Vinho novo em odre velho…


A passagem bíblica em Lucas 5.36-39, também citada em Mateus 9.16,17 e Marcos 2.21-22, é uma das passagens bíblicas mais emblemática citada nos evangelhos. Jesus faz a comparação entre dois sistemas religiosos, o velho e o novo:
O velho sistema religioso era caracterizado pela aparente humildade, tristeza demonstrada na prática do jejum e sujeição as leis e regras estabelecidas desde os tempos de Abraão e Moisés;
O novo sistema religioso ensinado por Jesus Cristo e os apóstolos tem como principais características a liberdade isenta do ritualismo, cerimonialismo e outros elementos contidos na religião judaica.
Jesus se refere ao pano e vinho novo como símbolos da nova religião e compara o judaísmo do Antigo Testamento ao tecido e odre velho. Em seu ministério terreno, Jesus demonstrou inconformismo com o sistema religioso predominante, principalmente com as suas práticas ritualísticas e imposições. A questão não era cumprir ou deixar de cumprir a lei, mas de interpretá-la sob uma nova ótica. O próprio Jesus declarou que veio para cumprir a lei (Mateus 5.17,18).
Nos dias do ministério terreno de Jesus o sistema religioso judaico era como o odre velho, cheio de regras como o jejum obrigatório (a pessoa tinha que mostrar a outras que estava jejuando), leis e regras rígidas que escravizavam o espírito da pessoa. Jesus apresenta um novo sistema religioso onde há vida, alegria, liberdade quanto aos rituais. A pessoa não precisaria sacrificar um animal inocente para se relacionar com Deus, bastaria adorar a Deus em espírito e em verdade.
Jesus deixou claro que não seria possível misturar os dois sistemas religiosos, as tradições, leis e ritos do Antigo Testamento são totalmente diferentes da liberdade de adoração sem ritos e cerimônias do Novo Testamento. Do mesmo modo que o odre velho se rompe com o vinho novo, o judaísmo se romperia com o novo sistema estabelecido por Jesus.
O que Jesus quis dizer quando afirmou que “o vinho velho é melhor”? Embora somente Lucas registre essa frase, ela mostra o preconceito judaico em experimentar o novo. Eles estavam acostumados com o sistema, algumas tradições eram milenares. Sair daquele sistema onde tudo funcionava na perfeita ordem era correr o risco de perder suas tradições.

  • Jesus estava lhes oferecendo a chance de algo novo e mais perfeito, com liberdade, mas os judeus diziam: Porque experimentar o novo, se o velho é bom? As bênçãos que Cristo oferece estavam disponíveis para todos, mas eles optaram por permanecer no antigo sistema porque não queriam abrir mão de um sistema falido para o novo modelo de Jesus.

A mensagem que Jesus apresentou era revolucionária para os religiosos da sua época e até para os nossos dias:

  1. Os discípulos de Jesus são livres, desprovidos de qualquer religiosidade. João 8.36 – Se o Filho os libertar, vocês serão, de fato, livres.
  2. O sistema que Ele propõe uma religião leve focada mais na relação com Deus do que com os sistemas religioso antigo, Atos 5.29 – Então Pedro e os outros apóstolos responderam: – Nós devemos obedecer a Deus e não às pessoas.
  3. O novo sistema de Jesus faria explodir o odre velho da antiga religião, Lucas 12.49 – Jesus continuou: – Eu vim para pôr fogo na terra e como eu gostaria que ele já estivesse aceso! 51 Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo a vocês que não vim trazer paz, mas divisão. 52 Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três.

Por que Jesus disse que não veio trazer paz, mas divisão? Novas verdades causam controvérsias e as controvérsias tendem à divisão, a divisão pode levar ao avanço na verdade. O evangelho de Cristo não é uma extensão do judaísmo, “o antigo legalismo e o cerimonialismo não poderiam jamais ser usados como ‘vasos’ da nova espiritualidade” (enciclopédia milenium).

  • Gálatas 1.7-8. Na verdade não existe outro evangelho, porém eu falo assim porque há algumas pessoas que estão perturbando vocês, querendo mudar o evangelho de Cristo. 8 Mas, se alguém, mesmo que sejamos nós ou um anjo do céu, anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que temos anunciado, que seja amaldiçoado!

