Nós somos o Templo de Deus


I Corintios 3.16 – Certamente vocês sabem que são o templo de Deus e que o Espírito de Deus vive em vocês. 17 Assim, se alguém destruir o templo de Deus, Deus destruirá essa pessoa. Pois o templo de Deus é santo, e vocês são o seu templo.

O templo possuía um grande significado para o povo judeu. Havia uma áurea de santidade envolvendo o templo dedicado a Deus. No Antigo Testamento havia três grupos de pessoas que tinham proximidade com Deus:

  • O primeiro grupo eram os israelitas, um grupo formado por famílias hebreias comuns;
  • O segundo grupo eram os levitas. Ao contrário dos outros filhos de Jacó, os filhos de Levi não receberam nenhuma terra entre a herança tribal (Nm 18.23). Os levitas deveriam ser ministros em tempo integral no templo de Deus, auxiliavam os sacerdotes e deveriam residir nas proximidades do templo;
  • O terceiro grupo, o mais importante que se aproximou de Deus eram os sacerdotes. O primeiro sacerdote escolhido por Deus foi Arão, irmão de Moisés (Nm 17.1-13), desde então o sacerdócio tornou-se hereditário e passou de pai para filho através de gerações.

Cada grupo (israelitas, os levitas e os sacerdotes) poderia entrar em áreas específicas do templo para adorar a Deus. O templo tinha três divisões – O povo podia adorar no átrio, os levitas podiam ir até o lugar santo, mas somente o sumo sacerdote tinha acesso aos três níveis.

Para os levitas e sacerdotes as exigências eram mais concretas do que para as pessoas comuns. A razão para essa exigência de santidade mais aplicada tinha a ver com os vários níveis de glória e presença divina em cada um dos níveis de proximidade com Deus.

Através do sacrifício de Jesus a igreja conquistou o direito de acessar todos os níveis que nos aproxima de Deus, como descreve Apocalipse 1.6 – e fez de nós um reino de sacerdotes a fim de servirmos ao seu Deus e Pai. A Jesus Cristo sejam dados a glória e o poder para todo o sempre! Amém! ”

Se considerarmos que a igreja é uma geração de sacerdotes, significa que as exigências divinas para nós também são mais concretas do que para aqueles que ainda não vieram a Cristo ou que o conhece superficialmente. Na medida em que somos conduzidos a um nível maior de santidade, mas perto estamos de Deus, essa proximidade revela-nos a nossa condição humana e nos conduz ao arrependimento contínuo, Hebreus 12.1.

Para nos aproximarmos da glória que está no lugar santíssimo, nós temos que aumentar a nossa proximidade com Deus e enxergar com mais clareza a luz da sua glória:

  1. Enquanto o povo estava no átrio à única luz que tinham era do sol. Essa luz era natural e o que as pessoas enxergam é somente o natural, as pessoas naturais são guiadas pelos sentidos naturais porque são carnais. A Bíblia ensina que o homem carnal não pode entender as coisas espirituais porque elas se discernem espiritualmente (I Corintios 2.14);
    • Muitos cristãos naturais preferem viver sob a luz natural, mas para alcançar uma dimensão espiritual é necessário deixar de lado a visão natural e passar a andar com Deus e ser guiado pelo Espírito, II Coríntios 5.7.
    • As pessoas que vivem no nível natural são movidas por aquilo que veem ou sentem, muitas dessas pessoas não desejam experimentar a verdadeira fé sobrenatural em Deus.
  2. Os levitas foram conduzidos a outro nível e experimentaram uma luz além do natural. Eles deixavam o átrio e a luz natural do sol e no interior do lugar santo eram iluminados pela luz do menorah (candelabro de ouro). Todas as manhãs eles iram ao lugar santo (pátio interno) para queimar incenso ao Senhor, Lucas 1.8-11.

2.1 – No lugar santo todas as manhãs e noite o sacerdote deveria lavar as suas mãos e entrar para queimar incenso cheiroso ao Senhor. Nesse lugar a única luz que ilumina o ambiente é a luz do candelabro (menorah). Nele havia um altar totalmente dedicado ao Senhor, nesse altar não deveria ser queimado sacrifício ou incenso, ele era consagrado somente a Deus (Exodo 30.1-10).

