O Autoexame no Exercício da Fé


A fé em Cristo é um exercício diário, constante, e que se manifesta em nossas vidas todos os dias. A Vida em Cristo, e a Unidade com o Criador, se manifestam nos lugares onde vivemos e por onde passamos, nos comportamentos e ações que apresentamos, em como lidamos com a realidade à nossa volta, e nas nossas motivações mais íntimas. Tudo isso constrói a nossa identidade para o mundo.

Então, é possível afirmar que o exercício diário da nossa fé é percebido pelas pessoas ao nosso redor, e pode afetá-las efetivamente. Contudo, por mais que nossa Unidade com o Criador seja manifesta em nossa vida fraternal, a Bíblia deixa de forma clara que a Salvação e as decisões que tomamos são individuais.

  • “Porque cada pessoa deve carregar a sua própria carga.”Gálatas 6:5
  • “Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.”Romanos 14:12

Embora a fé seja aparentemente perceptível a outras pessoas através de ações, ela se manifesta, verdadeiramente, no nosso interior. Cristo deixou isso claro em Lucas 21:1-4 e Marcos 21:41-44, quando, em meio a ricas ofertas, afirmou que a viúva pobre deu mais do que todos.

Não é possível, baseado simplesmente na nossa percepção, dizer com toda certeza que “esta pessoa tem muita fé”, uma vez que não podemos ver o que está dentro do coração desta pessoa, e não compete a nós julgá-la. O íntimo de nossos corações, mesmo que não esteja visível para nós mesmos, sempre está exposto como um livro aberto para Deus:

  • “Então Jesus disse a eles: — Para as pessoas vocês parecem bons, mas Deus conhece o coração de vocês. Pois aquilo que as pessoas acham que vale muito, não vale nada para Deus.” Lucas 16:15

Assim, se quisermos saber se nossa fé de fato está instalada, e não apenas afirmamos que temos da boca para fora, repetindo até que não saibamos mais se é verdade ou não, devemos olhara para nosso interior.

O processo de autoexame faz parte integral da nossa Vida em Cristo, e deve ser um processo constante em nosso comportamento.

  • “Se examinássemos primeiro a nossa consciência, nós não seríamos julgados pelo Senhor.” I Coríntios 11:31
  • “Que cada pessoa examine o seu próprio modo de agir! Se ele for bom, então a pessoa pode se orgulhar do que fez, sem precisar comparar o seu modo de agir com o dos outros.” Gálatas 6:4

O autoexame dói. É parte da natureza humana sentir desconforto quando vemos nosso reflexo. E como mecanismo de defesa de nossa mente, não levamos esse processo até o fim, seja porque não nos permitimos ser honestos com nós mesmos, ou porque evitamos fazer as perguntas que realmente importam.

Para vencermos essa barreira natural de nossas mentes, podemos estabelecer uma sequência de perguntas, e nelas, assumir o compromisso de nos permitirmos ser completamente honestos com nós mesmos.

1. Quem Sou Eu?

1.1        Ambiente

A primeira pergunta dessa série que nos convido a fazer é: “Onde estou?

Esta pergunta refere-se não apenas ao espaço, mas também ao tempo. De que momento estamos falando? Ontem? Mês passado? Ou estamos falando de hoje?

Uma vez tendo nos localizado no tempo, vemos o espaço que ocupamos. Podemos nos referir a lugares como escola, trabalho, nossa casa, nosso restaurante favorito, no trânsito, no ônibus, no trem, andando na rua, et cetera.

1.2        Comportamento

Uma vez tendo definido os espaços que ocupamos, a pergunta que devemos fazer é: “O que estou fazendo?

Nossas ações e comportamentos tem impacto direto no nosso ambiente, seja por adequação, ou transformação.

Dar risada em um velório pode ser um comportamento inadequado, enquanto dar risada assistindo um filme de comédia é algo esperado e adequado.

Agora, se um ambiente está sujo, e nosso comportamento consiste em contribuir com a sujeira, ou simplesmente não fazer nada, este ambiente permanecerá em seu estado e tendência atual. Contudo, se nosso comportamento for de pegar um rodo, um balde com desinfetante, e um pano, e limpar este ambiente, ele será positivamente transformado.

1.3        Capacidade

Agora que identificamos nosso comportamento e nossas ações, perguntem a si mesmos: “Como estou fazendo isso?

