Conquistas exigem cuidados permanentes


Quando os israelitas entraram na terra prometida, depois de mais de 400 anos de escravidão e peregrinação no deserto, as casas que passaram a habitar precisavam de cuidados contínuos pois os antigos moradores da região eram pagãos e esconderam muitas coisas (ouros e jóias) e objetivos de cultos sob as casas e em suas paredes. Por isso qualquer indício de impureza deveria ser comunicado imediatamente ao sacerdote, conforme Levíticos 14.33-41.

Porém, antes de entrar e conquistar a terra prometida eles tiveram que enfrentar três grandes obstáculos que podem ser comparados com os desafios que nós, a igreja de Cristo, enfrentamos na jornada pela busca da plenitude divina e o cumprimento das promessas de Deus.

O PRIMEIRO OBSTÁCULO – AS CIDADES MURADAS

Números 13.28a – Mas os que moram lá são fortes, e as cidades são muito grandes e têm muralhas. Além disso, vimos ali os descendentes dos gigantes.

As cidades muradas representam a fortalezas do inimigo que devem ser derrubadas. Os muros foram construídos com tijolos de barros e pedras, os portões eram de madeiras nobres e vigiados por sentinelas. Muitos israelitas viram as fortalezas em volta das cidades se questionavam: Como iremos tomar essas cidades se não podemos cruzar os seus portões e muros?

A resposta para essa conquista não era apenas humana, é que Deus haveria de agir sobrenaturalmente e dar-lhes vitória como sucedeu em Jericó, Js 6.5-20 – “Então os sacerdotes tocaram as cornetas. Logo que o povo ouviu este som, gritou com toda a força, e a muralha caiu. Aí todos subiram, entraram na cidade e a tomaram. ”

As cidades representam as barreiras que temos que enfrentar em nossa jornada, por exemplo:

  • O farisaísmo envolto em tradições humanas que se colocam acima das escrituras como regras de fé. Jesus repreendeu os fariseus por agirem desse modo, Marcos 7.9, 13 – E Jesus terminou, dizendo: – Vocês arranjam sempre um jeito de pôr de lado o mandamento de Deus, para seguir os seus próprios ensinamentos. 13 Assim vocês desprezam a palavra de Deus, trocando-a por ensinamentos que passam de pais para filhos. E vocês fazem muitas outras coisas como esta.
  • Pensamento errado sobre ensinos das escrituras. Alguns cristãos erram por não conhecerem as escrituras e ignorarem seus ensinos, alguns se mostram piedosos mas ignoram os dons espirituais (I Co 12.7-10) e a plenitude do Espírito Santo (At 1.8), por considerarem tais manifestações válidas apenas para os dias dos primeiros cristãos.
  • Falta de perdão em relação as pessoas. Nós queremos que Deus compreenda as nossas fraquezas, mas não somos capazes de perdoar as fraquezas dos outros irmãos. Algumas pessoas oferecem ofertas no altar com o coração amargurado e acham que Deus tem a obrigação de aceitá-las, como no exemplo que Jesus citou sobre o homem que recebeu perdão de uma dívida de milhões de moedas de prata, mas não perdoou aquele que lhe devia cem moedas de prata, Mateus 18.21-35 – “32 Aí o patrão chamou aquele empregado e disse: ’Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você me devia. 33 Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você

O SEGUNDO OBSTÁCULO – OS GIGANTES

Os gigantes mediam quase 3 metros de altura, I Sm 17.4 – Um homem chamado Golias, da cidade de Gate, saiu do acampamento filisteu para desafiar os israelitas. Ele tinha quase três metros de altura.

Eles eram ferozes e assustadores, os israelitas foram impactados pelo medo de ter que enfrentá-los. Para conquistar a terra prometida era necessário enfrentar os gigantes e removê-los daquela terra.

Os espias que foram a cidade de Jericó viram que a cidade era boa para ser cultivada e que de fato era a terra da promessa, mas voltaram temerosos por causa dos gigantes, Nm 13.33 – Também vimos ali gigantes, os descendentes de Anaque. Perto deles nós nos sentíamos tão pequenos como gafanhotos; e, para eles, também parecíamos gafanhotos.

Apenas Josué e Kalebe tinham um espírito diferente e não temeram os gigantes e somente os dois foram aprovados por Deus para entrar na terra prometida. Calebe era tão corajoso que, mesmo com 85 anos, teve que enfrentar três gigantes, filhos de Anaque (Sesai, Aimã e Talmai) para conquistar a montanha de Hebrom, Js 15.13-4.

Os gigantes assombravam a imaginação das pessoas, os israelitas temiam só de pensar em ter que enfrentar um gigante. Quando o exercito de Saul foi afrontado por Golias, nenhum daqueles soldados ousou lutar contra o gigante, somente Davi – o jovem e inexperiente, porém ousado e crente, aceitou o desafio para combater o gigante.