  1. Uma vez ao ano o sumo sacerdote atravessava o grande véu que separava o lugar santo do lugar santíssimo para purificação do altar, nesse lugar não havia qualquer luz artificial, a única luz era a arca da aliança que representava a glória de Deus.

 

Os três níveis de luz revelam uma verdade importante:

  • A luz natural representa a maioria dos cristãos que vivem na esfera do natural;
  • A luz do candelabro (menorah) representa a luz do Espírito de Deus agindo em nós e trazendo revelação da sua vontade. Na medida em que caminhamos com Deus através do jejum, oração, leitura bíblica e comunhão, nós somos mais iluminados pela glória de Deus e cada vez menos com a luz natural do mundo.
  • O lugar santíssimo ensina que como crentes em Jesus nós devemos progredir em direção em sua direção, quando alcançar o lugar santíssimo a única luz que irá brilhar em nossa vida será da arca da aliança (Jesus).

Quando entramos no lugar santíssimo somos tomados por uma glória incomparável, o Espírito Santo traz inspirações, revelações e a glória de Deus se torna quase real em nossa vida.

Antes de Cristo o sumo sacerdote só podia entrar uma vez ao ano no lugar santíssimo e era necessário estar com a sua vida correta diante de Deus, caso contrário ele era morto por não resistir tamanha glória. Quando Jesus morreu na cruz, o véu que separava o santíssimo do lugar santo foi rasgado, a glória de Deus passou a ser vista por todos que entravam no lugar santo em qualquer hora ou momento. Não há acepção de pessoas ou títulos, qualquer um que aceitar a Cristo poderá desfrutar dessa glória em sua vida.

Certa ocasião, quando Jesus e os discípulos estavam próximos ao templo, Jesus disse que aquele templo seria destruído (Mateus 24.1-2), não ficaria pedra sobre pedra. Um novo templo foi construído em substituição do grande templo, esse novo templo não foi construido por mãos humanas, mas pelo próprio Cristo (Marcos 14.58, Mateus 16.18).

Nós, a Igreja, somos o novo templo. A presença divina de Deus foi transferida para outro edifício em corpos físicos que são os crentes em Jesus segundo a nova aliança. Quando participamos da Santa Ceia, nós estamos celebrando essa nova aliança que nos fez templo de Deus entre os homens, I Corintios 11.25.

Cada crente é um edifício ambulante que leva em si a presença de Deus, assim como o antigo templo tinha três estruturas sagradas (átrio, santo, santíssimo), o ser humano é um templo tripartite, segundo I Tessalonicenses 5.23 – Que Deus, que nos dá a paz, faça com que vocês sejam completamente dedicados a ele. E que ele conserve o espírito, a alma e o corpo de vocês livres de toda mancha, para o dia em que vier o nosso Senhor Jesus Cristo.

  • No átrio as pessoas podiam ver os tribunais e desfrutar da luz natural; através dos olhos podemos tudo ao nosso redor e no corpo sentir o mundo físico;
  • O lugar santo era restrito e para entrar nele era preciso se purificar e ser um levita ou sacerdote; a alma não pode ser tocada fisicamente, embora esteja alojado no corpo o olho natural não consegue vê-la. A alma é a sede do nosso pensamento, raciocínio e iluminação, e é um reflexo do candelabro que iluminava o lugar santo.
  • O lugar santíssimo estava escondido da vista do público e era o lugar mais sagrado do templo. O espírito humano é um reflexo do lugar santíssimo, onde a presença de Deus habitava. No lugar santíssimo ficavam o maná, a lei e a vara de Arão dentro da Arca da Aliança (Hebreus 9.4).

A arca é um retrato perfeito de Cristo, quando nós o recebemos no coração então podemos receber o maná, a lei (Ex 16.4), Jesus é o pão vivo que desceu do céu (Jo 6.32-35). Uma vez aceitos por Deus e salvos em Cristo a Palavra de Deus (Lei) habita em nós (Jo 15.7).

O Maná era o pão enviado do céu para os israelitas comerem durante a peregrinação no deserto, Nm 11.6-9. Jesus é o pão vivo que desceu do céu, ele é o maná divino que sacia a fome espiritual daqueles que se entregam a Deus, João 6.51.

