Uma oração poderosa!


A carta de Paulo aos Efésios é uma das quatro cartas escritas por Paulo durante sua prisão em Roma. Enquanto aguardava a sentença que culminou com a sua morte por decapitação em meados dos anos 60 d.C., Paulo ocupou parte do seu tempo escrevendo aos irmãos a fim de fortalece-los na fé em Cristo Jesus. A carta de Éfeso chegou até a igreja pelas mãos de Tíquico (Ef 6.21), um cooperador fiel de Paulo.

Paulo prisioneiro estava impedido de visitar as igrejas e de pregar o evangelho, porém a prisão não o inativou completamente ou impediu que ele exercesse o ministério da oração. É da prisão em meio a sofrimentos que Paulo faz uma das belas orações da Bíblia conforme descrito em Efésios 3.14-21.

O INÍCIO DESTA ORAÇÃO NOS ENSINA COISAS IMPORTANTES:

  • A reverência de Paulo durante a oração (3.14) – Por esse motivo, eu me ajoelho diante do Pai. Os judeus costumavam orar em pé, mas Paulo ora de joelhos numa posição de total submissão. Não estou dizendo que a única maneira de orar seja de joelhos, mas que ao fazê-lo Paulo estava declarando seu reconhecimento e submissão a soberania de Deus.
  • A motivação de Paulo (3.15) – de quem todas as famílias no céu e na terra recebem o seu verdadeiro nome. Ele vê a igreja terrena e celestial como uma mesma família, num sentindo amplo ele apresenta o reinado cósmico da igreja sob um único Deus. Paulo não vê diferenciação entre os que vivem na terra e aqueles que estão na eternidade. Ambos são filhos do mesmo Deus, portanto, membros da mesma família na fé.
  • Paulo se mostra audacioso e convicto ao manifestar o desejo de que Deus atenda sua oração segundo a “riqueza da sua glória”. A glória que Paulo se refere não é um atributo de Deus, mas a plenitude de todos os atributos de Deus. Paulo não deseja apenas parte daquilo que Deus pode oferecer, ele vai além e deseja os ilimitados e inesgotáveis recursos disponíveis por Deus.

O QUE PAULO PEDE EM SUA ORAÇÃO? Versos 16a-19

A oração de Paulo se compara a degraus de uma escada. Cada palavra que ele dirige a Deus, cada petição revela um degrau a mais que Paulo deseja alcançar. O ápice, o ponto mais alto está descrito no verso 19 onde ele diz “Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza. ”

O primeiro pedido de Paulo em sua oração revela uma suplica por poder interior (v.16,17a) – E peço a Deus que, da riqueza da sua glória, ele, por meio do seu Espírito, dê a vocês poder para que sejam espiritualmente fortes. 17 Peço também que, por meio da fé, Cristo viva no coração de vocês.

  • Ele não pede por mudanças nas circunstâncias relacionadas a sua vida ou de outras pessoas. Ele ora pedindo poder. Às vezes ouço pessoas dizendo que estão orando para Deus mudar a vida de outrem quando deveriam orar para Deus mudar as suas vidas.
  • Paulo não demonstra desejo por coisas materiais, o que ele quer é que o seu interior seja preenchido pelo poder de Deus. Ele tem necessidades, desejos e ambição, mas não é influenciado por essas coisas.
  • Ele não quer soluções fáceis para seus problemas, ele deseja poder para enfrenta-los e vencer. Infelizmente, em nossos dias as orações têm mudado o foco e estão mais voltadas a conquistas pessoais, materiais, soluções de problemas e curas, etc. ao invés das coisas espirituais.
  • O poder que Paulo deseja é por meio do Espírito Santo. Não é poder humano é poder espiritual. Esse poder representa a presença de Cristo na vida do cristão morada do Espírito de Deus. Ele deseja mais do que ser habitação do Espírito, Paulo quer a plenitude, ou seja, que o Espírito Santo domine a sua natureza interior.

