A rebelião de Corá


Ai deles! Pois seguiram o caminho de Caim, buscando o lucro caíram no erro de Balaão, e foram destruídos na rebelião de Corá. Judas 11

Judas fala no verso 11 sobre três pecados de apostasia que ocorreram na história do Antigo Testamento. Esses mesmos pecados ocorrem são comuns na igreja atual, principalmente entre os falsos mestres e pessoas que rejeitam a verdadeira fé cristã e buscam fundamentar suas verdades com base no conhecimento filosófico e religioso, conhecidos na época em a carta foi escrito como gnósticos.

Vamos falar sobre o pecado de rebelião praticado por Corá que se voltou contra Moisés e Aarão, autoridades constituídas por Deus entre o povo de Israel. O resultado dessa rebelião causou danos irreparáveis entre o povo.

I – QUAIS SÃO AS CAUSAS DA REBELIÃO?

1º – Pouca valorização da saúde espiritual da congregação. A rebelião geralmente ocorre em duas etapas:

A primeira é secreta, onde entra o espírito de conspiração. Nessa etapa secreta, Corá não valorizou a saúde espiritual da congregação de Israel, mas se ocupou em propagar uma enfermidade espiritual dentro da congregação. Corá não se rebelou apenas, mas procurou seguidores dentro da congregação,

  • Números 16.1,2 – Corá, filho de Isar, do grupo de famílias levitas de Coate, teve o atrevimento de se revoltar contra Moisés. Ele se juntou com três homens da tribo de Rúben. Dois deles eram filhos de Eliabe e se chamavam Datã e Abirão; o outro era Om, filho de Pelete. E Corá também chamou mais duzentos e cinqüenta israelitas de fama, que eram líderes escolhidos pelo povo.

A segunda é pública. Nela o foco principal é proclamar seus pontos de vista divergentes. Corá procurou reunir o grupo dos levitas e dos rubenitas, ou seja, ele recorreu a parte da congregação, transmitindo a cada pessoa suas queixas e descontentamentos contra os líderes, propiciando o pecado e a murmuração.

O mesmo ocorre na igreja de Cristo, quando um membro discorda de uma posição da liderança e ao invés de buscar orientação espiritual conversando com o líder, prefere canalizar suas queixas ou descontentamento para outras pessoas.

2º – Pouca valorização do trabalho dos ministros colocados por Deus para servir a Igreja. Corá e seus seguidores questionam e desprezam a autoridade espiritual de Moisés e Aarão, eles queriam interromper o serviço ministerial deles, Número 16.3 – Eles foram juntos falar com Moisés e Arão e disseram: – Agora chega! Todo o povo pertence a Deus, o SENHOR. Cada um deles é de Deus, e o SENHOR está no meio deles. Então por que vocês querem mandar no povo de Deus?

3º – Uma falsa presunção de santidade. Corá e seus seguidores no processo de rebelião apresentaram uma acusação infundada contra Moisés e Aarão, Números 16.3 (RA) – “…. Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles …”

A reação de Moisés é um belo exemplo de como o cristão deve agir quando acusado injustamente. Ele permaneceu calmo porque sabia que ele e Aarão foram escolhidos por Deus:

  • Primeiro, Moisés se dirige a Deus em oração buscando com prudência o que deveria dizer e fazer, Números 16.4 – Quando Moisés ouviu isso, ajoelhou-se, encostou o rosto no chão.
  • Segundo, Moisés põe Deus por Juiz entre ele, Aarão e os acusadores, Números 16.5-7 – e disse o seguinte a Corá e a todos os seus seguidores: – Amanhã cedo o SENHOR Deus nos mostrará quem é dele e quem foi separado para o seu serviço. Deus fará com que chegue até o seu altar aquele a quem ele escolheu. 6,7 – Amanhã cedo vocês e os seus seguidores pegarão os queimadores de incenso, colocarão brasas e incenso neles e os levarão para o altar. Então veremos qual de nós o SENHOR escolheu. E agora chega, levitas!

4º – Inconformidade com o que Deus tem dado. Ele procura fazer Corá e seu grupo entender o grande pecado que estavam cometendo. Corá estava menosprezando o ministério que Deus havia concedido aos levitas, Números 16.9-10a – O Deus de Israel os separou do resto do povo para poderem chegar perto dele, para fazerem o seu serviço na Tenda do SENHOR e para realizarem as cerimônias em favor do povo. Será que isso não basta para vocês? 10 Deus deu a você e a todos os outros levitas esse privilégio

  • Devemos ter o cuidado para não desprezar o que Deus nos tem dado e passar a desejar o ministério que Deus deu a outros. Corá estava invejando o sacerdócio que Deus havia dado a Aarão e seus filhos, Números 16.10b – e agora vocês estão querendo também ser sacerdotes?

II – OS PERIGOS DA REBELIÃO

Moisés mostra a Corá que a sua rebelião e murmuração é contra Deus, Números 16.11 – Quando vocês reclamam contra Arão, na verdade é contra o SENHOR que você e os seus seguidores estão se revoltando.