A vara de Arão, um galho morto que tinha brotado produzindo amêndoas como sinal de aprovação do sacerdócio de Arão por Deus, perante os israelitas, Nm 17.7-9. A vara de Arão representa o poder do Espírito Santo. Quando Moisés para ver quem era o verdadeiro sacerdote em Israel pediu as tribos israelitas que seus líderes principais levassem suas varas e colocassem diante da porta do tabernáculo, somente a vara de Arão floresceu.

O verdadeiro sacerdote produz frutos visíveis, assim como Arão que provou através da sua vara que ele era aprovado por Deus, a igreja verdadeira declara a sua identidade através do poder do Espírito Santo.

Algumas igrejas ensinam que a pessoa recebe o poder do Espírito Santo quando se batizam, outros dizem que é quando a pessoa se converte e outros que é quando a pessoa fala em línguas estranhas. Para mim a evidência mais importante de uma vida cheia do Espírito Santo são os frutos que a pessoa produz (Mateus 7.16-20).

As tábuas da lei eram pedras com a Lei gravada (Dt 10.5). A Lei representa a nossa santificação. A a lei foi criada para separar os hebreus dos povos pagãos, assim como a Palavra de Deus nos separa dos desejos carnais e nos marca como povo santo separado para Deus.

Assim como o maná, a vara e a lei permaneceram na arca nos tempos de Moisés, a salvação, a santificação e o poder do Espírito Santo são bênçãos espirituais que permanecem na vida de um crente que está na Arca da Aliança que é Cristo.

Para os hebreus o templo era o lugar onde ofereciam sacrifícios e adoravam a Deus. Podemos analogar o templo afirmando que atualmente há três templos que Deus tem estabelecido sobre a terra, os quais devemos cuidar e zelar. Cada um deles aponta para uma função e um propósito diferente nesta vida. Esses três templos requerem limpeza, renovação e cuidados especiais o tempo todo para que o Senhor possa habitar neles.

  1. O nosso corpo é o templo de Deus. Ele deve ser limpo de qualquer contaminação mundana, II Coríntios 7.1.
    • O corpo deve passar pelo processo de limpeza e evitar qualquer hábito impuro, distrações ou impurezas diariamente (I Pedro 2.1).
    • A purificação da nossa mente exige atitudes mentais positivas em relação ao perdão, a nossa fé em Deus e a purificação interior, Hebreus 12.1b.
  2. A casa onde vivemos é uma miniatura do templo de Deus. Devemos limpar a nossa casa de ídolos e objetos que atraiam o mal, a nossa casa deve ter sempre uma atmosfera pacífica, alegre e justa. Isso envolve a remoção de qualquer coisa que produz uma atmosfera negativa ou que remete ao passado sem Deus.
  3. A Igreja é um tipo de templo de Deus. Ela deve ser limpa das críticas, rancores, disputas e qualquer ação que que remeta a velha natureza humana. Na igreja nos reunimos para praticar a comunhão, ser ministrados e adorar ao Senhor Deus. Em I Corintios 11.28.
    • – O ato de autoexaminar-se tem o propósito de descobrir qualquer tipo de rancor, malícia, disputas, armaguras ou outro pecado interno que corrompa o espírito humano e bloqueie a sua conexão com o Espírito de Deus. Tiago 5.16.
    • – O exame da consciência nos mostra quem devemos perdoar e a quem devemos pedir o perdão, quando nós perdoamos alguém que nos ofendeu o nosso pai celestial também nos perdoa, Mateus 6.14.
    • – Uma pessoa que deseja servir a Deus e por sua vez também serve a sua própria carne estará dividida entre duas direções contrárias, Gálatas 5.1.

Nós somos o templo do Espírito de Deus, por isso devemos cuidar dessa habitação a fim de que Deus possa habitar entre nós. Se um sacerdote em pecado se aventurasse a entrar no lugar santíssimo, ele seria morto. Do mesmo modo, se nos aventurarmos entrar na presença de Deus sem se purificar e santificar, estaremos mortos espiritualmente e não haverá conexão com o Espírito de Deus.

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