Quando não há o Espírito de Deus – parte I


Ela gritou: – Sansão! Os filisteus estão chegando! Ele se levantou e pensou: “Eu me livrarei como sempre.” Sansão não sabia que o Senhor o havia abandonado. Juízes 16.20

UM PASSEIO PELA HISTÓRIA DE SANSÃO

A sua mãe era estéril, o seu nascimento foi um milagre profetizado pelo anjo do Senhor. Ele foi escolhido por Deus para governar como juiz em Israel, era nazireu, uma pessoa consagrada para o Senhor Deus (Jz 13.7). Ele se mostrou uma pessoa impulsiva e violenta na idade adulta:

  • Certa ocasião conheceu uma jovem filisteia e decidiu se casar com ela. Durante as núpcias ele fez uma aposta com 30 jovens filisteus e perdeu a aposta porque sua esposa contou o segredo para os jovens, como consequência ele matou 30 homens para pagar a aposta e depois abandonou a sua esposa.
  • Depois de um período ele retornou para casa e descobriu que sua esposa estava casada com outro homem, ele ficou enfurecido e colocou fogo nas plantações de cereais dos filisteus. Os filisteus se vingaram matando sua ex esposa e a família dela, Sansão ficou enfurecido e novamente matou muitos filisteus.
  • Os filisteus vão a cidade de Leí e fazem um acordo com os moradores da cidade para entregarem Sansão que tenta se justificar dizendo que tudo o que fez foi para se vingar dos inimigos. As histórias de brigas e confusões entre Sansão e os filisteus continuam gerando muitas mortes.

Os pais de Sansão eram pessoas tementes a Deus e faziam de tudo para agradar ao filho. Em duas ocasiões Sansão escondeu o que fez dos pais:

  • Na primeira ele matou um leão e não disse nada;
  • Na segunda ele pegou mel de dentro do corpo de um animal morto e deu para seus pais.
  • Depois disso, não tinha como esconder seus atos dos pais, a sua fama percorreu entre os israelitas e os filisteus. Mesmo sendo usado pelo Espírito de Deus, Sansão tinha algumas áreas vulneráveis em sua vida que precisavam ser melhoradas.

A briga entre Sansão e os filisteus se intensificou a cada ano, por vinte anos ele governou o povo de Israel, inúmeras vezes venceu os filisteus com a força que o Espírito de Deus dava a ele. Às vezes, Sansão se mostrava mimado, como na vez em que venceu mil homens com a queixada de um jumento, ele orou ao Senhor porque estava com sede e Deus abriu uma mina de água para que ele bebesse.

Tudo dava certo na vida de Sansão, ele andava tão seguro da presença de Deus e da sua força que passou a se relacionar com prostitutas e praticar certos atos pecaminosos sem nenhum receio de Deus ou do povo.

Certa vez Sansão conheceu uma mulher por nome Dalila, essa mulher percebeu que poderia lucrar muito dinheiro se relacionando com Sansão, então traçou planos para descobrir a origem de sua força e como vencê-lo. Em três ocasiões Sansão escondeu a origem da sua força, mas na quarta tentativa ele abriu o coração e revelou o seu segredo para Dalila. A confiança de Sansão era tão grande que ele se esqueceu do perigo que estava correndo e dormiu nos braços de Dalila.

Quando Dalila gritou que os inimigos estavam chegando, Sansão se levantou e disse: “Eu me livrarei como sempre.” Ele estava tão confiante que em nenhum momento percebeu que cortaram o seu cabelo. Para ele aquela batalha seria como as outras em que venceu, ele acreditou na sua força, ele não percebeu que o Espírito do Senhor tinha se ausentado, ele acreditou que venceria os inimigos com facilidade, ele se esqueceu que a sua força não vinha dos seus braços e sim de Deus.

A BATALHA DO HOMEM NATURAL

Comparando esse momento da vida de Sansão com os tempos atuais, vejo muitos cristãos tão acostumados com vitórias, superações, triunfalismo sobre inimigos que não percebem quando o Espírito de Deus se ausenta deles. Em muitas reuniões não há quebrantamentos; ler a Bíblia tornou se enfadonho; muitos perderam o hábito de orar e quando oram são repetitivos e vazios.

A pessoa consagrada a Deus não é diferente das demais em relação às batalhas que devem travar.  A todo o momento somos confrontados acerca da nossa comunhão com Deus em duas frentes:

  • O primeiro confronto que travamos é de natureza espiritual contra os principados e potestades, contra os poderes espirituais da maldade;
  • O segundo confronto é de natureza carnal contra o seu próprio eu, nessa batalha há muitos derrotados que ainda não perceberam a que o Espírito de Deus se ausentou de suas vidas.

