Quando os bons se calam


Em Juízes 9.8-15 temos uma passagem envolvendo os seguintes personagens:

  • Abimeleque, representado pelo espinheiro – filho de Gideão com uma concubina (Jz 8.31), criado pela mãe. Com a morte do seu pai ele matou seus 70 irmãos para que não houvesse concorrente ao trono.
  • Os homens de Siquém, representados pelo cedro do Líbano – filho mais novo de Gideão, o único sobrevivente da chacina promovida por Abimeleque.
  • A casa de Gideão e o povo, representado pelas árvores que se sujeitam ao governo do espinheiro – essa sujeição ao governo de Abimeleque acarretou graves consequências ao povo.

A mensagem que Jotão deseja passar para o povo fala sobre o poder destrutivo do espinheiro, usado para queimar e causar destruição, assim como Abimeleque que com seu poder destrutivo trouxe destruição por onde passou.

Nessa época o povo de Israel anelava por um rei nominal e visível, o povo demostrava descontentamento em ser guiado por juízes que falavam em nome de um Deus invisível, o povo queria ser como as outras Nações que tinham seus reis. Nesse cenário surge Abimeleque apoiado pelos cidadãos de Siquém.

Essas árvores e seus significados também representam a condição natural e espiritual de muitas pessoas em nossos dias, as melhores árvores não quiseram governar e exercer o seu papel como líderes na floresta, o espinheiro não perdeu a chance e diante da negativa das outras árvores se propõe governa-las. Quando os bons se calam e não assumem suas funções, os maus se levantam para dominar e como o espinheiro traz a destruição.

 

As características de cada árvore e sua importância:

  • A oliveira foi à primeira árvore que se recusou reinar sobre as demais, ela não queria perder o seu status de produzir frutos, óleo e madeira. Juízes 9.8-9: Aí Jotão disse: – Uma vez as árvores resolveram procurar um rei para elas. Então disseram à oliveira; “Seja o nosso rei. ” 9 E a oliveira respondeu: “Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu azeite, usado para honrar os deuses e os seres humanos. ”
  • A figueira foi a segunda árvore que recusou reinar sobre as outras. Ela não estava disposta a deixar de produzir seus frutos altamente apreciados para servir de abrigo a outras árvores. Juízes 9.10-11: Aí as árvores pediram à figueira: “Venha ser o nosso rei.” 11 Mas a figueira respondeu: “Para governar vocês, eu teria de parar de dar os meus figos tão doces.”
  • A parreira (videira) também se recusou a reinar sobre as outras árvores. Ela já era importante por causa do seu vinho e uma grande fonte de riquezas. Juízes 9.12-13: Então as árvores disseram a parreira: “Venha ser o nosso rei.” 13 Mas a parreira respondeu: “Para governar vocês, eu teria de parar de dar o meu vinho, que alegra os deuses e os seres humanos.”

 

A recusa das melhores árvores abriu espaço para o oportunismo do espinheiro

Como nenhuma das árvores nobres aceitou o convite, o espinheiro foi convidado para reinar sobre todas as árvores mesmo sendo uma árvore sem valor, sem frutos valiosos, sem altura para cobrir as outras árvores com a sua sombra. Juízes 9.14-15: Aí todas as árvores pediram ao espinheiro: “Venha ser o nosso rei.” 15 E o espinheiro respondeu: “Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do espinheiro e queimará os cedros do Líbano.”

O espinheiro era uma espécie de arvore que atingia até três metros de altura com um diâmetro de 2 metros, não se curvava diante da força do vento como as outras árvores. Jotão soube usar suas palavras para falar ao povo sem ofender Abimeleque, ao mesmo tempo em que ele ressaltou a sua força e governabilidade, ele mostrou suas fragilidades e poder destrutivo caso o povo o seguisse.

Devido a sua natureza inflamável, uma plantação de espinheiro podia incendiar uma floresta em poucos minutos. Para que o espinheiro pudesse reinar sobre as outras árvores ele deveria possuir uma altura e sombra que superasse as demais, os seus frutos e galhos deveriam ter utilidade.