O movimento que Jesus levantou é diferente, novo e crescente. Não há limites para a expansão do evangelho de Cristo. É irracional tentar confinar o evangelho a modelos religiosos que não foram feitos para ele. Um dos princípios do evangelho é a liberdade que ele oferece aos homens para adorar a Deus.

  • Romanos 8.21,22 – Mas agora Deus já mostrou que o meio pelo qual ele aceita as pessoas não tem nada a ver com lei. A Lei de Moisés e os Profetas dão testemunho do seguinte: 22 Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo. É assim que ele trata todos os que crêem, pois não existe nenhuma diferença entre as pessoas. 23 Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. 24 Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva.

 

QUAL A APLICAÇÃO DESSA PASSAGEM PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA?
Primeiro devemos compreender que o texto se aplica a dois tipos de pessoas:

  1. Aquelas que acreditam que foram transformadas. São aquelas pessoas que demasiadamente religiosas, ritualistas, cheias de tradições, superstições e misticismo, elas são capazes de cometer grandes sacrifícios achando que estão agradando a Deus, mas ignoram os princípios elementares do Reino. Exemplo: os discípulos de João e os fariseus, seguidores da lei, o antigo pacto. Mateus 23.13-33. V. 27 – Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão. 28 Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados.
  2. Aqueles que tem consciência que necessitam ser transformadas. Pecadores que seguem a Jesus e almejam ter suas vidas transformadas pelo evangelho. João 6.68,69 – Simão Pedro respondeu: – Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! 69 E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou.

Em segundo lugar que há três coisas importantes para aprender nessa passagem:

  1. Tem mudanças que ocorrem somente na aparência. São pessoas que aparentam aderir a certas ideias, mas que tem bloqueio mentais que impedem de viver o novo de fato;
  2. As mudanças de vida obedecem a mudança de mentalidade. Se não houver renovação na mente, cedo ou tarde a pessoa retorna ao seu mundo anterior;
  3. Novos conceitos sobrevivem apenas em mentes renovadas. Uma mente capaz de ser transformada, que esteja aberta para novas ideias, geram mudanças permanentes.

Em terceiro lugar, as resistências internas ou mentais, são as causas que impedem as pessoas mudarem para experimentar o novo. Isso exige atitude que reflita na maneira de viver. Veja nove passos que podemos dar em direção o novo de Deus para a nossa vida, família e igreja:

  1. É preciso superar a ignorância. A ignorância é que nos faz colocar o vinho novo no odre velho, ou seja, novas ideias nas velhas mentes.
  2. É necessário superar os costumes. Os discípulos de João e os fariseus jejuavam por costumes. A maioria das pessoas se apegam ritualmente com facilidade a costumes que com o tempo se tornam hábitos religiosos.
  3. É necessário superar o legalismo. O legalismo que me refiro é a atitude de algumas pessoas em dar mais importância as aparências. Quando focamos somente nas aparências, as mudanças ocorrem apenas exteriormente, não há mudança interior.
  4. É necessário superar a teimosia. Estamos falando de atitudes de capricho e orgulho religioso. Colocar o vinho novo em odre velho é teimosia, nós sabemos que o odre se romperá e o vinho se perderá.
  5. É necessário superar o medo. O medo surge em nós por causa do temor ao fracasso e as incertezas. Por isso Jesus afirmou no verso 39 – E ninguém quer vinho novo depois de beber vinho velho, pois diz: “O vinho velho é melhor.”
  6. É necessário tentar coisas novas. É fácil desejar o vinho velho (v.39) porque já experimentamos dele, mas, o velho vai passar e se não tivermos vinho novo em odres novos, não teremos mais vinhos.
  7. É preciso superar o apego pelo antigo ou passado. As vezes devemos deixar de lado o remendo e buscar um novo vestido, substituir o odre velho por um novo para que o vinho não cesse.
  8. É necessário superar a impotência. Geralmente quando estamos diante de um novo desafio, vamos logo dizendo “eu não posso, eu não sei, eu não aceito, etc…”. Essa expressão “eu não …” é o que debilita o sim ao novo em nossa vida. Os fariseus se acostumaram com um modelo religioso onde tudo se baseava no “eu não posso…”.
  9. É preciso superar a incoerência. O segredo está na harmonização: vinho velho no odre velho, remendo velho no vestido velho; vinho novo no odre novo, remendo novo em vestido novo.