Moisés busca a reconciliação convocando os que acompanharam Corá em sua rebelião para escutar suas reclamações, porém, eles trataram Moisés com desrespeito e insolência, Números 16.12 – Então Moisés mandou chamar Datã e Abirão, filhos de Eliabe, mas eles responderam aos mensageiros: – Nós não vamos!

  • Devemos agir e falar acerca dos líderes cristãos com respeito e honra, tanto no privado quando no público. Deus nos ensina a maneira como devemos tratar nossas diferenças com os irmãos da congregação, I Timóteo 5.1,2 – Não repreenda um homem mais velho, mas o aconselhe como se ele fosse o seu pai. Trate os homens mais jovens como irmãos, 2 as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza.

Quando o crente age com espírito de rebeldia contra seus líderes, acaba perdendo o foco na vida cristã. Os rebeldes do caso de Corá estavam concentrados em reclamar e exigir o que esperavam receber de Deus, Números 16.13,14 – Será que não basta você nos ter tirado de uma terra boa e rica a fim de nos fazer morrer neste deserto? E além disso ainda quer mandar em nós? 14 Na verdade você não nos trouxe para uma terra boa e rica, nem nos deu campos e plantações de uvas para serem nossa propriedade; e ainda por cima está querendo nos enganar. Nós não vamos!

  • Os rebeldes esqueceram que eles mesmos eram os culpados por não estarem na terra prometida. Deus os conduziu até a fronteira da terra prometida e eles por incredulidade recusaram tomar a posse da terra, Números 13.31 – Porém os outros que tinham ido com ele disseram: – Não. Não podemos atacar aquela gente, pois é mais forte do que nós; 14.1-3 – Então, naquela noite, todo o povo gritou e chorou. 2 Todos os israelitas reclamaram contra Moisés e Arão e disseram: – Seria melhor se tivéssemos morrido no Egito ou mesmo neste deserto! 3 Por que será que o SENHOR Deus nos trouxe para esta terra? Nós vamos ser mortos na guerra, e as nossas mulheres e os nossos filhos vão ser presos. Seria bem melhor voltarmos para o Egito!

Quando as pessoas persistem na rebelião contra seus líderes, acabam atraindo o juízo sobre a congregação, pois chegará o tempo em que Deus irá intervir como Juiz, Números 16.16-17 – Aí Moisés disse a Corá: – Amanhã você e os seus duzentos e cinqüenta seguidores venham até a Tenda Sagrada. Arão também estará ali. 17 Cada um de vocês pegará o seu queimador de incenso, colocará incenso nele e o levará até o altar.

  • Corá e seu grupo de rebeldes aceitaram apresentar-se com ofertas de paz diante de Deus, sem considerar a condição de rebeldia em seus corações, Números 16.18 – Assim, cada homem pegou o seu queimador de incenso, pôs brasas e incenso nele, e todos ficaram na entrada da Tenda Sagrada com Moisés e Arão.
  • O pior ainda é que eles fizeram a congregação concordar com eles e também convidaram o povo para presenciar o sacrifício que ofereceriam, Números 16.19-21 – Então Corá reuniu todo o povo, e eles ficaram diante de Moisés e Arão na entrada da Tenda. De repente, a glória do SENHOR apareceu a todo o povo, 20 e o SENHOR disse a Moisés e a Arão: 21 – Saiam do meio dessa gente, pois eu vou acabar com eles agora mesmo.
  • Deus indica a sua disposição de disciplinar os rebeldes e a todos os que se identificavam com eles, Números 16.19b-20, De repente, a glória do SENHOR apareceu a todo o povo, 20 e o SENHOR disse a Moisés e a Arão:

Moisés e Aarão mostram maturidade espiritual e intercedem diante de Deus em favor da congregação, Números 16.22 – Mas Moisés e Arão se ajoelharam, encostaram o rosto no chão e disseram: – Ó Deus, tu dás vida a todos. Será que por causa do pecado de uma só pessoa vais ficar irado com todo o povo?

  • Embora a congregação tenha abandonado, traído e seguido os rebeldes contra Moisés e Aarão, eles não deixaram de cumprir seu ministério pastoral quando viram que o povo estava sob perigo. Pastores e Líderes aprovados por Deus seguem desejando e procurando o bem estar do povo mesmo quando eles agem com rebeldia.

III – AS CONSEQUÊNCIAS DA REBELIÃO

Deus julga exemplarmente os rebeldes. Embora tenha atendido ao clamor de Moisés e Aarão em favor da congregação, Deus aplicou a disciplina sobre os líderes rebeldes.

