Ele vos convencerá…


Em João 16.8-11, Jesus está ensinando aos seus seguidores acerca dos tempos de perseguição que viria sobre eles, após a sua morte. Muitos seriam perseguidos por pessoas que acreditavam estar fazendo a vontade de Deus ao expulsá-los das sinagogas e até mesmo mata-los. Essa é uma palavra que fala a respeito da perseguição religiosa por religiosos que defendem a mesma fé. Aqui não é o mundo que os persegue; os perseguidores são os devotos que aparentam piedade e fé em Deus agindo impiedosamente contra aqueles que discordam de suas práticas religiosas.

Há muita semelhança entre os dias em que viveram os discípulos de Jesus e os dias atuais. Eu observo cristãos perseguindo cristãos, acusando-se mutuamente. Alguns se pudessem matariam outros por sua fé convencidos que estão certos. Mas, quanto engano há entre os cristãos. A ausência do Espírito Santo gerou uma falsa religiosidade camuflada pelas ‘boas obras e aparência’, enquanto a consciência e coração estão tomados pelo orgulho, soberba, arrogância, inveja e ódio.

Jesus disse que enviaria o Espírito Santo com a missão de convencer as pessoas acerca do pecado, justiça e juízo:

  • Do pecado porque muitos têm uma ideia errada sobre Jesus, não creem Nele como Senhor e Salvador, vem o cristianismo como ideologia e filosofia de vida, como fonte de enriquecimento, como fonte curadora e solucionadora de problemas, mas não querem comprometer-se em entregar a vida ao senhorio de Jesus;
  • Da justiça por não entenderem o que é direito e justo. Os discípulos acreditavam na permanência física de Jesus ao lado deles por muito tempo, sentiam-se protegidos por ele, mas para que a justiça de Deus fosse estabelecida e os pecadores justificados, Jesus deveria ir a cruz, morrer, ressuscitar e subir ao Pai;
  • Do juízo porque o diabo e seus anjos já foram condenados para o inferno à condenação final, enquanto aguarda a sentença, a sua obra é arrastar o maior número possível de pessoas para o inferno. Quem crê em Jesus não se ilude com o que satanás pode oferecer porque sabe que ele já está derrotado e condenado. Ele não tem poder para salvar o ser humano do juízo divino e garantir-lhe vida eterna em paz.

Muitos seguidores de Jesus viram milagres acontecer e mesmo assim não criam Nele como o Messias enviado por Deus. O pecado cega o entendimento humano e impede que as pessoas creiam em Jesus. Em João 3.18 diz: – Aquele que crê no Filho não é julgado; mas quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus.

Ao afirmar que a obra do Espírito Santo é convencer a pessoa acerca do pecado, penso o quão errado muitos cristãos estão em relação as acusações que fazem contra outros irmãos que julgam ser pecadores. Essa é uma característica da natureza adâmica decaída no Éden – acusar, julgar e condenar as pessoas ao invés de olhar para si mesmo.

  • Em Gênesis 3.12,13 temos o relato da queda do primeiro casal, Adão e Eva. Ambos erraram, mas quando colocados diante de Deus, primeiro Adão tentou colocar a culpa em Deus dizendo que foi Ele quem lhe deu a mulher; Eva culpa a serpente dizendo que ela lhe enganou. O homem disse: – A mulher que me deste para ser a minha companheira me deu a fruta, e eu comi. 13 Então o SENHOR Deus perguntou à mulher: – Por que você fez isso? A mulher respondeu: – A cobra me enganou, e eu comi.

Ainda hoje, muitas pessoas vivem se defendendo colocando a culpa em Deus, no Estado, na Sociedade, na Família, em alguém. Quando aceitamos a Cristo a situação muda e passamos a entender que o pecado está em nós e que devemos nos corrigir perante Deus ao invés de olhar para os outros como eles fossem pecadores e nós os santos da história.

  • Quando Paulo disse em I Coríntios 11.28, “Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e beba do cálice. ” Fica claro que nós devemos olhar para nós antes de pensar em acusar aos outros. Porém, sem o Espírito Santo isso é algo quase impossível, porque está em nossa natureza achar que os outros estão errados.

A obra do Espírito Santo é convencer a pessoa acerca do seu pecado e não dos outros. Quando alguém é tocado pelo Espírito Santo, ele deixa de olhar para os erros dos outros e se concentra em como ser aceito por Deus. A multidão que ouviu o sermão de Pedro foi tocada pelo Espírito Santo, Atos 2.38 – Quando ouviram isso, todos ficaram muito aflitos e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: – Irmãos, o que devemos fazer?

Quando criamos conceitos sobre o certo e errado sem o Espírito Santo, geralmente nos colocamos acima das pessoas, não enxergamos nossas falhas, o resultado disso é que passamos a dizer que todos estão errados. Conceito errado gera preconceito que pode cegar a mente e tornar a pessoa uma crítica contumaz de tudo que não aprova, sem levar em consideração o pensamento da outra pessoa.

O pecado que Jesus refere nessa passagem não é sobre aqueles que estão vivendo no mundo distantes de Deus, ele está falando para seus seguidores, a palavra é para a sua igreja na atualidade. Eu já vi e ouvi cristãos acusando-se mutuamente uns aos outros sobre pecados; crente orando para Deus convencer outras pessoas sobre determinados assuntos, vida pessoas e ministerial, ao invés de orar ao Espírito Santo para que o convença do seu próprio erro.