A mudança exige novidade. A mensagem do reino pregada por Jesus era como um vinho novo para seus ouvintes. Jesus sabia que aqueles que beberam do vinho velho jamais iriam querer o novo, os judeus estavam acostumados ao seu padrão religioso, mas haviam pessoas em trevas que nunca experimentaram a graça de Deus. Jesus Cristo veio para que esse povo soubesse que há um novo jeito de se aproximar de Deus, sem a necessidade de ritos, regras ou padrões religiosos.

  • Mateus 4.16 – O povo que vive na escuridão verá uma forte luz! E a luz brilhará sobre os que vivem na região escura da morte!” 17 Daí em diante Jesus começou a anunciar a sua mensagem. Ele dizia: – Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do Céu está perto!
  • Isaias 9.2 – O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas.

Somente odres novos resistem ao vinho novo porque o seu coro está preparado para o vigor e amadurecimento do novo. O evangelho significa ‘boas novas’, tudo que procede de Deus é sempre novo e para receber é necessário odres novos.
Toda mudança verdadeira exige que as pessoas se abram para o novo, para coisas que nunca experimentaram antes. O vinho novo é nova mentalidade que devemos ter em Cristo e os odres novos são nossos corações.
Duas verdades que não podemos esquecer jamais:

  • Velhos conceitos e velhas maneiras de fazer as coisas dificilmente prosperam quando há mentes renovadas.
  • Novos conceitos e novas maneiras de fazer as coisas dificilmente prosperam quando há mentes envelhecidas.

Temos que estar dispostos a uma nova mentalidade se queremos que o reino de Deus produza mudanças em nossas vidas, nosso lugar, nossa igreja e nossa comunidade. Para que isso ocorra é necessário:

1º. Ter consciência que a mudança é necessária;
2º. Não adiar mais a mudança;
3º. Estar disposto a renunciar as coisas passadas;
4º. Abrir a mente para o novo.

Nós estamos vivendo, como foi dito recentemente no Encontro com Líderes, um momento de transição, um tempo para quebrar velhos modelos e adquirir novos modelos que vem do coração de Deus.

  • Não esqueça: Vinho novo em odres novos. O novo de Deus em uma mente nova, transformada e renovada.

Ontem eu recebi uma mensagem no WhatsApp do diácono Alex sobre três mensagens proféticas do Apostolo Fernando Aragon sobre essa casa. A primeira dizia que “Deus trará um tempo novo sobre a sua igreja”, base bíblica em Isaias 43.16-21. “O deserto por onde a igreja tem trilhado será convertido em fontes e florescerá, haverá pessoas se enchendo da plenitude do Espírito Santo para trazer provisões à Casa de Deus. As coisas velhas ficaram para trás. Deus nos fará experimentar algo totalmente novo.”
Eu ouvi uma palavra semelhante a essa no último Encontro com Líderes na Sede Social pelos apóstolos Alberto Pires e Sandro Ferreira. E, diante dessas e outras mensagens que temos recebido sobre essa casa, concluo que Deus está procurando por odres novos para encher de vinho novo. Pessoas de todas as idades, homens e mulheres, que estejam dispostos a abrir mão de tudo que representa o velho para viver o novo que Deus tem para nós. Essa é a mensagem de Deus para a ADI neste dia!

 

2 Respostas para “Vinho novo em odre velho…

    • Ola Angélica. Leia Romanos 1.18-32. O texto fala sobre as consequências do pecado na humanidade. Embora o texto não seja explícito, mas, tudo aquilo que destrói a vida é errado e afasta a pessoa de Deus. O vício pode estar relacionado a causas espirituais e também patológicas. O diabo induz a pessoa a praticar e com o tempo a pessoa torna-se dependente do vício sob influencia maligna. Porém, a questão é também física porque gera dependência.
      Há duas maneiras para se libertar: a primeira é mais importante é aceitar a Cristo como Senhor e Salvador, praticar a leitura e meditação bíblica diária e orar sempre. A Palavra de Deus trará compreensão sobre o certo e o errado; a segunda é buscar tratamento médico se a pessoa está fisicamente dependente, alguns medicamentos podem contribuir nesse processo de recuperação.
      É responsabilidade de todo ser humano cuidar bem da sua saúde, a Bíblia é clara quando diz que o corpo é morada do Espírito de Deus ou de espíritos malignos. Escolha ser de Deus e seja livre. Deus te abençoe

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