Os gigantes representam imagens mentais de fracasso reproduzidas na mente dos fracos, assim como uma pessoa que recebe um diagnostico médico errado e se desespera assim é a pessoa sem fé quando enfrenta gigantes, a sua mente começa a pensar no pior que pode acontecer e muitos desistem sem sequer lutar.

O medo que os gigantes causam as vezes é pura imaginação. Os discípulos de Jesus quando enfrentaram a grande tempestade pensaram que iam morrer, enquanto Jesus dormia tranquilamente, Mateus 8.24-25: De repente, uma grande tempestade agitou o barco, de tal maneira que as ondas começaram a cobrir o barco. E Jesus estava dormindo. 25 Os discípulos chegaram perto dele e o acordaram, dizendo: – Socorro, Senhor! Nós vamos morrer!

O TERCEIRO OBSTÁCULO – AS SETE NAÇÕES INIMIGAS (OS SETE ‘EUS’)

Para tomar posse da terra prometida os israelitas teriam que expulsar sete nações inimigas que habitavam no local, Dt 7.1 – Moisés disse ao povo: – O Senhor, nosso Deus, fará com que vocês entrem na terra que vão possuir e ele mesmo expulsará os povos que vocês enfrentarem. Conforme vocês forem avançando. Deus derrotará sete povos que são mais numerosos e mais poderosos do que vocês. São eles: os heteus, os girgaseus, os amorreus, os cananeus, os perizeus, os heveus e os jebuseus.

Essas nações habitavam naquela terra centenas de anos antes de Israel, as estradas que davam acesso a terra prometida eram dominadas por eles. A ordem do Senhor era clara, os israelitas tinhas que expulsar os inimigos, não poderiam fazer aliança com eles ou deixa-los na terra, caso contrário sofreriam com a presença deles, Nm 33.55 – Porém, se vocês não expulsarem os moradores do país, os que ficarem serão para vocês como espinhos nos seus olhos e como ferrões nas suas costas e trarão problemas para vocês na terra em que vocês morarem.

As sete nações a serem vencidas são conhecidas como os ‘sete eus’. Se não fossem expulsos eles iriam afetar os olhos e as costas dos hebreus e seriam problemas contínuos para eles. A palavra de Deus afirma que não há comunhão entre luz e trevas, quando alguém decide seguir a Jesus precisa romper com certos padrões mundanos e isso significa romper com pessoas que queiram introduzir suas culturas pagãs e pecaminosas à vida cristã. Quem está em Cristo é nova criatura. Quem se associa com a cultura mundana sempre terá problemas.

Algumas pessoas aceitam a Cristo e depois se afastam da fé porque não estão preparadas para os desafios que as promessas de Deus e a plenitude do Espírito requerem. Sem a destruição das fortalezas e a queda dos seus muros; sem derrotar os gigantes que querem dominar a sua terra prometida; sem a destruição dos ‘sete eus’ – não é possível alcançar e desfrutar de todas as promessas de Deus.

Para conquistar a terra prometida os israelitas tiveram que lutar, do mesmo a igreja que pretende desfrutar das promessas de Deus precisa lutar e combater todos os inimigos que se opõem a vontade de Deus para a sua igreja. O apóstolo Paulo afirma que essas batalhas são travadas numa dimensão espiritual e mental, a nossa batalha não é física, II Co 10.4,5: As armas que usamos na nossa luta não são do mundo; são armas poderosas de Deus, capazes de destruir fortalezas. E assim destruímos ideias falsas 5 e também todo orgulho humano que não deixa que as pessoas conheçam a Deus. Dominamos todo pensamento humano e fazemos com que ele obedeça a Cristo.

O inimigo tentará colocar pressão em sua mente para suprimir o conhecimento de Deus armazenado em sua memória, porque ele sabe que Deus usa a nossa memória positiva para lembrar-nos da sua bondade e poder para trazer soluções.

Quando Davi obteve permissão para lutar contra Golias ele resgatou memórias positivas da sua mente e disse ao rei Saul, I Sm 17.34-36: Meu Senhor, disse Davi, – eu tomo conta das ovelhas do meu pai. Quando um leão ou um urso carrega uma ovelha, 35 eu vou atrás dele, ataco e tomo a ovelha. Se o leão ou o urso me ataca, eu o agarro pelo pescoço e o golpeio até matá-lo. 36 Tenho matado leões e ursos e vou fazer o mesmo com esse filisteu pagão, que desafiou o exército do Deus vivo.

