A Santa Ceia do Senhor


Mateus 26.26-28: Enquanto estavam comendo, Jesus pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e o deu aos discípulos, dizendo: – Peguem e comam; isto é o meu corpo. 27 Em seguida, pegou o cálice de vinho e agradeceu a Deus. Depois passou o cálice aos discípulos, dizendo: – Bebam todos vocês 28 porque isto é o meu sangue, que é derramado em favor de muitos para o perdão dos pecados, o sangue que garante a aliança feita por Deus com o seu povo.

 

I – Qual a razão pela qual a Santa Ceia foi instituída?

Manter na memória dos cristãos o sacrifício, morte, ressurreição de Jesus Cristo e seus benefícios. O pão, partido e distribuídos para ser comido entre os cristãos remete ao corpo de Cristo que foi partido pelos nossos pecados; o vinho que é servido deve lembrar-nos do sangue de Jesus vertido por nossos pecados.

  • Lucas 22.19 – Depois pegou o pão e deu graças a Deus. Em seguida partiu o pão e o deu aos apóstolos, dizendo: – Isto é o meu corpo que é entregue em favor de vocês. Façam isto em memória de mim.
  • I Coríntios 11.24 – e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue em favor de vocês. Façam isto em memória de mim.”

Jesus sabia que após a sua morte e com o passar dos tempos às pessoas poderiam esquecê-lo mesmo que a sua história fosse registrada na Bíblia e em outros escritos. Se não houvesse a Ceia a história de Jesus estaria confinada as bibliotecas, museus e alguns estudiosos. Jesus desejou que a sua história fosse exibida em sinais e emblemas visíveis, no pão e no vinho, para que não fosse esquecida, I Coríntios 11.26 – De maneira que, cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.

  • A Ceia é mais do que um ritual, ela nos faz lembrar o quanto Deus nos amou e o quanto Deus tem interesse em salvar a humanidade que está perdida.
  • A Ceia é uma ordenança que mantém viva a fé cristã, fortalece e renova o fervor na igreja de Cristo.

II – Não é objetivo da Santa Ceia:

Primeiro. Considerar a Ceia um sacrifício que obrigue os cristãos participar dela para serem salvos, transubstanciá-la de modo que o pão e vinho sejam transformados em carne e sangue, ou consubstanciá-la fazendo com que a presença física de Jesus esteja presente durante o ato de Cear.

As referências bíblicas sobre a Ceia ensinam que não há sacrifício, alteração ou mudança física no pão e vinho, após a oração eles continuam sendo pão e vinho. O sacrifício ensinado no Novo Testamento para a igreja inclui oração, louvor e boas obras. Segundo o escritor aos Hebreus o sacrifício consumado de Jesus na cruz aboliu qualquer outro sacrifício de animais para que o homem chegasse a Deus.

Quando Jesus diz “esse é o meu corpo… é o meu sangue”, o que ele está dizendo aos discípulos é: “o pão que representa o meu corpo… o vinho que representa o meu sangue”. Quando Paulo instrui a igreja em Corinto sobre a Ceia ele não diz ‘corpo’, mas ‘pão’ (I Co. 11.26, 27, 28).

 

Segundo. Garantir a quem participa da Ceia qualquer benefício extra por sua participação:

  • Ela não é um remédio para cura ou simpatia para quem precisa solucionar problemas;
  • Ela não pode conceder graça se quem participar não tiver a graça;
  • Ela não pode converter ou justificar ou abençoar aquele que não crê;
  • Ela não é uma ordenança para os mortos, mas para os vivos;
  • Ela é uma ordenança para quem crer e não para os descrentes;
  • Ela é um mandamento para os santos e não para o pecador.

A palavra do Senhor é clara ao afirmar que uma pessoa pode cear sem estar arrependido, porém o juízo virá sobre essa pessoa, I Coríntios 11.27,29 – Por isso aquele que comer do pão do Senhor ou beber do seu cálice de modo que ofenda a honra do Senhor estará pecando contra o corpo e o sangue do Senhor. 29 Pois, a pessoa que comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, estará sendo julgada ao comer e beber para o seu próprio castigo.

 

Terceiro. Transformar o ato de Santa Ceia numa mera festividade social para demonstrar amor e comunhão entre os cristãos. Pensar na Ceia como reunião de um clube social é simplesmente degradante e contrário a doutrina da expiação. Na Ceia nos alimentamos da morte vicária de Cristo e da sua ressurreição.