Em segundo lugar, a oração de Paulo revela uma súplica por uma vida cristã fundamentada e enraizada no amor. Verso 17b, “E oro para que vocês tenham raízes e alicerces no amor”. É uma complementação, um degrau a mais que Paulo deseja alcançar. Ele queria ser cheio de poder do Espirito para ser capaz de amar mais do que amava. As diferenças étnicas, culturais, sociais e econômicas, etc., poderiam causar divisões e confusões e desvirtuar a igreja do seu propósito. A única maneira para evitar uma ruptura na comunhão cristã é a plenitude do amor.

  • Ele deseja que o amor contemple todas as áreas de sua vida. Ele deseja amar tão profundamente quanto uma raiz profunda de uma árvore que a mantém firmada no solo ou a fundação de uma grande construção que não se abala. O amor é uma virtude indispensável para qualquer cristão (I Co 13.1ss).

Em terceiro lugar ele espera que a igreja seja capaz de compreender o amor de Cristo, que todos tenham um amor crescente verticalmente e horizontalmente. Verso 18 – para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade.

  • Segundo a definição de Russel Shedd, a largura do amor de Cristo abrange pessoas de toda tribo, língua, povo e nação. O comprimento aponta para o tempo, desde o Éden até o fim, quando Jesus voltar. A altura declara o amor que vem de cima, do céu. A profundidade mostra o amor disposto a alcançar até os piores pecadores que estejam no mais profundo abismo.
  • Ele fala de um amor que vai além do amor entre irmãos na fé, ele fala sobre o amor que Cristo tem por nós. A compreensão está relacionada ao conhecimento adquirido acerca do amor de Cristo. Mas ele deseja mais do que compreensão teórica, ele quer que a igreja conheça o amor de Cristo, verso 19 – “Sim, embora seja impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza. ”

Em quarto lugar, Paulo deseja que “Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza.Não é algo que possamos compreender naturalmente. Paulo está falando acerca de um nível de espiritualidade que poucos puderam alcançar. Embora em sua transcendência Deus não possa ser contido pelo universo, por intermédio do Espírito Santo podemos ser habitados por Deus. Deus está presente em cada célula do corpo daquele que está em Cristo.

  • O desejo de Paulo é que sejamos cheios da plenitude divina até a plenitude completa de Deus, em sua santidade e glória. Então, nós seremos iguais a Cristo e capazes de amar, pois Deus é amor. João 17.26 – Eu fiz com que eles te conheçam e continuarei a fazer isso para que o amor que tens por mim esteja neles e para que eu também esteja unido com eles. O limite que devemos alcançar é a plenitude de Deus, a Sua natureza divina habitando em nós.

PAULO CONCLUI A SUA ORAÇÃO COM MAIS DOIS ENSINAMENTOS

  • Ele revela a capacidade divina para responder as nossas orações, verso 20 – E agora, que a glória seja dada a Deus, o qual, por meio do seu poder que age em nós, pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos!
  • Deus é poderoso, o seu poder age em nós. Deus não é um ser ocioso, preguiçoso, inanimado, inativo, surdo e sem mobilidade. Deus tem ouvidos para ouvir o clamor dos necessitados. Ele fala ao seu povo claramente.
  • O poder de Deus vai além do que pedimos, pois Ele sabe o que pensamos. As expectativas divinas estão além da nossa compreensão.
  • O louvor de Paulo exalta a grande de Deus na igreja. Verso 21 Glória a Deus por meio da Igreja e por meio de Cristo Jesus, por todos os tempos e para todo o sempre! Amém!
  • Deus é o único que merece receber a glória na igreja por todas as gerações. A igreja é a representação da glória de Deus, o lugar onde Deus se manifesta e revela a sua natureza. A maneira como vivemos contribui para que a glória de Deus se torne conhecida por outras pessoas, desde os tempos remotos até a eternidade.

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