A natureza adâmica tem vencido o homem interior de muitos que se dizem cristãos tornando-os carnais sem que percebam. Há muitos cristãos escravos do capitalismo, materialistas, secularistas e mundanos que não conseguem discernir o contraste entre natureza espiritual e natureza carnal. Alguns exemplos:

  • Pastores que pregam sermões que tem como fonte de inspiração as filosofias humanistas e a sociologia, sem qualquer base bíblica;
  • Cantores que se inspiram nas melodias seculares a fim de tocar nas emoções das pessoas;
  • Líderes que copiam modelos gerenciais e implantam métodos de crescimento sem comprometimento com a verdade;
  • Decisões estão sendo tomadas sem orarmos primeiro e sem aprovação de Deus;
  • Modelos ministeriais são clonados por líderes ao invés de se entregarem a uma vida de oração, consagração e meditação bíblica.

As palavras de Sansão antes do confronto foram: “– eu me livrarei como sempre”. Em outras palavras, ele quis dizer: Eu vou lutar e vencer ‘como sempre’, eu vou conquistar mais respeito e admiração do povo que irão me aplaudir, afinal de contas eu sou Sansão.

Quantos cristãos agindo do mesmo modo – ‘como sempre’: Eu vou cantar aquela música e o povo vai se alegrar, vai chorar como sempre; eu vou pregar aquele sermão e no final o povo vai me aplaudir e elogiar a minha atuação como sempre; eu vou fazer isso ou aquilo, eu vou resolver isso, eu vou orar e resolver tudo, como sempre.

A VERDADE – NADA É COMO SEMPRE

Sansão estava acostumado a vencer como muitos de nós que se acostumaram a vencer como sempre. Mas, dessa vez o resultado para Sansão foi diferente, o que ele não sabia e muitos não sabem é que ‘o senhor o havia abandonado’, ou seja, o Espírito de Deus não estava mais com Sansão.

Quando foi que o Espírito do Senhor saiu de Sansão? No momento em que ele movido pela autoconfiança revelou o seu segredo a uma pessoa que ele acreditava que o amava. O amor de Sansão por Dalila cegou seu entendimento, sua compreensão entre o certo e errado e a sua sensibilidade.

Que é a Dalila em nosso tempo? Ela pode ser representada por pessoas ou coisas que nos afastam de Deus sem que percebamos. O apóstolo João alertou-nos em sua primeira epístola (I Jo 5.15,16): Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus o pai. 16. Nada que é deste mundo vem do pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulha pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo.

O espírito do ‘como sempre’ impede de enxergarmos a nossa real condição diante de Deus. Muitos subestimam as estratégias do inimigo para derrota-los, algumas pessoas agem com previsibilidade porque estão acostumadas a vencer ‘como sempre’.

A ausência do Espírito de Deus tem gerado escassez de ideias, novas estratégias, novos programas, novos louvores, novas pregações, novos modelos, etc. nós fazemos tudo ‘como sempre’ porque estamos acostumados com os resultados do ‘como sempre’. Quando não há o Espírito de Deus perdemos o foco, perdemos a motivação e perdemos o desejo de fazer diferente. Sem o Espírito de Deus nós dormimos nos braços do pecado como Sansão dormiu nos braços de Dalila.

Por que Sansão não percebeu que o Senhor o havia abandonado? Porque ele estava acostumado a vencer ‘como sempre’. O fato do Espírito se ausentar de Sansão não o imobilizou, não o tornou uma pessoa triste, não deixou diferente, ele só percebeu que não tinha mais o Espírito quando lhe faltaram forças ao ser dominado pelos inimigos.

Há muitas pessoas nas igrejas que levam uma vida normal e não perceberam que o Espírito se ausentou delas, Em I Coríntios 11.30,31 o apóstolo Paulo afirma que muitos pecam contra o corpo e sangue do Senhor e por isso estão fracos, doentes e mortos espiritualmente, por não examinarem a consciência. “- É por isso que muitos de vocês estão doentes e fracos, e alguns já morreram. 31. Se examinássemos primeiro a nossa consciência, nós não seríamos julgados pelo Senhor. ”

Assista o vídeo dessa mensagem – clique AQUI

Uma resposta para “Quando não há o Espírito de Deus – parte I

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