O espinheiro estava disposto a reinar sobre as árvores. Mas, todas deveriam estar dispostas a lhe prestar submissão, inclusive o cedro do Líbano. O espinheiro era uma árvore que crescia em lugares baixos enquanto o cedro crescia em lugares altos, mesmo assim ele estava dizendo que se as árvores quisessem ele reinaria sobre toda a floresta.

O nobre Gideão e seus respeitáveis filhos haviam rejeitado o reino que lhes fora oferecido, somente o bastardo e desprezível Abimeleque aceitou ser rei.

O espinheiro aceita ser rei, mas exige submissão total. Ele ameaça destruir com o seu fogo os cedros do Líbano – Juízes 9.15: E o espinheiro respondeu: “Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do espinheiro e queimará os cedros do Líbano.”

Cedro-de-líbanoO cedro era a maior de todas as árvores, famosa por sua notável altura que chega até quarenta metros por seis metros de diâmetro. A sua madeira nobre era usada na construção de embarcações e foi usada na construção do Templo e do palácio de Salomão.

O espinheiro não quer apenas reinar, ele quer subjugar as árvores nobres. Nessa passagem os cedros representavam os homens de Siquém que eram altos e fortes, mas foram consumidos pelas chamas do espinheiro que representava Abimeleque e somente eles poderiam colocar um fim aquele reinado de opressão. Quando os cedros decidem eliminar os espinheiros nada pode detê-los.

Duas coisas importantes que aprendemos na passagem de Jotão:

  • As escolhas erradas geralmente acabam em desastre que se não for corrigido a tempo poderá ocasionar prejuízos irreparáveis;
  • As más escolhas geralmente ocorrem por omissão dos bons que preferem se abster ao invés de se posicionarem contra o que é mal.

Assim como o espinheiro tinha poder para inflamar e destruir as árvores, o cedro também poderia colocar um fim ao reinado do espinheiro. Quando os bons se levantam para combater o mal ele não pode resistir.

A revolta popular contra Abimeleque foi crescendo em meio ao povo, assim como o cedro que cresce lentamente nos três primeiros anos de vida, nesse período suas raízes crescem até 1,5 metro de profundidade, enquanto na superfície tem apenas cinco centímetros, somente a partir do quarto ano o cedro começa a crescer. Após três de reinado de Abimeleque, o povo de Siquém se revolta contra ele, Jz 9.22,23: Fazia três anos que Abimeleque governava Israel, 23 quando Deus enviou um espírito maligno entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém, e estes agiram traiçoeiramente contra Abimeleque.

Assim como o cedro do Líbano que cresce com raízes profundas após um período, o cristão deve buscar seu crescimento espiritual desde os primeiros anos da vida cristã. Ainda que o seu crescimento não seja visível nos primeiros anos, ele virá com o tempo.

A primeira preocupação de uma pessoa que aceita a Cristo não deve ser participar de algum ministério local e sim de crescer espiritualmente através do conhecimento da Palavra de Deus. Algumas sementes morrem no caminho porque não tem raízes (Mc 4.6). Eu vejo muitos líderes que utilizam estratégias de marketing para encher seus templos com pessoas, mas não demonstram qualquer preocupação com o crescimento espiritual dessas pessoas. Muitas se afastam da igreja e ficam decepcionadas com o evangelho porque não tinham bases suficientes para permanecerem firmados em Jesus.

O cedro do Líbano demonstra resistência ao suportar o calor e o vento porque as suas raízes não dependem da chuva, elas buscam nos lençóis freáticos a água necessária para o seu crescimento. Assim deve ser a nossa vida, nós não podemos ficar dependentes de fatores externos para manter-se firme, nós devemos edificar-se em Jesus que é a verdadeira fonte de águas vivas e nossa rocha eterna.

O cedro do Líbano cresce lentamente porque as suas raízes buscam se firmarem nas partes profundas do solo, quando suas raízes encontram pedras no caminho ao invés de parar de crescer, elas dão um verdadeiro abraço nas pedras e continuam crescendo. E quanto mais as raízes abraçam a rocha, mais as raízes vão ficando firmes.

Assim é a vida dos justos, não para de crescer, se surgirem pedras no caminho ou qualquer outro impedimento o justo vai sempre crescer, mesmo que as pessoas não enxerguem seu crescimento no primeiro momento. Eis a promessa para os justos: “Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida.” Salmos 92.14 NTLH

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