Quais ferramentas, sejam materiais ou mentais, estou utilizando para concretizar minhas ações e manifestar meu comportamento? Podemos nos referir a coisas mais objetivas, como inteligência, força física, e capacidade de comunicação. Além disso, podemos nos referir também a coisas mais subjetivas, como a capacidade de motivar ou manipular, de inspirar ou de coagir, nossa capacidade de amar e odiar, de perseverar ou invejar.

1.4        Crença/Motivação

Vamos juntar tudo o que descobrimos sobre nós mesmos até agora e nos perguntar: “Por que estou fazendo isso?

Permitam-se ser honestos consigo mesmos. Este é um exercício de autoexame, e não um julgamento público. Apenas você e Deus saberão a resposta que você encontrará.

Novamente, olhemos para nosso interior, com honestidade, transparência, e amor, refletindo: “Por que realmente estou fazendo isso?

É neste momento em que você se permite perguntar se suas ações estão realmente pautadas no amor, ou se o que buscamos é a satisfação pessoal.

1.5        Identidade

Depois de respondermos a todas essas perguntas, podemos chegar à nossa conclusão: “Quem sou eu?

Se nos permitirmos identificar o que realmente está por trás do que fazemos, podemos chegar a quem somos de verdade, e não quem imaginamos ser. E novamente voltamos ao livro de Lucas, no trecho que lemos anteriormente:

  • “Então Jesus disse a eles: — Para as pessoas vocês parecem bons, mas Deus conhece o coração de vocês. Pois aquilo que as pessoas acham que vale muito, não vale nada para Deus.” Lucas 16:15

Você pode dizer agora, depois de se autoexaminar, que é bom? Você pode dizer agora que é um com o Cristo?

2.      Quem Quero Ser?

Quando aprendemos sobre nós mesmos, é comum encontrar coisas que geram desconforto, e coisas que desejamos mudar. Então, convido vocês a juntos traçarmos uma estratégia para transformarmos positivamente e nos tornarmos mais próximos ao que almejamos. Para isso, repetiremos o processo de autoexame, mas na ordem inversa.

2.1        Identidade

O primeiro passo é responder à pergunta: “Quem eu quero ser?

Quero ser bom? Quero ser amoroso? Quero ser um com o Cristo?

Defina a nova identidade que você quer adotar de forma simples, objetiva e clara.

2.2        Crença/Motivação

Depois, pergunte a si mesmo, lembrando de ser completamente honesto em todo o processo: “Por que eu quero ser assim?

Neste momento é fácil usar uma negativa como resposta, ou algo que te remeta ao estado atual indesejado, como:

– “Porque não quero mais ser assim”; ou

– “Porque eu quero ser diferente”.

Para assumir uma nova identidade é necessário fazer uma renovação completa. Pense adiante, e sempre em motivações na afirmativa – sem usar a palavra “não”. Se seu objetivo é se tornar um com o Cristo, sua motivação pode ser: “porque ele me amou.”

2.3        Capacidade

Tendo sua motivação bem clara, pergunte-se: “O que preciso aprender?

É possível que, para que sua vida entrasse no caminho onde você deseja, não apenas era necessário reavaliar nossas motivações. É natural que nossas ações sejam limitadas por nossas capacidades atuais, e expandir essas capacidades é a chave para adquirirmos novos comportamentos e sermos capazes de fazer mais. Contudo, só podemos fazer isso se nos permitirmos reconhecer que sempre precisamos aprender.

“A aprendizagem é qualquer mudança relativamente permanente no comportamento, e que resulta de experiência ou prática.” Introdução à Psicologia – C.T. Morgan

2.4        Comportamento

Considerando sua nova motivação, e novas ferramentas que você irá adquirir, pergunte-se: “O que farei?

E é nesse ponto em que saímos do campo das ideias e passamos a botar a mão na massa.

Através de seus novos comportamentos, ou de ações específicas, baseadas em novos conhecimentos e uma motivação alinhada com o Cristo, você poderá ver uma transformação manifesta através do exercício dessa fé renovada.

2.5        Ambiente

Concluiremos então com duas perguntas: “Onde?” e “Quando?

Onde você aplicará esses novos comportamentos e realizará as novas ações? E quando você o fará?

Deixo vocês com uma sugestão de resposta para essas perguntas: quando estamos falando de uma Vida em Cristo, em todo lugar e a todo momento manifestamos a Glória do Criador em nossa vida.

Que a Paz Profunda d’Ele esteja convosco.

Escrito por Abner Almeida, 24 de Dezembro de 2017

 

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