Todos nós carregamos boas e más lembranças na memória, as coisas más que aconteceram em sua vida não devem controlar o seu futuro. Para os hebreus fazer uma aliança com as sete nações significaria fazer aliança com um passado escravista e sob domínio pagão, o Senhor tinha uma nova terra e uma nova lei para eles, tudo deveria ser novo e diferente, o sucesso do povo dependia do rompimento com as más memórias escravistas do passado.

O que o Senhor requer de cada um de nós é o mesmo que requereu dos hebreus, a partir do momento que entregamos a vida para Cristo as coisas velhas se passaram, tudo se fez novo, as más lembranças devem ser interrompidas e devemos pensar naquilo que é bom aos olhos de Deus. Deus deseja renovar as nossas mentes como Paulo descreve em Efésios 4.23 – É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados.

A verdade que muitos cristãos desconhecem é que o inimigo deseja que você tenha uma mente derrotada porque sabe que as suas adversidades e seus inimigos não são páreos para Deus.

As sete nações pagãs já tinham ouvido falar do poder de Deus que destruiu o exército egípcio. Quando dois espiões hebreus estiveram na casa de Raabe ela comentou que o seu povo estava temeroso por causa do Deus de Israel. Josué 2.10-11: Soubemos que o Senhor secou o mar vermelho diante de vocês quando saíram do Egito. Também ficamos sabendo como, a leste do rio Jordão, vocês mataram Seom e Ogue, os reis dos amorreus, e destruíram os seus exércitos. 11 Quando ouvimos essas coisas, perdemos a coragem e todos nós ficamos com muito medo por causa de vocês. O Deus de vocês, o Senhor, é Deus lá em cima no céu e aqui em baixo na terra.

A CONQUISTA DA TERRA PROMETIDA EXIGIA CUIDADOS PERMANENTES

Ao entrar na terra prometida os israelitas deveriam remover as coisas escondidas que fossem encontradas nas casas para não serem contaminados. Se aparecesse em alguma casa manchas com cores estranhas, o sacerdote tinha que ser comunicado imediatamente e realizar a inspeção que envolvia cinco fases:

  • Examinar as provas físicas que apareceram nas paredes;
  • Esperar sete dias para ver se a praga se propagaria;
  • O local onde apareceu a mancha tinha que ser raspado e a pedra removida para bem distante;
  • O sacerdote tinha que observar se a praga reapareceu e nesse caso toda a casa estaria condenada;
  • Se a casa fosse condenada impura, o seu dono tinha que destruí-la totalmente e fazer uma nova casa.

Esses fungos surgiam nas casas muitas vezes em virtude de ouro e joias que estavam escondidos nas paredes ou fundação da casa, como essas coisas não pertenciam a Israel, elas deveriam ser eliminadas. Os fungos poderiam causar sérios danos a saúde dos moradores da casa.

Cada israelita tinha a obrigação de cuidar da sua casa e evitar qualquer risco de contaminação, do mesmo modo os nossos lares devem ser cuidados com zelo a fim de evitar qualquer dano a família que reside nele.

A casa também diz respeito a igreja de Cristo, que está sendo construída sobre a rocha principal que é Cristo, o apóstolo Pedro afirma que somos como pedras vivas usadas por Deus para a construção de um grande templo espiritual (I Pd 2.5,6). Se uma dessas pedras estiver contaminada, o fungo precisa ser removido, mas há situações onde o fungo se alastra e a pedra tem que ser removida. Apocalipse 3.11: Eu venho logo. Guardem o que vocês têm, para que ninguém roube de vocês o prêmio da vitória.

A ocultação das manchas traria a morte sobre a família que residisse na casa e poderia contaminar outras casas. Aplicando essa verdade à igreja de Cristo, qualquer situação de erro oculto pode contaminar a construção do templo espiritual, se o sumo sacerdote Jesus não for convidado para fazer a sua análise e limpar a nossa casa espiritual a tempo.

Quando uma casa está limpa fica mais fácil enxergar os perigos que os fungos e a poeira podem esconder, as serpentes podem estar escondidas entre os fungos, lembranças e heranças do passado sem Cristo (joias e ouro) podem estar por trás dos fungos.

Finalizando, que possamos dizer como o salmista no Salmo 139.1-6ª, onde ele convida o Senhor a fazer uma faxina em sua casa espiritual ao dizer: Ó Senhor Deus, tu me examinas e me conheces. 2 Sabes tudo o que eu faço e, de longe, conheces todos os meus pensamentos. 3 Tu me vês quando estou trabalhando e quando estou descansando; tu sabes tudo o que eu faço. 4 Antes mesmo que eu fale, tu já sabes o que vou dizer. 5 – Estás em volta de mim, por todos os lados, e me proteges com o teu poder. 6 Eu não consigo entender como tu me conheces tão bem;

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