  • Quem nunca ouviu outro irmão dizer: “fulano precisa mudar de vida; fulano está errado; fulano precisa se converter; fulano não é crente; etc”. Tais pessoas agem como juízes dos seus irmãos, condenando-os sumariamente sem direito a defesa.
  • Há outros que chegam para os irmãos, principalmente os mais novos na fé e dizem: “olha, você precisa fazer assim e assim…”, eles querem convencer o outro a todo custo que está certo, impõe regras aos outros que eles mesmos não capazes de suportar.

Todo o capítulo 23 de Mateus é dedicado ao sermão que Jesus pregou para a multidão falando acerca dos mestres da Lei e os Fariseus. Eles impunham às pessoas um fardo pesado­­ tornando-as incapazes de alcançar o Reino dos Céus enquanto eles agiam de qualquer maneira sem censura. Versos 4,13: Amarram fardos pesados e os põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos. 13 – Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês fecham a porta do Reino do Céu para os outros, mas vocês mesmos não entram, nem deixam que entrem os que estão querendo entrar.

O mesmo quadro se repete em nossos dias. Há muitos cristãos fariseus, metidos a doutores da Lei, tentando convencer as pessoas que o seu jeito é o correto, que as pessoas devem se sujeitar ao jugo imposto por eles, quando nem eles fazem aquilo que ensinam.

O papel de convencimento é do Espírito Santo. É uma ação direta entre o Espírito e o seu hospedeiro, nenhum cristão pode julgar outra pessoa e convencê-la, isso é função do Espírito Santo. A missão da igreja nunca foi convencer pessoas, mas pregar o evangelho e deixar que o Espírito faça o seu papel.

Não estou dizendo que a igreja não deve ensinar ou aconselhar as pessoas. Isso nós podemos fazer, faz parte do ensino que Jesus citou em Mateus 28.20a – e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. O que não devemos fazer é impor, no sentido de obrigar ou convencer, as pessoas que elas estão erradas quando elas não sentem que erraram.

Os seguidores da lei, nos tempos de Jesus, tinham um conceito errado em relação ao pecado porque não criam em Jesus como o Messias enviado por Deus. Em nossos tempos muitos religiosos também estão enganados acerca do pecado, principalmente aqueles que se preocupam mais em citar as falhas dos outros do que as suas próprias, Mateus 7.4,5: Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? 5 Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão.

A nossa posição diante de Deus deve ser como a salmista, orar ao Senhor e pedir que examine o nosso coração e nos convença do pecado, Salmos 139.23,24: Ó Deus, examina-me e conhece o meu coração! Prova-me e conhece os meus pensamentos. 24 Vê se há em mim algum pecado e guia-me pelo caminho eterno.

As vezes nos enganamos em relação ao que lemos até nas Escrituras Sagradas, a falta de interpretação e cuidado teológico conduz muitas pessoas ao erro exegético. Leem uma passagem bíblica e aplicam-na sem nenhum critério, causando danos a si próprio e a outras pessoas.

A justiça de Deus é o ato de tornar justo, puro, o pecador. Deus em sua misericórdia concede perdão a todos aqueles que se arrependem, enquanto muitos cristãos não são capazes de perdoar como deveriam. Temos dificuldades em aceitar o pecador arrependido, só podemos fazê-lo quando estamos cheios do Espírito Santo, pois o Espírito nos convence da justiça. Nenhum pecador pode questionar a Deus sobre seu critério de justiça, pois Deus não vê como nós, ele conhece as pessoas no mais profunda de suas vidas.

Além da nossa falta de compreensão acerca do pecado e da justiça, também temos dificuldades para compreender o juízo sob a visão divina. Jesus disse que o diabo já está julgado, do mesmo modo todos aqueles que decidiram entregar suas vidas ao domínio de satã estão condenados com ele. O inferno não foi criado para o ser humano, mas para o diabo e seus anjos, que já estão condenados. Porém, os homens que se entregam ao seu domínio também serão lançados no inferno, Mateus 25.41:  Depois ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: “Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos!

Ao celebrarmos a Ceia do Senhor, a minha oração é para que o Espírito Santo venha sobre nós em sua plenitude e mude à nossa maneira de agir, ver, pensar e falar. Que sejamos capazes de compreender o pecado, a justiça e o juízo sob a visão de Deus.

Observo que além da ausência do Espírito Santo em sua plenitude na vida de alguns cristãos, também falta o amor que procede de Deus, esse amor é resultado de uma vida controlada e cheia do Espírito Santo. Quando temos o amor de Deus em nosso coração, deixamos de acusar os outros e passamos a amá-los como Cristo ensinou e então se cumpre o que Jesus disse em João 13.34,35 – Eu lhes dou este novo mandamento: amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros. 35 Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são meus discípulos.

Hoje o coral Teen cantou uma canção com o título “O Dom Mais Precioso é Amor”. A letra dessa música diz o seguinte:

Ainda que eu falasse a língua dos anjos, se não tivesse amor de nada serviria. E tivesse a fé pra mover montanhas, se não tivesse amor de nada adiantaria

Paciente, sofredor. Sempre justo, puro e bom. Não busca interesses
Não guarda rancor. O dom mais precioso é o amor
.

Ainda que eu tivesse o dom de profecia. Se não tivesse amor nada eu teria. Conhecesse os mistério e a ciência. Se não tivesse amor nada eu seria.

Ainda que eu desse o meu corpo para ser queimado. Se não tivesse amor de nada valeria. Mesmo que eu desse aos pobres todos os meus bens. Se não tivesse amor teria um coração vazio

Cantemos assim, o dom mais precioso é o amor. Que eu nunca me esqueça, o dom mais precioso é o amor. Seja o amor a canção, o dom mais precioso é o amor

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