  • A congregação foi admoestada publicamente para se apartar dos rebeldes, Números 16.23-27 – Então o SENHOR respondeu a Moisés: 24 – Diga ao povo que saia de perto das barracas de Corá, Datã e Abirão. 25 Aí Moisés saiu e, junto com os líderes do povo, foi para onde estavam Datã e Abirão. 26 E Moisés disse ao povo: – Afastem-se das barracas desses homens maus e não toquem em nada que seja deles; se não, vocês também serão destruídos por causa dos pecados deles. 27 Aí o povo se afastou das barracas de Corá, Datã e Abirão. Datã e Abirão saíram e ficaram na entrada da sua barraca, com as suas mulheres e filhos.
  • REBELIAO DOS FILHOS DE CORADeus pela boca de Moises pronuncia a sentença de juízo exemplificador aos líderes da rebelião, Números 16.27b-34 – Datã e Abirão saíram e ficaram na entrada da sua barraca, com as suas mulheres e filhos. 28 Então Moisés disse ao povo: – Eu vou dizer como vocês vão ficar sabendo que não fui eu quem resolveu fazer tudo isso. Fiz todas essas coisas porque o SENHOR mandou. 29 Se estes homens tiverem morte natural como todos os outros, sem nenhum castigo de Deus, então o SENHOR não me enviou. 30 Mas, se ele fizer acontecer alguma coisa fora do comum, e se a terra se abrir e engolir essa gente com tudo o que eles têm, e eles descerem vivos para o mundo dos mortos, vocês ficarão sabendo que estes homens rejeitaram o SENHOR. 31 E aconteceu que, assim que Moisés acabou de falar, a terra se abriu debaixo deles 32 e os engoliu com as suas famílias, junto com todos os seguidores de Corá e tudo o que eles tinham. 33 Assim, desceram vivos para o mundo dos mortos, eles e tudo o que possuíam. A terra os cobriu, e eles desapareceram. 34 Ao ouvirem os gritos deles, todos os israelitas que estavam ali saíram correndo e gritando: – A terra vai engolir a gente também!

Deus rejeitou a oferta dos rebeldes. Enquanto Deus executava o juízo a dois dos líderes da rebelião em suas próprias tendas, no tabernáculo se encontravam os aspirantes aos sacerdócios com seus incensos em mãos. Deus executou juízo de morte sobre o grupo, para mostrar que recusou o sacerdócio deles, Números 16.35 – Então o SENHOR enviou fogo e matou os duzentos e cinqüenta homens que haviam oferecido incenso. Com esse juízo Deus estava manifestando duas coisas:

  • Deus é zeloso naquilo que institui;
  • Deus não permitirá que nenhum usurpador de seu sacerdócio fique sem castigo.

Deus perpetuou uma recordação negativa na congregação ao assegurar que esse juízo aplicado contra os rebeldes seria lembrado para sempre pela congregação. Deus impôs as seguintes instruções sobre os incensários:

Primeiro. Deus ordenou que jogassem longe do altar o fogo e o incenso que foram oferecidos pelos rebeldes, em sinal de reprovação porque era fogo imundo, Números 16.36-38a – Aí o SENHOR Deus disse a Moisés: 37 – Diga a Eleazar, filho do sacerdote Arão, que pegue os queimadores de incenso do meio dos restos do incêndio e espalhe para longe as brasas que ainda estiverem neles, pois os queimadores de incenso são sagrados. 38 Eles ficaram sagrados quando foram oferecidos no altar do SENHOR.

Segundo. Deus ordena conservar os incensários e usá-los para reforçar e adornar o altar onde os rebeldes se atreveram a ministrar, Números 16.38b-40 – Portanto, pegue os queimadores de incenso desses homens que foram mortos por causa dos seus pecados e deles faça folhas finas de metal. E com essas folhas prepare uma cobertura para o altar. Isso será um aviso para o povo de Israel. 39 Então o sacerdote Eleazar pegou os queimadores de incenso de metal que os homens que tinham sido mortos haviam trazido e mandou que deles fossem feitas folhas de metal para cobrir o altar. 40 Conforme o SENHOR tinha dito a Moisés, isso ficou sendo um aviso para os israelitas a fim de que nenhuma pessoa que não seja descendente de Arão venha a queimar incenso diante do SENHOR e seja castigada, como aconteceu com Corá e com os seus seguidores.

IV – CONSELHOS PARA NÃO CAIR NO ESPÍRITO DA REBELIÃO DE CORÁ

  • Concentre-se em desenvolver bem o seu ministério sem compará-lo com os demais, lembre-se que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
  • Não espere satisfação alcançando autoridade ou posições elevadas dentro da liderança da igreja, sinta satisfação agradando a Deus em qualquer posição que Deus te coloque.
  • Nunca menospreze o ministério que Deus te deu, nem anele o ministério que Deus deu a outro irmão. Deus é o dono da obra e Senhor da igreja, Ele coloca cada um de nós aonde acha conveniente.
  • Aprenda a confiar nos líderes espirituais postos por Deus na congregação, certamente eles desejam o melhor para a igreja e estão fazendo o melhor que podem para agradar a Deus.
  • Ore por seus líderes, para que Deus lhes dê sabedoria necessária em cada situação e espero no Senhor a quem todos prestaremos contas do ministério  recebido.

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