em conjunto com outros soldados para formar muros de proteção em batalha, para cobrir a cabeça de soldados contra ataques aéreos e pedradas. O scutum representa o esforço coletivo para garantir o sucesso nas batalhas.

Algumas batalhas espirituais para serem vencidas dependem do esforço coletivo e proteção conjunta através do escudo da fé. Um cristão lutando sozinho fica vulnerável em algumas situações, a força do coletivo garante o sucesso na batalha.

Devemos estar unidos em nossa fé, a divisão causada pelos costumes, placas denominacionais, métodos religiosos e pontos de vistas divergentes conduz a igreja ao fracasso diante dos enfrentamentos diários. As vezes tenho a impressão que a oração de Jesus em João 17.11,21 sobre a unidade dos seus discípulos será algo difícil de acontecer nesses dias enquanto estivermos lutando sozinhos, cada um por si.

Através da Bíblia entendo que há pelo menos cinco níveis de fé, que podemos comparar com cinco tamanhos diferentes de escudos. Vejamos:

  • Os que não tem fé, Mc 4.40 – Aí ele perguntou: – Por que é que vocês são assim tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?
  • Os que tem pouca fé, Mt 8.26 – Por que é que vocês são assim tão medrosos? – respondeu Jesus. – Como é pequena a fé que vocês têm! Ele se levantou, falou duro com o vento e com as ondas, e tudo ficou calmo.
  • Os que tem uma fé mediana, Rm 4.19 – Abraão tinha quase cem anos. Mas, mesmo quando ele pensou a respeito do seu corpo, que já estava como morto, ou quando lembrou que Sara não podia ter filhos, a sua fé não enfraqueceu.
  • Os que tem uma fé firme, Rm 4.20 – Abraão não perdeu a fé, nem duvidou da promessa de Deus. A sua fé o encheu de poder, e ele louvou a Deus.
  • Os que possuem uma grande fé, Mt 8.10 – Quando Jesus ouviu isso, ficou muito admirado e disse aos que o seguiam: – Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nunca vi tanta fé, nem mesmo entre o povo de Israel!

Qual o significado de ter fé? Algumas pessoas costumam confundir fé com emoção, embora as duas coisas sejam muito diferentes. Um culto animado não é sinônimo da presença de Deus, tampouco um crente que se diz animado é prova de alguém com uma fé poderosa. A fé cristã poderosa é aquela que nos torna capazes de suportar qualquer situação ou enfrentamento por amor à Cristo.

V – “E levem sempre a fé como escudo, para poderem se proteger de todos os dardos de fogo do Maligno.” (Ef 6.16) – na época romana, havia três tipos de flechas que poderiam ser usadas nas batalhas.

  • A primeira e mais comum tinha uma ponta de metal afiado;
  • A segunda tinha uma ponta de metal mergulhado em alcatrão, quando atirada pegava fogo ao atingir estruturas de madeiras. Era usada para distrair a atenção do adversário;
  • A terceira também continha substancia combustível e era lançada diretamente contra o inimigo com o propósito de atear fogo no alvo. Essa flecha tinha ponta de ferro e quando atingia o alvo sempre causava destruição e morte.

Os dardos inflamados no maligno são como essas flechas lançadas em sua mente, ateando fogo em seus pensamentos ou palavras que queimam em sua consciência causando opressão e depressão espiritual. Muitos cristãos perderam a comunhão com o Espirito de Deus porque suas mentes foram incineradas pelo fogo dos dardos inflamáveis do maligno. Exemplos de ataques mentais:

  • O medo, II Tm 1.7a – Pois o Espírito que Deus nos deu não nos torna medrosos; 
  • A carne, I Jo 2.16 – Nada que é deste mundo vem do Pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo.
  • Raiva súbita (ira), Mt 5.22 – Mas eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Quem disser ao seu irmão: “Você não vale nada” será julgado pelo tribunal. E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno.
  • Opressão mental, At 10.38b – Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os que eram dominados pelo Diabo, porque Deus estava com ele.
  • Peso na consciência, auto condenação, I Jo 3.20 – Pois, se o nosso coração nos condena, sabemos que Deus é maior do que o nosso coração e conhece tudo.

VI – “Recebam a salvação como capacete” (Ef 6.17a) – o capacete tinha a insígnia do seu exército e protegia a cabeça, pescoço e o rosto do soldado. Quando falamos sobre salvação em Cristo é importante lembrar que ela começa com uma mudança mental.

VII – “E a palavra de Deus como a espada que o Espírito Santo lhes dá.” (Ef 6.17b) – A espada é uma arma ofensiva listada na armadura de Deus, todas as outras são protetivas e defensivas. Na época de Paulo existiam quatro tipos de espadas:

  • A espada espanhol (hispaniensis gladius), projetada para uso em combates a curta distância;
  • A espada pompéia gladius, tinha duas lâminas (cortava dos dois lados) e foi projetada para batalhas a curta distância e ataques frontais contra inimigos;
  • A espada de cavalaria, era de ferro o aço e longa, usada pelos soldados da cavalaria para guerras montadas;
  • A espada machaira (májaira / makhaira), era de ferro e longa com dois gumes (cortava dos dois lados) e uma ponta afiada para apunhalar ou se defender do inimigo. Era mantida preso ao cinto.

 A espada que Paulo está se referindo é a makhaira, presa ao cinto, usada para auto defesa e ataque. A Bíblia declara que a Palavra de Deus é cortante como uma espada de dois gumes (Hb 4.12) – Pois a palavra de Deus é viva e poderosa e corta mais do que qualquer espada afiada dos dois lados. Ela vai até o lugar mais fundo da alma e do espírito, vai até o íntimo das pessoas e julga os desejos e pensamentos do coração delas.

O fato da makhaira cortar dos dois lados e possuir um tamanho ideal para confrontos diretos a curta e longa distância facilitava o sucesso do soldado na batalha, assim como a Palavra de Deus garante o sucesso da igreja diante dos adversários.

A vitória que Paulo espera alcançar é a pregação do evangelho para o maior número possível de pessoas. Nos versos 19,20 ele afirma – E orem também por mim, a fim de que Deus me dê a mensagem certa para que, quando eu falar, fale com coragem e torne conhecido o segredo do evangelho. 20 Eu sou embaixador a serviço desse evangelho, embora esteja agora na cadeia. Portanto, orem para que eu seja corajoso e anuncie o evangelho como devo anunciar.

Que cada um de nós, crentes em Jesus Cristo, sejamos bons soldados na batalha pelo Reino dos Céus e que consigamos cumprir a nossa missão de Pregar o Evangelho a Toda Criatura, como determina Mateus 28.18-20 e Marcos 16.15.

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