A intenção da Ceia é transportar a mente do crente de volta ao sacrifício de Jesus no calvário e se envolver espiritualmente e sentimentalmente no seu sofrimento na cruz e na alegria da sua ascensão ao céu, sabendo que um dia Jesus vai voltar. Ela é como um fortificante e restaurador dos verdadeiros crentes.

 

Quarto. Transformar a Ceia do Senhor no elemento mais importante do culto cristão. Para algumas pessoas a Ceia ocupa o primeiro lugar no culto e costumam vir apenas à reunião de Santa Ceia. Não podemos esquecer que uma vida de oração e a leitura e ensino da Palavra são fundamentais para o desenvolvimento da fé cristã.

Embora a Ceia seja uma ordenança, há temas mais explorados pelas escrituras no Novo Testamento: a graça; a fé; a redenção; a obra de Cristo; o Espírito Santo; o amor de Deus; santificação; etc. Embora a reunião de Santa Ceia seja necessária e importante, ela não substitui o restante da vida cristã e tampouco garante comunhão e salvação.

 

Quinto. Rechear a Ceia com extravagâncias e veneração exterior. Não se trata de irreverência ou desleixo no emprego das ordenanças de Cristo. Refiro-me a ostentação da mesa da comunhão cheia de apetrechos, ornamentos, etc. dando a impressão de algo extraterreno. A veneração pelo pão e vinho beira a heresia em alguns lugares onde os cristãos queimam o pão e jogam vinho na terra com medo de ser punido se alguém lhes tocar depois da oração de consagração.

Como foi que Jesus instituiu a Ceia? Ele estava em um ambiente de simplicidade, sem qualquer tipo de ostentação. Do mesmo modo, os primeiros cristãos ceavam nas catacumbas, nos campos, nos encontros nas casas, sem qualquer pompa, eles tinham como único objetivo lembrar a morte e ressurreição de Jesus e esperar a sua volta.

 

Sexto. Transformar a Santa Ceia em passaporte para a eternidade.  Alguns cristãos acusam outros de abandono da fé quando não podem participar da Santa Ceia, não estou dizendo que os cristãos devam deixar de tomar a Ceia, mas que se alguém não participa isso não o torna menos cristão.

  • O problema surge quando o crente está fraco e debilitado na fé e deixa de cear. Nesse caso, a tendência é que sua enfermidade espiritual se agrave. Porém, o que irá curá-lo não é a Ceia e sim a comunhão, oração, arrependimento, leitura e meditação na palavra de Deus.

É errado quando ensinamos as pessoas que para ser cristão basta ser batizado e tomar a Ceia. Por essa razão, muitos cristãos estão substituindo o arrependimento, a fé e união verdadeira com Cristo pelo ritual de Santa Ceia, tais pessoas estão se enganando achando que serão justificados porque tomaram a Ceia. Creio que a Ceia não pode ser colocada antes de Cristo ou em substituição a Cristo, quem quiser ser salvo deverá se achegar a Cristo de verdade e não através do ritual.

A Ceia não é Cristo, ela não é conversão, ela não é o passaporte para o céu. Ela é para fortalecimento e restauração daqueles que vieram a Cristo, que se arrependeram e se converteram. Ela é para aqueles que estão no caminho estreito que conduz ao céu.

  • O lugar da Ceia é entre a graça e a glória, entre a justificação e o céu, entre a fé e o paraíso, entre a conversão e o descanso final, entre a porta estreita e a Cidade Celestial.

III – O que devemos fazer para participar da Ceia do Senhor?

I Coríntios 11.28 – Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e beba do cálice. Aquele que deseja Cear deve:

  • Examinar a sua consciência e se arrepender verdadeiramente diante de Deus;
  • Estar disposto a viver uma nova vida pela fé;
  • Viver em paz e ter o amor de Deus no coração;
  • Acreditar na misericórdia de Deus;
  • Desejar ardentemente a presença do Espírito Santo;
  • Saber que Deus o ama e perdoa seus pecados.

Ao chegar à mesa do Senhor para cear, devemos ter conhecimento e fé do que ela representa. Nós participamos da Ceia não por formalismo ou superstição, mas por reconhecimento e desejo em manter vivo na memória e coração o que Deus fez por nós. I Coríntios 11.26 – De maneira que, cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.

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